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Posts com a Tag Violência

segunda-feira, 6 de agosto de 2012 Nota, Reportagem | 12:23

SP ainda está melhor do que o Rio em matéria de crimes letais

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Uma série de crimes na cidade de São Paulo colocou o governo paulista na berlinda. Principalmente por ações que envolveram a participação de policiais. Estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostraram que o número de homicídios na capital cresceu 21,57% na comparação entre o primeiro semestre de 2012 e o mesmo período do ano passado.

O secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, admitiu que o estado vive uma “escalada de violência”. Entre os episódios recentes mais notórios estão a morte do bancário italiano Tomasso Lotto, os assassinatos do empresário Ricardo Aquino, as mortes de César Dias de Oliveira e Ricardo Tavares da Silva, arrastões em restaurantes e a execução do delegado da polícia civil Paulo de Paula na marginal Tietê.

O Ministério Público Federal chegou a pedir a troca do comando da PM e cogitou pedir a intervenção federal no Estado para conter a violência.

O coordenador nacional do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Rildo Marques de Oliveira, disse que o governo paulista “não conseguiu encontrar uma forma adequada de fazer uma política de segurança pública com cidadania”.

No Rio, a situação é inversa. Há um elogio praticamente unânime à política da Secretaria de Segurança Pública no estado, principalmente com a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas da capital carioca. Os índices de crimes, notadamente homicídio, vem caindo de forma constante.

Números do Rio são piores

Entretanto, basta comparar as estatísticas de segurança pública relativas ao primeiro semestre de 2012 divulgadas pelos dois governos para ver que as impressões de controle no Rio e de descontrole em São Paulo são exageradas.

É verdade que, no primeiro semestre, alguns índices importantes tiveram piora significativa em São Paulo e melhora no Rio, em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, se comparados, os números em São Paulo ainda são muito melhores do que os do Rio. Um estudo com números de 2010, aliás, mostrava que, entre as 27 capitais estaduais, São Paulo é a que tinha menor número de homicídios percentualmente.

“São Paulo está há 10 anos diminuindo a criminalidade. No que diz respeito à violência letal, a diferença a favor de São Paulo é sem dúvida muito grande ainda. Se pudéssemos trocar com São Paulo, faríamos um grande negócio”, afirma o sociólogo Ignácio Cano, professor do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que acaba de publicar um estudo sobre as UPPs.

Para cada carro roubado no Rio, quatro são levados em São Paulo

No primeiro semestre de 2012 foram registrados 655 homicídios dolosos na capital carioca. Em São Paulo foram 622 no mesmo período. É bom lembrar que o número de habitantes em São Paulo é 78% maior, o que faz com que a relação paulistana de homicídios por 100 mil habitantes seja ainda menor. Pelo Censo 2010 são 11.244.369 moradores na capital paulista e 6.323.037 na fluminense.

Em outros índices importantes o resultado também é menos favorável ao Rio. Percentualmente, no primeiro semestre do ano, houve mais estupros, mais tentativas de homicídio e de homicídios culposos no trânsito no Rio.

Na comparação com o Rio, São Paulo também foi mais eficiente em armas apreendidas (+133%) e nas prisões efetuadas em flagrante e por mandato (+181%).

Se São Paulo está melhor do que o Rio no que diz respeito a crimes letais, o mesmo não se pode dizer em relação a crimes contra o patrimônio. No primeiro semestre se roubou muito mais veículos e carga na capital paulista. Para cada carro roubado no Rio foram levados quatro em São Paulo. Foram 23.028 só nos primeiros seis meses de 2012.

“As pessoas avaliam o momento. É natural. E hoje a conjuntura é desfavorável a São Paulo e favorável ao Rio. Mas a perspectiva deles ainda é melhor. O Rio ainda tem muito o que fazer para chegar aos índices de São Paulo. Se continuar nesse ritmo, talvez , em 5, 6, 7 anos o Rio chegue à situação de São Paulo hoje”, avalia Ignácio Cano.

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terça-feira, 13 de março de 2012 Nota | 18:54

Granada é encontrada – e detonada – na praia do Leblon

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Policiais civis do esquadrão antibombas da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) detonaram no início da noite desta terça-feira (13) uma granada achada na praia do Leblon, na zona sul do Rio. Segundo policiais, a granada foi encontrada no final da tarde por duas crianças que começaram a brincar com ela. Uma senhora viu e avisou os bombeiros no posto salva-vidas. Eles isolaram a área e acionaram a polícia.

Policiais da Core se preparam para detonar a granada

Policiais da Core se preparam para detonar a granada

Veja o vídeo: Encontrada na praia, granada é detonada no Leblon

A granada era de efeito moral (de gás de pimenta, usada para controlar distúrbios e dispersar multidões) e estava na areia, na altura da rua Afrânio de Mello Franco (onde ficam a 14ªDP,  a Delegacia de Atendimento ao Turista e o Shopping Leblon). Uma escolinha de vôlei para crianças fica a poucas dezenas de metros de onde foi encontrado o artefato.

Para efetuar a detonação, foi interditado um trecho da praia de cerca de 200 metros, junto ao mar. Os peritos fizeram um buraco na areia e com ajuda de um braço mecânico a granada foi levada para lá e detonada. Segundo o inspetor Ivaldo, da Core, a granada era de baixo poder explosivo mas, caso detonasse enquanto fosse manuseada, poderia levar a ferimentos como a perda dos dedos ou da mão.

Policiais acreditam que ela pode ter sido trazida pelo mar.

Policial exibe a granada detonada

Policial exibe a granada detonada

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sábado, 17 de dezembro de 2011 Reportagem | 09:16

Búzios lidera ranking de homicídios no Rio; Paraty está em quarto

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Se hoje estivesse atrás de sossego e privacidade, como há quase 50 anos, Brigitte Bardot provavelmente não colocaria os pés em Búzios. Não só pela pequena e tranquila vila de pescadores que a atriz francesa praticamente colocou no mapa ter se transformado em um dos destinos turísticos mais movimentados do País, com a infraestrutura sobrecarregada nos meses de férias. É que esse pequeno balneário fluminense se transformou também em uma das cidades onde mais se mata no Brasil. Foi a cidade com maior número de homicídios per capita entre as 92 do estado do Rio de Janeiro entre 2008 e 2010.

Com cerca de 27 mil habitantes, o município de Armação dos Búzios (seu nome completo) figura em 46º na listagem nacional de número de homicídios. São 71,2 mortos por 100 mil habitantes. Pouco menos da metade da campeã desse ranking macabro, Simões Filho, na Bahia, com 146,4 por 100 mil habitantes.

Essa informação faz parte do “Mapa da Violência 2012″, levantamento feito pelo Instituto Sangari com dados do Ministério da Saúde, que compila os registros de óbitos em todo o território nacional.

Para efeito de comparação, a chance de ser morto em Búzios é praticamente a mesma de em Honduras, país da América Central que sofre com a atividade de cartéis de drogas e onde, segundo o governo dos EUA, o “crime é endêmico”. Por lá a média de assassinatos em 2010 foi de 82 por 100 mil habitantes, segundo dados de um estudo da ONU divulgado recentemente. A média global no ano passado, aliás, foi de 6,9 por 100 mil (embora nem todos os países façam parte do levantamento ou tenham estatísticas confiáveis).

Paraty e Cabo Frio entre as mais violentas

Segundo especialistas, a região dos Lagos, onde Búzios fica, é área de atuação de traficantes, inclusive com disputa de território. O consolo para Búzios é que o número de homicídios decaiu sensivelmente nesses três anos. Passaram de 26 em 2008, para 21 em 2009 e 12 no ano passado.

Localizada a 165 km ao norte da capital, Búzios está à frente de cidades da Baixada Fluminense, tradicionalmente violentas. É o caso da segunda do ranking no estado, Duque de Caxias, na região metropolitana, com 67,1 mortos por 100 mil.

Para mostrar que o problema não se restringe a Búzios, mas afeta toda a região dos Lagos, também ficam lá os municípios em terceiro e o quinto lugar entre aqueles com o maior número de homicídios entre 2008 e 2010.

O terceiro é Cabo Frio – outra cidade turística. É o 66º da listagem nacional, com 65,1 assassinatos por 100 mil. É bom lembrar que, até 1995, Búzios era um distrito de Cabo Frio.

A quinta mais violenta do estado surge na 150ª posição nacional. É Macaé, a 75 km de Búzios, que tem experimentado um crescimento populacional grande em função do boom da exploração do petróleo (50,9 por 100 mil).

Entre as duas está uma outra importante cidade turística. Paraty, sede da Flip, é a 89ª, e registrou 60,5 homicídios por 100 mil habitantes no período.

Cadáveres a menos

Se olharmos o estado como um todo, o levantamento do “Mapa da Violência 2012” revela alguns pontos positivos. Entre 2000 e 2010 a taxa de homicídio juvenil caiu 49,4%. Foi de 107,7 por 100 mil habitantes para 54,5. Ainda é alta. Hoje isso significa que um jovem entre 15 a 24 anos tem o dobro de chances de morrer assassinado no Rio – já que a taxa geral de homicídios no estado é de 26,2 por 100 mil. Essa é, por coincidência, a mesma do Brasil. E pela primeira vez desde 1980 a taxa do Rio não é superior a nacional.

A capital, que chegou a liderar as estatísticas como a com maior número de homicídios per capita do Brasil, passou a ser a quinta menos violenta em 2010. São Paulo é a menos violenta entre as 27 – o que o responsável pela pesquisa, Julio Jacobo Waiselfisz, considera uma reversão digna de nota. Campo Grande, Palmas e Florianópolis são as seguintes (as duas últimas com números ascendentes entre 2000 e 2008).

É importante notar que, no caso do Rio, os números apresentam discrepância em relação aos usados pelas autoridades estaduais, que são baseados no ISP (Instituto de Segurança Pública). Segundo esses dados ocorreram 4.768 homicídios (além de 50 lesões corporais seguidas de morte, 156 latrocínios, 545 encontro de cadáveres e 28 encontro de ossadas). Essas informações têm, como origem, os boletins de ocorrência policial.

O número apresentado no “Mapa da Violência” é significativamente inferior.  São 575 cadáveres a menos. Foram contabilizados 4.193 homicídios. São dados preliminares oriundos dos registros de óbito passados pelas secretarias de Saúde municipais para as estaduais – que encaminham para o ministério da Saúde.

“Esse é o instrumento legal brasileiro que testemunha a causa da letalidade”, afirma Waiselfisz, justificando ao iG a escolha da fonte da pesquisa. “Nas certidões de óbito as mortes são anotadas como agressão intencional. Não há distinção entre homicídio e latrocínio, por exemplo, porque, para esse registro, o motivo não importa, só a causa mortis”, explica ele.

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