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segunda-feira, 2 de abril de 2012 Reportagem | 15:32

Bolsa Verde terá primeira transação comercial em junho, na Rio+20

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Instituída no final do ano passado, a BVRio (Bolsa Verde do Rio De Janeiro) deve fazer sua primeira transação comercial em 20 de junho, durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que será realizada na capital carioca.

A Bolsa Verde será o primeiro mercado de ativos ambientais da América Latina, negociando, por exemplo, créditos de carbono e reposição florestal entre empresas que tenham passivos ambientais com outras que tenham ativos ou possibilidade de comercializar superávits de metas ambientais.

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A idéia é dar um aspecto mais formal, mais eficiente e mais transparente para o comércio de ativos ambientais – algo que já existe, mas muitas vezes é feito de modo informal e sem muito controle.

A estreia da BVRio em junho provavelmente será algo mais simbólico, para coincidir com a Conferência da ONU, e, por causa da escassez de tempo até lá, deve ser feita em bases voluntárias.

A BVRio é uma iniciativa das secretarias municipal de Fazenda e estadual do Ambiente. E a bolsa faz parte da tentativa da prefeitura carioca para revitalizar o setor financeiro da cidade, esvaziado após o crash da bolsa da cidade em 1989. Recentemente a Direct Edge, terceira bolsa de valores dos EUA, anunciou que pretende abrir uma unidade no Rio. Contudo, a iniciativa deve encontrar alguns obstáculos. Entre eles, o fato de que a BM&FBovespa tem um programa de negociação de créditos de carbono.

Além disso, por trás da criação da BVRio há uma preocupação em incentivar uma atividade produtiva menos “suja”. Mas, segundo Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde, sem descuidar que todas essas regulamentações e regras ambientais acabem onerando demais as empresas e indústrias instaladas no Estado. “Não queremos que elas percam competitividade. A forma encontrada para fazer isso é estimular o próprio mercado”, afirma ela.

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A secretaria de Fazenda, Eduarda La Rocque explica que a ideia é transformar passivo ambiental em ativo ambiental.

Suzana dá um exemplo. Se uma empresa tem a obrigação de reflorestar uma área que foi desmatada para fazer uma rodovia ou um porto, mas outra empresa consegue fazer mais barato o reflorestamento dessa área, ela pode comprar de quem faz mais barato ou melhor. “Sempre terá alguém que consegue lidar com isso de uma maneira mais barata do que outros”, admite Suzana.

O que será negociado

Por enquanto a BVRio deve trabalhar com cinco ativos ambientais: créditos de carbono; créditos de efluentes industriais da Baía da Guanabara; créditos de reposição florestal relativos à Reserva Legal; créditos de reposição de supressão de vegetação; e créditos de logística reversa e reciclagem.

No caso de créditos de carbono, empresas que reduzirem suas emissões além dos limites estabelecidos poderão vender o excedente para aquelas que não conseguirem atingir as metas.

Os créditos de efluentes industriais seguirão o mesmo princípio, mas se limitarão às emissões de poluentes líquidos na Baía.

Já com a reposição florestal, quem tiver em sua propriedade uma área florestal superior à obrigatória (reserva legal) poderá vender certificados que cobrem o déficit de quem estiver com área inferior à obrigatória.

Créditos de reposição de supressão de vegetação serão negociados entre quem tiver utilizado matéria-prima florestal e empresas que façam o replantio.

Por último, o conceito de logística reversa e reciclagem diz respeito à obrigação legal de as empresas recolherem os produtos usados (e ou suas embalagens) para reciclagem ou para algum outro destino final mais adequado. Organizações especializadas nesse descarte podem vender os créditos para quem precisa do serviço.

Interesse da ONU

“Hoje em dia todo mundo fala em neutralizar as pegadas de carbono de um evento, de viagens de avião. Mas ninguém sabe direito onde estão esses créditos, neutralizou como. Muitas vezes a mesma área foi usada para várias finalidades. É algo muito nebuloso ainda”, reconhece Suzana.

Por isso a ideia de formalizar o processo. “Na bolsa você vai poder acompanhar com mais transparência. Nas planilhas, na sua frente, você sabe o que foi comprado, por quem, aonde. Vai estar tudo registrado. O próprio pessoal das Nações Unidas está interessado nisso”, diz Suzana.

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