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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 Nota | 18:30

Favelas cariocas cresceram seis vezes mais que resto da cidade nos últimos 20 anos

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Nos últimos 60 anos, o número de moradores em favelas registrado pelo IBGE no Rio de Janeiro cresceu 723%. Um ritmo três vezes superior ao da cidade como um todo, que aumentou 175% nas seis décadas. Nesse período, a quantidade de habitantes vivendo no resto da capital subiu 123,13%. Ou seja, percentualmente, a população nas favelas cresceu cinco vezes mais do que a do resto da cidade. O Rio é a cidade com o maior número de pessoas vivendo nesses tipos de moradias em todo o País.

Da penúltimo contagem do Censo para a atual a discrepância foi ainda maior. Comparando os dados de 1991 e de 2010, as favelas cresceram 58% no período. Seis vezes mais do que o resto da cidade, que aumentou 7,29%. Mas é preciso fazer algumas observações.

Em 1953, o IBGE lançou “As favelas do Distrito Federal e o Censo Demográfico de 1950”. Na época, quando o Rio era a capital do País, foi apurado que 7,2% dos habitantes moravam em favelas (169.305 pessoas). Hoje, os dados divulgados nesta quarta-feira (21) pelo Censo 2010 revelam que a cidade está com 1.393.314 pessoas vivendo nas favelas. Ou cerca de 22,15% da população.

Há 60 anos, o instituto usava o termo favela, posteriormente abandonado. Em seu lugar, para o Censo de 1991, foi criado o conceito de “aglomerado subnormal”, uma tentativa de englobar as diversas manifestações de assentamentos irregulares existentes no país (favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, vilas, ressacas, mocambos, palafitas, entre outros).

Essa mudança impossibilita a criação de uma série histórica sobre o assunto. O próprio IBGE vê com ressalvas a comparação entre diferentes censos.

Inovações na pesquisa

A principal argumentação é que para o de 2010 foram adotadas uma série de inovações metodológicas e operacionais que refinaram a identificação e a atualização dos tais aglomerados. Pela primeira vez foram usadas imagens de satélite de alta resolução, por exemplo. Também foi feita uma pesquisa sobre as características morfológicas das áreas (Levantamento de Informações Territoriais – LIT).

Por isso, o IBGE salienta que, no geral, “os resultados não são diretamente comparáveis com os obtidos por censos anteriores.”

Nos últimos censos, no que diz respeito aos aglomerados subnormais, as informações sobre certas localidades foram mais precisas do que sobre outras. Os dados referentes ao Rio, entretanto, tinham uma qualidade melhor, de acordo com especialistas do IBGE.

Brancos eram maioria e analfabetos também

Em todo caso, ressalvado a melhoria na coleta de dado, não há erro em dizer que, em 1950 o IBGE registrou 169.305 moradores em favela no então Distrito Federal, e contabilizou 1.393.314 vivendo nos aglomerados subnormais em 2010.

Para além da mudança de termo empregado, é bom ressalvar que morar em uma favela carioca em 2010 é diferente de viver em uma há 60 anos. Em sua quase totalidade, hoje, as moradias são construções em alvenaria, a maioria com sistema de esgoto, luz e água.

Na época, a Rocinha já existia, mas estava longe de ser a maior do País e mesmo da cidade. Contava com 4.513 habitantes – tinha um quase imperceptível predomínio feminino (2.267 a 2.246). A maior da capital federal era a do Jacarezinho, com 18.424 pessoas – o quádruplo de habitantes.

Diferente do que ocorre hoje,  a maioria dos moradores não sabia ler ou escrever (61,91%). Da população, 28,96% eram brancos; 35,07% eram pretos e 35,88% eram pardos. Ou seja, proporcionalmente diminuiu o número de pretos e aumentou muito o de brancos, pelo registro do IBGE.

Solteiros eram 47,51%. Casados menos da metade disso: 22,92%. E surpreendentemente, 23,40% das pessoas que moravam em favelas não tinham qualquer registro civil.

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Nota | 10:00

Rio é cidade com maior número de moradores de favela no País

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Se todos os moradores de favela no Rio de Janeiro formassem uma cidade a parte, ela seria a 12ª maior do País em população. Com seus 1.393.314 habitantes, ficaria entre Belém e Goiânia, segundo dados do Censo 2010 divulgados nesta quarta-feira (21).

De cada 100 mil pessoas que vivem na capital fluminense, 22.160 estão nas favelas – ou nos aglomerados subnormais, que é a terminologia específica utilizada pelo IBGE para definir uma série de agrupamentos de habitações precárias. Na definição do IBGE “é um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas… ), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; e carentes, em sua maioria de serviços públicos e essenciais”.

Com suas 763 favelas, o Rio é a cidade com maior número de pessoas morando nos tais aglomerados subnormais em todo o Brasil. Em números absolutos não tem para ninguém – é a campeã. Proporcionalmente, contudo,  há outras à sua frente. Caso de Marituba, no Pará, onde 77,2% da população vive em favelas e similares. Entre as 27 capitais, Belém também se destaca, com quase metade da população nessa situação (54,48%). O Rio também fica atrás de Salvador (33,07%), São Luis (23%) e Recife (22,85%) sob esse ângulo.

Segundo o censo 2010, na cidade carioca existem 426.965 domicílios em favelas (19,89% de todas as residências).

74% dos moradores vivem com até um salário mínimo

E que retrato o IBGE faz desse universo? Da divulgação feita hoje só constam os primeiros dados. Uma visão mais aprofundada vai ficar para uma segunda etapa, em meados do próximo ano.

Por enquanto dá para saber, por exemplo, que de cada 10.000 trabalhadores que moram nas favelas cariocas, 7.400 ganham até um salário mínimo e 35 recebem mais do que cinco salários mínimos. Os números do Rio mostram que 93,84% dos moradores de favelas com mais de 10 anos são alfabetizados. Pardos são quase a metade da população, com 690.366 pessoas. E há praticamente o dobro de brancos (461.284) em relação aos pretos (227.148) vivendo nas comunidades.

Como ocorre nacionalmente, no Rio também há mais mulheres morando em favelas do que homens. São 713.782 e 679.532, respectivamente. E 32,03% dos habitantes são menores de idade. E 45,45% têm menos de 25 anos.

O censo 2010 dirimiu uma questão recorrente: qual a maior favela do Brasil. É a Rocinha, em São Conrado, com 69.161 moradores. Sozinha, a Rocinha tem mais habitantes do que a população que vive em favelas em outros 40 municípios do estado, além da capital. Apenas Niterói, com 79.623 pessoas nos aglomerados subnormais, tem um número maior.

No ranking nacional, Rio das Pedras, na zona oeste carioca, está em terceiro, com 54.793. Contudo, se considerarmos que ela forma um complexo com a comunidade de A.M. e Amigos de Rio das Pedras, com 8.689 moradores, esse número pularia para 63.482 habitantes, ultrapassando a Rocinha.

Outra revelação é que a média de moradores por domicílio nas favelas cariocas é de 3,3 pessoas por habitação. Não é muito distante do percentual do resto da cidade, que é de 3 pessoas por residência.

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