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segunda-feira, 25 de junho de 2012 Reportagem | 16:37

Confusões e gafes nos bastidores da recepção aos poderosos da Rio+20

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A Conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável no Rio de Janeiro já terminou, mas a poeira ainda não assentou. Longe dos olhares da imprensa e da população mundial, na recepção aos chefes de estado e de governo nos bastidores da Rio+20, sobrou confusão, trapalhadas e improviso.

Houve até entre os altos dignatários estrangeiros quem provasse um gostinho do caos aéreo tupiniquim na base Aérea do Galeão, o aeroporto militar usado para os voos fretados das delegações que vieram participar do evento.

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Na manhã de quarta, dia 21, ao chegar, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, teve que esperar durante quase duas horas dentro do avião pelo desembarque por falta de carros da Infraero. É que todos os disponíveis estavam sendo usados por outros chefes de estado que haviam aterrissado pouco antes. O adido militar indiano ficou irritado e disse que as autoridades brasileiras não passavam por isso quando visitam o seu país.

Nem sempre as autoridades tinham um controle eficiente de quem entrava e quem saia da base. Em uma ocasião, a Aeronáutica cobrava a chegada de uma tripulação africana, para levar o avião para a posição de decolagem. Mas a tripulação já estava na Base Aérea há duas horas e meia.

Segundo um funcionário do governo que participou da operação: “Nada sai como o planejado e surgem as informações mais desencontradas possíveis. Os órgãos não sabem trabalhar em conjunto e não há método para o fluxo de informações, nem para tomada de providências”.

Horas antes de a secretária de Estado Hillary Clinton chegar, a aproximação de um avião que ninguém sabia qual era, nem de onde vinha, suscitou um boato na sala de controle de que ela estaria no voo e pousaria em cinco minutos. O mesmo ocorreu com o líder cubano Raul Castro, alguns dias antes.

Troféu de confusão vai para a Gâmbia

A delegação de Gâmbia, foi um caso à parte. Se houvesse um prêmio para mau comportamento, segundo os diplomatas que serviram na Rio+20, ele iria para o país centro-africano. Eles não contrataram handling (os serviços em terra para uma aeronave, que vão de abastecimento de combustível, limpeza interna e externa, carregamento e descarregamento de bagagem, fornecimento de comida etc) para a aeronave que trouxe a delegação ao Brasil.

Isso teve que ser resolvido emergencialmente pela FAB, que contratou o serviço. Nem hospedagem a tripulação de Gâmbia tinha. O pessoal ficou na Base Aérea do Galeão sem passaporte, que havia sido levado pelo comando da delegação do País, governado por Yahya Jammeh desde 1994, quando subiu ao poder em um golpe de estado. Como nota de pé de página, não custa lembrar que o presidente da Gâmbia ganhou notoriedade em 2007, ao afirmar que curava Aids.

Ao deixar o Brasil, a delegação da Gâmbia também se recusou a pagar o catering. A conta pendurada ficou para a FAB. Além disso, um segurança da comitiva de Jammeh fez gestos ameaçadores e agrediu verbalmente um coronel do Exército no Riocentro. Faltou pouco para ser algemado e preso. O coronel brasileiro chegou a dar ordem para que os soldados imobilizassem e detivessem o gambiano caso ele esboçasse alguma reação armada.

A boca-livre dos diplomatas

Questões desse tipo acabavam sendo tratados pelos diplomatas de ligação brasileiros que serviram às delegações estrangeiras. Cada País tinha um diplig”, que era responsável por resolver a vida de cada participante. O que incluia acompanhamento em visitas ao Cristo Redentor, ao shopping e a churrascarias.

Eles tinham tarefas mais administrativas também. Deviam informar às autoridades competentes o horário dos voos de partida, quantas armas entravam no País com cada comitiva (era preciso um formulário específico de admissão temporária para checar que elas também saíam do País) etc.

Esse foi outro ponto de discórdia entre autoridades brasileiras e estrangeiras. Pelo menos uma delegação se recusou a mostrar as armas, o que causou descontentamento entre os funcionários da Receita Federal.

Os diplomatas de ligação também criaram problemas. Alguns tomaram o partido das delegações a que estavam servindo. Outros chamaram atenção usando estratagemas para comer de graça no setor VIP reservado para almoço de chefes de delegação no Pavilhão 5 do Riocentro. O local era restrito e não autorizado para os 200 diplomatas convocados para a função.

Isso gerou pelo menos uma situação embaraçosa, descrita no email em que a coordenadora de cerimonial apelava para que os diplomatas brasileiros evitassem esse tipo de comportamento.

“Alguns tentaram burlar o cerminonial e chegaram até mesmo a forçar a entrada de mais gente do que o permitido na sala de almoço. O caso mais grave foi de diplig que entrou correndo com quatro membros da delegação impedindo o controle do cerimonial e como se não bastasse retornou com mais quatro, que foram devidamente barrados. Infelizmente, no segundo grupo se encontrava o Primeiro-Ministro daquele país”.

“Enfim, os estratagemas foram vários e foram muitos os argumentos que as funcionárias do cerimonial tiveram que ouvir. Muitos deles nada agradáveis. Mesmo com toda a contenção, cerca de 14 dipligs furaram a barreira e almoçaram na tenda.
Se tal comportamento se repetir amanhã, quando teremos simultaneamente o almoço da Senhora PR (a presidente Dilma) e o almoço dos Ministros, teremos uma situação de caos total”, alertava a coordenadora do cerimonial.

Também por email, os dipligs tomaram um puxão de orelha do coordenador, Paulo Uchôa, que mandou que eles deveriam se virar para comer no Pavilhão 2 com as diárias (dobradas durante 20 dias) dadas pelo governo.

Placa coberta e caminho errado

Muitos problemas ocorreram com o transporte dos dignatários e representantes estrangeiros. Vans alugadas pelas delegações tiveram as placas cobertas com jornal, para evitar multas.

Alguns motoristas que serviram às delegações não conheciam os itinerários. O caso que ficou famoso foi uma van servindo ao Japão que acabou se perdendo e deu de frente com traficantes ao entrar em uma favela no Caju, zona portuária da cidade.

Outros erros de percurso, menos importantes, ocorreram. Na hora de deixar o Rio, por exemplo, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, mofou durante duas horas dentro da aeronave porque duas vans da imprensa oficial se perderam a caminho da Base Aérea.

O presidente francês também enfrentou contratempo parecido na sua primeira ida ao Riocentro. O batedor se perdeu na chegada e foi parar em um pavilhão errado. François Hollande ficou preso por quase vinte minutos no carro. Mas não perdeu o bom humor e reagiu com simpatia, dizendo que não havia problema e que aproveitaria para rever os textos.

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quinta-feira, 14 de junho de 2012 Nota | 12:15

Aplicativo calcula pegada de carbono no deslocamento de delegados para Rio+20

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Um aplicativo que calcula qual a pegada de carbono dos participantes que vieram para a Rio+20 será anunciado hoje à tarde (dia 14) pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em uma conferência no Riocentro, sede da Conferência da ONU. Pegada de carbono é a medida da quantidade de dióxido de carbono (C02) e outros gases com efeito estufa (GEE) que uma pessoa ou atividade produzem.

Logotipo da Rio+20

Acompanhe a cobertura do iG da Rio+20

O aplicativo que será apresentado por Patriota foi desenvolvido em parceria pelo Comitê Nacional de Organização da Rio+20, a Caixa Econômica Federal e o Pnud Brasil. Há outros disponíveis, inclusive online, para quem quiser ter uma ideia aproximada de quanto polui.

O CNO calculou qual será a pegada de carbono do evento em solo nacional e estratégias para compensação. Patriota irá anunciar o montante que será gerado e como será feita a compensação. No entanto, o Brasil não irá compensar a emissão provocada pelo deslocamento dos participantes estrangeiros até o Rio. O aplicativo permitirá que cada delegação, ou cada integrante, saiba quanto poluiu para chegar até a conferência e, voluntariamente, busquem compensar as emissões.

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O aplicativo ficará disponível aos participantes para que eles possam medir as emissões da viagem até a conferência e comprar RCEs (reduções certificadas de emissão) oferecidas por projetos brasileiros do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

Segundo o CNO, os resultados das estimativas (antes e depois da Rio+20), as atividades de redução de emissão de GEE implementadas durante o encontro e a lista dos projetos que doaram RCEs para a compensação das emissões da organização do evento serão divulgados após o término da conferência.

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