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sábado, 3 de dezembro de 2011 Reportagem | 08:01

Desconhecido dos cariocas, o Morro da Conceição abre suas portas

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É como uma pequena e tranquila cidade do interior no meio do burburinho caótico do centro do Rio de Janeiro. A poucos passos do antigo cais do porto da praça Mauá, com suas decadentes boates de strip-tease; do início da avenida Rio Branco, e atrás da avenida Presidente Vargas, com seus engravatados apressados, está escondido o Morro da Conceição.

Palácio episcopal, hoje ocupado pelo exército

Palácio Episcopal, hoje ocupado pelo Exército

Escondido não é modo de dizer. Um paredão de prédios impede a visão do local, desconhecido da maioria dos cariocas apesar de ser um dos marcos fundadores da cidade e de extrema importância para o desenvolvimento do que se tornou o Rio de Janeiro. Poucos sabem que há uma fortaleza no morro, com guarnição do exército e tudo – e aberta a visitação.

Vista de uma rua do Morro da Conceição

Vista de uma rua do Morro da Conceição

Com os morros do Castelo, de Santo Antônio e de São Bento, o da Conceição formava os quatro pontos onde o Rio de Janeiro nasceu e cresceu por quase três séculos a partir de sua fundação em 1565.

Essa áreas foram privilegiadas no início por conta das características topográficas da região, dominada por manguezais e áreas inundáveis. Os dois primeiros morros foram destruídos. O terceiro abriga o mosteiro que leva seu nome. O único que permanece como local de moradia é o da Conceição, com casario antigo de sobrados centenários em meio a becos, ladeiras, escadarias e ruelas com nomes estranhos, como rua do Escorrega.

A baía de Guanabara chegava aos pés do Morro da Conceição cujas muradas que serviram de ancoradouro durante séculos. Em seu topo, em 1634, foi construída a ermida de Nossa Senhora da Conceição, que se tornou o convento dos Capuchinhos. É lá que ficaria o Palácio Episcopal, com a chegada em 1702 do bispo d. Francisco de São Jerônimo, que escolheu o lugar para morar.

Pilhagem corsária

Fachada de uma casa no Morro da Conceição

Fachada de uma casa no Morro da Conceição

Oito anos depois o local foi alvo das baterias francesas na tentativa fracassada de invasão capitaneada por Duclerc.  No ano seguinte – a exatos 300 anos -, em nova investida comandada pelo corsário René Duguay-Trouin, os franceses foram bem sucedidos, após bombardeio e saque da cidade. Ele escolheu o palácio como sua residência. Só foi embora após receber um resgate.

Para evitar experiências do tipo, os cariocas resolveram reforçar a defesa da cidade construindo uma fortaleza nos fundos do terreno do palácio. Mais tarde ela receberia como prisioneiros, três participantes da Inconfidência Mineira, incluindo Thomaz Antonio Gonzaga (o Dirceu do poema arcadiano “Marília de Dirceu”).

Hoje, a fortaleza da Conceição abriga a 5ª Divisão de Levantamento do Exército, responsável pela área de cartografia da corporação. Além da fortaleza do Exército, o local também abriga um observatório, o do Valongo, onde antes havia uma chácara em que escravos eram vendidos, nos períodos colonial e imperial.

Samba, escravos e a Pedra do Sal

A Pedra do Sal, onde escravos desembarcavam na cidade

Em uma das entradas do morro, aliás, está a Pedra do Sal, que ganhou esse nome porque o tal produto era descarregado das embarcações ancoradas nas proximidades. Com o tempo, escravos também passaram a descer ali dos navios negreiros. No início do século passado, a área, frequentada por Pixinguinha, Donga e João da Baiana foi um dos berços do samba.

O restaurador Oyama Achcar é um dos artistas com ateliê no local

O restaurador Oyama Achcar é um dos artistas com ateliê no local

Apesar da localização central e da importância histórica, o Morro da Conceição foi se deteriorando com os anos. Cerca de 500 famílias ainda moram no local, que está passando por obras. Algumas moradores foram personagens do documentário feito pela cineasta Cristiana Grumbach com o nome do lugar.

Ultimamente passou a acolher artistas plásticos, que ajudaram a revigorar o bairro e criaram o projeto Mauá. Eles organizam, anualmente, o “Arte por toda parte”, que abre as portas dos ateliês e realiza eventos culturais. Um deles é o Ventos do Norte, de Oyama Achcar (especializado em restauração) e Tania Gollnick. O deste ano é neste final de semana.

Com feira de artesanato e antiguidades, palestras e inclui com shows da Orquestra Voadora (no sábado) e do bloco de carnaval Escravos da Mauá (no domingo).

Também têm passeios feitos por guias do programa Palácios do Rio, desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social da Coppe/UFRJ.

De forma didática e interessante, eles contam a história do morro e ainda visitam a fortaleza da Conceição. O projeto se encerra na próxima semana, no dia 8 (o telefone para agendar é 21/2263-0685).

Baía de Guanabara vista da fortaleza da Conceição

Baía de Guanabara com a ponte Rio-Niterói ao fundo vista da fortaleza da Conceição

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