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quarta-feira, 13 de junho de 2012 Nota | 10:31

Cresce número de trabalhadores de 10 a 15 anos em uma década no Rio

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Dia 12 de junho é o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. E o IBGE divulgou números do Censo 2010 sobre o tema. No País, são 3,4 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos de idade trabalhando, cerca de 530 mil a menos que em 2000.

No caso do Estado do Rio houve uma diminuição também (menos 14.045), mas isso não ocorreu na capital, onde o número ficou praticamente estagnado. Eram 42.997 em 2000. Passaram para 43.045 em 2010 (+0,11%).

Saiba mais sobre a pesquisa do IBGE

O ponto mais negativo no Estado do Rio é que, embora o número de trabalhadores infantis tenha declinado na faixa de 16 a 17 anos, aumentou na de 10 a 15 anos, onde o esforço para evitar esse tipo de atividade deveria ser mais forte.

Houve um acréscimo considerável. Em 2000 eram 52.765 crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos trabalhando. Em 2010 o contingente subiu para 57.528.

No Estado, esse exército de trabalhadores infantis entre 10 e 17 anos é predominantemente urbano (129.563 nas cidades e 9.137 no campo) e masculino (84.721 meninos e 53.980 meninas).

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Reportagem | 09:03

Governo do Estado infla número de moradores de comunidades pacificadas por UPPs

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Pela reconquista de territórios antes ocupados por traficantes e milicianos, as Unidades de Polícia Pacificadora são o carro-chefe do governo Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro. Em três anos foram instaladas 19 delas em algumas das favelas com maior presença desse poder paralelo na capital do Estado. A propaganda oficial afirma que são 344 mil moradores de 72 “comunidades pacificadas” atendidas pelas UPPs. Contudo, basta consultar os dados do Censo 2010, do IBGE, órgão encarregado oficialmente da contagem populacional no País, para constatar que o número real de habitantes é inferior.

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Nas 19 UPPs existem 71 favelas, de acordo com o IBGE. Nelas vivem 165.125 pessoas segundo os dados do Censo 2010 (veja a relação completa e o número de habitantes de cada uma no final do texto). Em toda a cidade são 763 favelas com 1.393.314 moradores. São os números mais recentes da maior e mais precisa contagem de população feita no Brasil.

Entenda como foi feito o cálculo usando os números do Censo

Isso significa que, de cada mil moradores de favelas na cidade do Rio, apenas 118 vivem em áreas pacificadas com UPPs. As próximas unidades já estão programadas. Serão Rocinha, provavelmente no próximo mês, e Complexo do Alemão, que segue ocupada por militares da Força de Ocupação das Forças Armadas.

Exemplos de erros

Os números de beneficiados divulgados pelo governo do Estado são errados. Algumas vezes para menos, é importante registrar. Na maioria, porém, o equívoco é para mais. Em certos casos os números do governo não têm qualquer conexão com a realidade. Principalmente os relativos às primeiras unidades instaladas.

É o caso da do Batan, que era dominada por milicianos na zona oeste e foi instalada em fevereiro de 2009 (mais de um ano antes de o Censo fazer sua pesquisa). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, são 45 mil pessoas atendidas nas “comunidades pacificadas” na área. De acordo com o IBGE, entretanto, o número de moradores em favelas lá mal alcança a um décimo disso: 4.601 pessoas. Se formos acrescentar a população que mora na área da UPP, mas não vive em favelas, chegaremos a pouco mais de 16 mil.

Na de Babilônia/Chapéu Mangueira, no Leme, na zona sul da cidade, o governo afirma que são 10 mil beneficiados nas duas “comunidades pacificadas”. Pelo Censo, no entanto, a primeira tem 2.451 moradores; a segunda tem 1.289, somando 3.740. Outras 135 pessoas que não moram nas favelas estão na área da UPP.

No caso da Santa Marta, em Botafogo, vizinha do Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, outro erro digno de nota. O governo diz que a comunidade tem 10 mil moradores. O Censo 2010 registrou 3.913 habitantes. Com a população “do asfalto”, no trecho contíguo à favela e na área da UPP, o número de pessoas pularia para cerca de 5 mil.

Policiamento especial

Para além do efeito de propaganda, o aumento da população atendida pelas UPPs cria um problema logístico, já que o número de habitantes é um dos principais fatores para se definir o contingente de policiais que ficará no local.

Essas áreas contam com um policiamento especial, feito em sua maioria por soldados recém-formados. Atualmente, o efetivo total das UPPs é de 3.992 homens. O que dá uma média de um PM para cada 41 habitantes das “comunidades pacificadas”, usando os dados do Censo 2010.

Se o programa fosse levado para todas as 763 favelas da cidade – e a proporção do efetivo fosse mantida em relação à população das comunidades – seriam necessários 33.688 policiais. Isso significaria praticamente multiplicar por dez o número atual, com o acréscimo de 29.696 homens.

Ex-coordenador de UPPs explica que número de moradores é apenas um fator para definir efetivo

O que é uma favela?

É importante explicar que o IBGE não usa a palavra favela, termo criado no Rio e que não se aplica a moradias carentes em toda a federação. Como os termos mudam de uma área para outra, o IBGE adotou uma definição técnica: aglomerado subnormal.

“É um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas… ), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; e carentes, em sua maioria de serviços públicos e essenciais”.

Essa definição, no entanto deixa de fora conjuntos habitacionais, mesmo aqueles em que vivem famílias com perfil sócio-econômico semelhante aos de favelas.

Sendo assim, as favelas da Cidade de Deus constam da contagem de “aglomerados subnormais” do IBGE, mas o conjunto que deu origem á área ficou de fora. Mas isso não explica a discrepância entre os números do IBGE e da Secretaria de Segurança Pública, que diz que a UPP atende 65 mil pessoas na “comunidade pacificada” da Cidade de Deus.

O Censo aponta 5.705 moradores nas nove favelas da região. A soma de todos os habitantes da área, incluindo o conjunto habitacional, chegaria a 45 mil pessoas.

No Batan também há um conjunto de fora. “O Ipê é ocupado por famílias muito pobres que perderam tudo em deslizamentos em chuvas recentes. Pode não ser considerado favela, mas as pessoas ali estão entre as mais necessitadas da área da UPP. Fazer essa distinção técnica é difícil. A gente policia tudo”, explica o tenente Juliano, subcomandante da UPP do Batan. De qualquer forma, o “tudo” policiado soma 16 mil pessoas. Muito diferente dos 45 mil informados pelo governo.

TOTAL DE MORADORES DE FAVELAS ATENDIDOS POR UPPs

São 165.125 pessoas* em 71 favelas reconhecidas pelo Censo 2010

1. Santa Marta: 3.913 moradores (em uma favela)

2. Cidade de Deus: 5.705 moradores (em nove favelas)
– Santa Efigênia: 1.843
– Travessa Efraim: 930
– Sítio da Amizade: 836
– Rua Moisés: 587
– Moquiço: 436
– Conjunto Vila Nova Cruzada: 398
– Vila da Conquista: 278
– Pantanal 1: 206
– Pantanal: 191

3. Batan: 4.061 moradores (em quatro favelas)
– Batan: 3.254
– Rua Duarte Coelho de Albuquerque: 806
– Vila Jurema 1: 359
– Vila Nova: 182

4. Babilônia/Chapéu Mangueira: 3.740 moradores (em duas favelas)
– Babilônia: 2.451
– Chapéu Mangueira: 1.289

5. Pavão-Pavãozinho: 10.338 moradores (em duas favelas)
– Pavão-Pavãozinho: 5.567
– Cantagalo: 4.771

6. Cabritos: 4.336 moradores (em três favelas)
– Morro dos Cabritos: 2.602
– Ladeira dos Tabajaras: 1.359
– Mangueira: 375

7. Providência: 4.889 moradores (em quarto favelas)
– Morro da Providência: 4.094
– Moreira Pinto: 326
– Pedra Lisa: 260
– São Diogo: 209

8. Borel: 12.812 (em seis favelas)
– Borel: 7.548
– Morro da Casa Branca: 2.539
– Morro do Cruz: 1.355
– Indiana: 887
– Morro do Bananal: 307
– Buraco Quente: 176

9. Formiga: 4.312 moradores (em uma favela)

10. Andaraí: 9.704 moradores (em seis favelas)
– Parque João Paulo II: 2.616
– Nova Divinéia: 1.976
– Arrelia: 1.972
– Andaraí: 1.760
– Jamelão: 944
– Borda do Mato: 436

11. Salgueiro: 3.345 moradores (em duas favelas)
– Salgueiro: 3.149
– Coréia: 196

12. Turano: 12.058 moradores (em dez favelas)
– Morro da Liberdade: 3.259
– Morro do Bispo: 1.978
– Matinha: 1.717
– Morro do Chacrinha: 1.177
– Sumaré: 925
– Rodo: 901
– Santa Alexandrina/Parque Rebouças: 686
– Pantanal: 612
– Vila Santa Alexandrina: 530
– Paula Ramos: 273

13. Macacos: 19.082 moradores (em duas favelas)
– Parque Vila Isabel: 14.007
– Macacos: 5.075

14. São João: 6.786 moradores (em três favelas)
– São João: 3.745
– Morro da Matriz: 1.552
– Morro do Quieto: 1.489

15. Fallet/Fogueteiro: 9.013 moradores (em cinco favelas)
– Morro da Coroa: 4.069
– Unidos de Santa Tereza: 3.780
– Ocidental Fallet: 749
– Luiz Marcelino: 254
– A.M. e Amigos do Vale: 161

16. Prazeres/Escondidinho: 5.065 moradores (em quarto favelas)
– Morro dos Prazeres: 2.136
– Morro do Escondidinho: 1.758
– Vila Anchieta: 854
– Vila Elza: 317

17. Complexo do São Carlos: 15.244 moradores (em cinco favelas)
– Catumbi: 5.790
– São Carlos: 5.784
– Azevedo Lima: 2.396
– Morro Santos Rodrigues: 1.006
– Rato: 268

18. Mangueira: 20.350 moradores (em oito favelas)
– Morro dos Telégrafos: 6.657
– Mangueira: 4.594
– Tuiuti: 3.263
– Parque Candelária: 2.229
– Marechal Jardim: 1.787
– Vila Miséria: 724
– Parque dos Mineiros: 668
– Rua Bartolomeu Gusmão: 428

19. Vidigal/Chácara do Céu: 10.372 moradores (em duas favelas)
– Vidigal: 9.678
– Chácara do Céu: 964

* Não estão contabilizados os moradores de áreas das UPPs que não vivem em favelas.

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Reportagem | 09:01

Como ter certeza do número de moradores de comunidades pacificadas?

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Chegar ao número de habitantes por favelas atendidas por UPPs não é difícil. Mas dá certo trabalho. A lista de comunidades listadas pela PM não bate com a cadastrada pelo IBGE e pelo Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da Prefeitura encarregado da produção e difusão de informações estatísticas, cartográficas e georreferenciadas do município. Um exemplo é o Morro da Liberdade, identificada pela PM como favela do Turano. Ou Fogueteiro, que o IPP e o IBGE só reconhecem como Unidos de Santa Tereza. Outro caso é a área que a polícia chama de  Morro da Mineira, que os outros dois institutos definem como Catumbi, na UPP São Carlos.

Governo do Rio infla número de moradores de comunidades pacificadas com UPPs

Primeiro foi preciso saber qual a delimitação exata de cada UPP e identificar todas as favelas incluídas em seus perímetros. Técnicos do IPP forneceram os mapas – que são usados pela PM. Cada mapa foi checado pessoalmente com os comandantes das UPPs. Inclusive para tirar as dúvidas quanto aos nomes divergentes usados pela polícia.

Coronel que coordenou UPPs diz que estimativas oficiais deveriam ser revistas

Tendo a área definida, e sabendo quais as favelas em cada UPP, o passo seguinte foi ir ao IBGE para checar a população. As áreas de favelas foram definidas pelo IBGE com ajuda das prefeituras em todo o País. Foi feito um levantamento prévio com uso de satélites para mapeamento.

“Na metodologia do Censo todos os aglomerados subnormais (termo técnico usado para definir favelas) são tratados de forma separada, com setores censitários próprios, o que possibilita um controle mais preciso dos dados daquela área, o que é importante para orientar políticas públicas e pesquisas acadêmicas”, explica Cláudio Stenner, responsável pela pesquisa dos aglomerados subnormais do Censo 2010. O IBGE dividiu o País em 316.574 setores censitários. Desses, 15.868 eram classificados como aglomerados subnormais.

Dificuldade para quantificar moradores fora de favelas

Se não é difícil saber com exatidão o número de habitantes de “comunidades pacificadas”, o mesmo não se pode dizer da contagem de moradores das UPPs que não vivem em favelas.

“Há uma dificuldade técnica que impede termos a mesma precisão”, afirma Cláudio. É que, ao serem criadas, as UPPs respeitaram os limites das favelas, que foram incorporadas integralmente às áreas com policiamento especial. Mas nem sempre o traçado das UPPs coincidiu com a divisão dos outros setores censitários feita pelo IBGE. Alguns foram cortados pelas bordas definidas pela Secretaria de Segurança Pública.

Com as informações divulgadas até agora pelo Censo 2010 não é possível desmembrar os setores censitários. Por isso, só é possível trabalhar com um número aproximado para saber qual a população total de cada área beneficiada por uma UPP.

Entretanto, mesmo que fossem incluídos na contagem os setores censitários parcialmente cobertos pelas UPPs, a população chegaria a pouco mais de 260 mil. Longe dos alegados 344 mil habitantes das “comunidades pacificadas”.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Nota | 15:29

Rio: salário aumenta mais do que número de empregos com carteira assinada

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Realizada nas seis maiores regiões metropolitanas do País (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), a Pesquisa Mensal de Empregos fechou 2011 com números dúbios sobre o Rio.

Saiba mais sobre a PME

Afinal, números de uma estatística dependem muito da leitura que é feita. Na comparação com 2003, o Rio teve a menor queda percentual de desocupação. Passou de 9,2% para 5,2% – quatro pontos percentuais. Tinha a menor entre as seis regiões em 2003. Agora, Porto Alegre (de 9,5% para 4,5%) e Belo Horizonte (de 10,8% para 4,9%) estão em melhor situação. E, proporcionalmente, São Paulo teve a maior redução: 7,9 pontos (de 14,1% para 6,2%).

Ultrapassado por Recife e Salvador, o Rio também tem o menor percentual de empregados com carteira de trabalho: 43,9% – embora este número tenha aumentado 6,9 pontos nos 8 anos de comparação da pesquisa.

A grande melhora do Rio na pesquisa foi no aumentos de rendimento médio recebido pela população ocupada, o maior entre as seis regiões metropolitanas. São Paulo continua na frente, mas o Rio agora está colado, com apenas R$ 10,87% de diferença. Passou de R$ 1.284,93 para R$1.719,35 (um aumento de R$434,42). São Paulo foi de R$ 1.519,92 para R$ 1.730,22 (R$210,30 a mais).

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011 Reportagem | 12:48

Angu Duro, Pata Choca, Shangrilá e outros nomes curiosos das favelas cariocas

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Shangrilá, quem diria, existe de verdade e não fica nas cordilheiras do Himalaia, mas na Taquara, em Jacarepaguá, na zona oeste carioca, e tem 835 habitantes. Também não é um paraíso idílico escondido, mas sim uma das 763 favelas da cidade do Rio, a cidade com maior número de pessoas vivendo nesse tipo de moradia em todo o País.

O Censo 2010 do IBGE divulgou as primeiras informações sobre favelas e similares – definidos pelo instituto como “aglomerados subnormais”. O interessante é observar o nome com que muitas delas foram batizadas. E o cruzamento com outros bancos de dados revelam curiosidades. Há homenagens a políticos, novelas, banqueiro do bicho, animais, áreas da cidade e até a um maestro de ópera. Muitos nomes têm origens inusitadas.

Comunidades com animais são muitas: Águia Dourada, Araras, Beco da Coruja, Beco do Carcará, Beco do Rato, Formiga, Jacaré, Jacarezinho, Caracol, Bacalhau, Cabritos, Macacos, Urubu, Pavão-Pavãozinho. Até o piolho foi lembrado, dando nome a uma favela em Jacarepaguá.

E sem se desviar do tema zoológico, existem duas favelas batizadas de Castor de Andrade, falecido banqueiro do bicho fluminense. Ambas em Bangu, área de atuação maior do contraventor, que foi presidente do time do bairro.

Monarquia, República e política

Existem três com nomes derivados da monarquia. Temos um Barão, uma Baronesa e um Visconde de Sabóia. Há denominações mais republicanas. Dois ex-governadores foram eternizados. Há o Beco do Brizola (em Paciência), e uma comunidade Negrão de Lima, perto do viaduto em Madureira que leva seu nome. E dois presidentes foram lembrados. Tancredo Neves foi duas vezes (em Bangu e no Jacarezinho). E há um Parque João Goulart, em Manguinhos, onde também existe uma comunidade com o nome do sanitarista Carlos Chagas. Chico Mendes deu nome a dois “aglomerados subnormais”. Sobra até para músicos. Existe o Conjunto Ataulfo Alves.

E mesmo longe de Washington o Rio também tem uma Casa Branca, que fica na Tijuca e foi recentemente pacificada.

Certos batismos evidenciam uma orientação ideológica. Força do Povo, em Anchieta, foi fruto de uma ocupação feita por cem integrantes do MTT (Movimento dos Sem Teto e Sem Terra) na década de 90. Ou a Ocupação Olga Benário Prestes, em Campo Grande, mais recente.

Mas nomes politizados são minoria. Novelas são uma constante no batismo de ocupações irregulares. E de todas as épocas. Cambalacho, surgiu em 1987. Na década anterior foi criada a Te Contei. E nos anos 90 foi a vez de Torre de Babel e Uga Uga. Há também um Parque Criança Esperança e uma favela Pica Pau Amarelo.

Dom da ubiquidade

Nomes religiosos são bem mais frequentes: Espírito Santo, Deus é Vida, Cosme e Damião, Fé em Deus, da Fé, Nova Canaã… Há também um Parque João Paulo II e uma Vila dos Crentes.

E Santos e Santas para quase todas as devoções. Às vezes replicados. Nossa Senhora da Conceição são três. Aliás, o que não falta é Nossa Senhora… da Penha, de Fátima, da Apresentação, da Guia, da Glória, das Graças, da Paz. E temos Jardim São Bento; Loteamento São Sebastião; Morro São João, São José e Santa Marta.

Santas temos Alexandrina (duas vezes), Anastácia, Mônica, Clara (duas), Efigênia, Luzia, Maria, Maura, Rosa e Terezinha. E com santos há espaço para os mais obscuros. Usaram São Carlos, Diogo, Gomário (aparentemente seria o santo dos casamentos em crise, para quem se interessar), Gonçalo do Amarante (que é beato, não é santo), Francisco de Assis, Jerônimo, Jorge (duas), Miguel, Miguel Arcanjo, Pedro; Santo Amaro, Antônio (duas), André, Jorge (outras duas).

Um caso à parte é São Sebastião que, mais do que outros, tem o dom da ubiquidade no Rio. Além de padroeiro da cidade – que leva seu nome na certidão de batismo – , ele comparece em um loteamento, um morro e uma vila.

Angu Duro e Pata Choca

Com origem em time de futebol existe a Barreira do Vasco, colada ao campo de São Januário, em São Cristóvão. Ela foi formada por soldados que retornaram da Segunda Guerra Mundial sem ter onde morar. O terreno acabou desapropriado pelo então presidente Getúlio Vargas na década de 50.

Sentimentos e conceitos são sempre lembrados. Há morro da Liberdade, da Esperança, do Sossego, do Amor e do Adeus; e vilas Progresso, Harmonia, Paz e União, por exemplo.

Alguns nomes são otimistas. Além de Shangrilá, temos uma Vila Paraíso, uma Porta do Céu, uma Vila do Céu, uma favela Pedacinho do Céu e uma Céu Azul. Outras não douram a pílula, como exemplificam uma Vila Vintém, uma Vila Miséria,

Nomes esquisitos são muitos. Tem Angu Duro, instalada no Itanhangá desde a década de 30; Cachorro Sentado, que surgiu de um sítio no Recreio dos Bandeirantes. Duas levam o nome de Final Feliz. Também há Fubá, Querosene, Gari, Mata Quatro, Pata Choca, Pretos Forros, Sanatório, Buraco Quente; Faz Quem Quer.

Mas talvez o mais inusitado nome de comunidade no Rio seja Maestro Arturo Toscanini, em homenagem ao regente italiano de fama mundial que iniciou a carreira quase que por acaso no Theatro Municipal. Tem 185 moradores e fica no Tauá, na Ilha do Governador.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011 Nota | 08:08

Cidades turísticas são as mais favelizadas no Rio

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Angra dos Reis e outras quatro cidades turísticas lideram o ranking de cidades mais favelizadas no estado do Rio. Mangaratiba, Teresópolis, Arraial do Cabo e Cabo Frio fecham a lista dos municípios fluminenses entre os 30 com maior proporção de residências em favelas no País, segundo informações sobre aglomerados subnormais do Censo 2010 do IBGE.

Diferente do que ocorre na maioria do Brasil, entretanto, elas não estão na região metropolitana da capital, evidenciando o fenômeno recente do processo de favelização longe das grandes concentrações urbanas. Em todo caso, o problema é enfrentado por quase metade dos municípios do estado – 42 dos 92.

Com essas cinco cidades, as três principais regiões turísticas do estado estão representadas. Com 60.009 de seus 169.247 habitantes em favelas (35,5%), Angra dos Reis, no litoral sul do estado é a que tem maior concentração per capita. Mangaratiba, na mesma região, vem com 24,1% (8.756 pessoas). Na Serra,Teresópolis surge com 41.809 dos 163.404 moradores (25,6% do total).

Duas cidades do litoral norte do estado, na região dos Lagos, também aparecem na lista nacional das 30 mais favelizadas. Arraial do Cabo tem 6.645 de seus 27.652 moradores vivendo em aglomerados subnormais (24%). E a vizinha Cabo Frio, que tem 22,6% (41.914 de 185.684 habitantes).

O ranking é de número de residências mas, na proporção de população, outra cidade importante surge colada às demais: é a capital, que tem 22,15% de seus habitantes em favelas. São 10 pontos percentuais acima da média do estado, que é de 12,69%. A capital também responde por 82,1% das residências em favela em toda a região metropolitana.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 Nota | 18:30

Favelas cariocas cresceram seis vezes mais que resto da cidade nos últimos 20 anos

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Nos últimos 60 anos, o número de moradores em favelas registrado pelo IBGE no Rio de Janeiro cresceu 723%. Um ritmo três vezes superior ao da cidade como um todo, que aumentou 175% nas seis décadas. Nesse período, a quantidade de habitantes vivendo no resto da capital subiu 123,13%. Ou seja, percentualmente, a população nas favelas cresceu cinco vezes mais do que a do resto da cidade. O Rio é a cidade com o maior número de pessoas vivendo nesses tipos de moradias em todo o País.

Da penúltimo contagem do Censo para a atual a discrepância foi ainda maior. Comparando os dados de 1991 e de 2010, as favelas cresceram 58% no período. Seis vezes mais do que o resto da cidade, que aumentou 7,29%. Mas é preciso fazer algumas observações.

Em 1953, o IBGE lançou “As favelas do Distrito Federal e o Censo Demográfico de 1950”. Na época, quando o Rio era a capital do País, foi apurado que 7,2% dos habitantes moravam em favelas (169.305 pessoas). Hoje, os dados divulgados nesta quarta-feira (21) pelo Censo 2010 revelam que a cidade está com 1.393.314 pessoas vivendo nas favelas. Ou cerca de 22,15% da população.

Há 60 anos, o instituto usava o termo favela, posteriormente abandonado. Em seu lugar, para o Censo de 1991, foi criado o conceito de “aglomerado subnormal”, uma tentativa de englobar as diversas manifestações de assentamentos irregulares existentes no país (favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, vilas, ressacas, mocambos, palafitas, entre outros).

Essa mudança impossibilita a criação de uma série histórica sobre o assunto. O próprio IBGE vê com ressalvas a comparação entre diferentes censos.

Inovações na pesquisa

A principal argumentação é que para o de 2010 foram adotadas uma série de inovações metodológicas e operacionais que refinaram a identificação e a atualização dos tais aglomerados. Pela primeira vez foram usadas imagens de satélite de alta resolução, por exemplo. Também foi feita uma pesquisa sobre as características morfológicas das áreas (Levantamento de Informações Territoriais – LIT).

Por isso, o IBGE salienta que, no geral, “os resultados não são diretamente comparáveis com os obtidos por censos anteriores.”

Nos últimos censos, no que diz respeito aos aglomerados subnormais, as informações sobre certas localidades foram mais precisas do que sobre outras. Os dados referentes ao Rio, entretanto, tinham uma qualidade melhor, de acordo com especialistas do IBGE.

Brancos eram maioria e analfabetos também

Em todo caso, ressalvado a melhoria na coleta de dado, não há erro em dizer que, em 1950 o IBGE registrou 169.305 moradores em favela no então Distrito Federal, e contabilizou 1.393.314 vivendo nos aglomerados subnormais em 2010.

Para além da mudança de termo empregado, é bom ressalvar que morar em uma favela carioca em 2010 é diferente de viver em uma há 60 anos. Em sua quase totalidade, hoje, as moradias são construções em alvenaria, a maioria com sistema de esgoto, luz e água.

Na época, a Rocinha já existia, mas estava longe de ser a maior do País e mesmo da cidade. Contava com 4.513 habitantes – tinha um quase imperceptível predomínio feminino (2.267 a 2.246). A maior da capital federal era a do Jacarezinho, com 18.424 pessoas – o quádruplo de habitantes.

Diferente do que ocorre hoje,  a maioria dos moradores não sabia ler ou escrever (61,91%). Da população, 28,96% eram brancos; 35,07% eram pretos e 35,88% eram pardos. Ou seja, proporcionalmente diminuiu o número de pretos e aumentou muito o de brancos, pelo registro do IBGE.

Solteiros eram 47,51%. Casados menos da metade disso: 22,92%. E surpreendentemente, 23,40% das pessoas que moravam em favelas não tinham qualquer registro civil.

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Nota | 10:00

Rio é cidade com maior número de moradores de favela no País

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Se todos os moradores de favela no Rio de Janeiro formassem uma cidade a parte, ela seria a 12ª maior do País em população. Com seus 1.393.314 habitantes, ficaria entre Belém e Goiânia, segundo dados do Censo 2010 divulgados nesta quarta-feira (21).

De cada 100 mil pessoas que vivem na capital fluminense, 22.160 estão nas favelas – ou nos aglomerados subnormais, que é a terminologia específica utilizada pelo IBGE para definir uma série de agrupamentos de habitações precárias. Na definição do IBGE “é um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas… ), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; e carentes, em sua maioria de serviços públicos e essenciais”.

Com suas 763 favelas, o Rio é a cidade com maior número de pessoas morando nos tais aglomerados subnormais em todo o Brasil. Em números absolutos não tem para ninguém – é a campeã. Proporcionalmente, contudo,  há outras à sua frente. Caso de Marituba, no Pará, onde 77,2% da população vive em favelas e similares. Entre as 27 capitais, Belém também se destaca, com quase metade da população nessa situação (54,48%). O Rio também fica atrás de Salvador (33,07%), São Luis (23%) e Recife (22,85%) sob esse ângulo.

Segundo o censo 2010, na cidade carioca existem 426.965 domicílios em favelas (19,89% de todas as residências).

74% dos moradores vivem com até um salário mínimo

E que retrato o IBGE faz desse universo? Da divulgação feita hoje só constam os primeiros dados. Uma visão mais aprofundada vai ficar para uma segunda etapa, em meados do próximo ano.

Por enquanto dá para saber, por exemplo, que de cada 10.000 trabalhadores que moram nas favelas cariocas, 7.400 ganham até um salário mínimo e 35 recebem mais do que cinco salários mínimos. Os números do Rio mostram que 93,84% dos moradores de favelas com mais de 10 anos são alfabetizados. Pardos são quase a metade da população, com 690.366 pessoas. E há praticamente o dobro de brancos (461.284) em relação aos pretos (227.148) vivendo nas comunidades.

Como ocorre nacionalmente, no Rio também há mais mulheres morando em favelas do que homens. São 713.782 e 679.532, respectivamente. E 32,03% dos habitantes são menores de idade. E 45,45% têm menos de 25 anos.

O censo 2010 dirimiu uma questão recorrente: qual a maior favela do Brasil. É a Rocinha, em São Conrado, com 69.161 moradores. Sozinha, a Rocinha tem mais habitantes do que a população que vive em favelas em outros 40 municípios do estado, além da capital. Apenas Niterói, com 79.623 pessoas nos aglomerados subnormais, tem um número maior.

No ranking nacional, Rio das Pedras, na zona oeste carioca, está em terceiro, com 54.793. Contudo, se considerarmos que ela forma um complexo com a comunidade de A.M. e Amigos de Rio das Pedras, com 8.689 moradores, esse número pularia para 63.482 habitantes, ultrapassando a Rocinha.

Outra revelação é que a média de moradores por domicílio nas favelas cariocas é de 3,3 pessoas por habitação. Não é muito distante do percentual do resto da cidade, que é de 3 pessoas por residência.

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