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domingo, 8 de julho de 2012 Nota | 07:54

A mística do Fla-Flu em 11 lances de Nelson Rodrigues

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Hoje, como definiu Lamartine Babo na letra do hino do Flamengo, é dia de “ai, Jesus”. É dia de Fla-Flu. Mas não um qualquer. É o do centenário.

Se o Flamengo nasceu de uma dissidência do Fluminense, quando nove jogadores do time das Laranjeiras deixaram o clube para fundar o futebol no clube de regatas, a rivalidade do clássico foi crescendo aos poucos. Os principais responsáveis foram dois irmãos: o jornalista Mário Filho e o dramaturgo Nelson Rodrigues.

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Rubro-negro, Mario inventou o termo Fla-Flu em 1933. Tricolor, Nelson escreveu crônicas e cunhou diversas frases e expressões que ajudaram a tornar o embate o mais famoso da história do futebol brasileiro.

Não me atrevo a fazer um prognóstico sobre o jogo do centenário. Afinal, como já disse Nelson, no Fla-Flu acontecem coisas que escapariam a vidência até de um Maomé, até de um Moisés de Cecil B. de Mille.

Leia, abaixo, onze exemplos de frases de Nelson sobre o jogo:

“O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram.”

“Um dia, houve uma dissidência no Fluminense. Eu gostaria de saber que gesto, ou palavra, ou ódio deflagrou a crise. Imagino bate-bocas homicidas. E não sei quantos Tricolores saíram para fundar o Flamengo. Hoje, nos grandes jogos, o Estádio Mário Filho é inundado pela multidão rubro negra. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Eis o que eu pergunto: – Os gatos pingados que se reuniram, numa salinha imaginavam as potencialidades que estavam liberando?.”

“Vejam como, histórica e psicologicamente, esse primeiro resultado seria decisivo. Se o Flamengo tivesse ganho, a rivalidade morreria, ali, de estalo. Mas a vitória tricolor gravou-se na carne e na alma flamengas. E sempre que os dois se encontram é como se o fizessem pela primeira vez.”

“Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo. E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os irmãos Karamazov do futebol brasileiro.”

“Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia.”

“Desta coluna, eu já fiz um apelo aos tricolores, vivos ou mortos. Ninguém pode faltar ao Maracanã domingo. Incluí os fantasmas na convocação, e explico: a morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos. Em certos clássicos, cada adversário arrisca o passado, o presente e o futuro. Precisamos pensar nos títulos já possuídos. Ai do clube que não cultiva santas nostalgias. Com os torcedores de hoje e os fantasmas de velhíssimos triunfos: ganharemos o mais dramático Fla-Flu de todos os tempos.”

“O tricolor é o melhor, foi o melhor, teve mais time. Mas há, claro, uma campeão oficial, que é o Flamengo. E, aqui, abro um capítulo para falar da alegria rubro-negra, santa alegria que anda solta pela cidade. Nada é mais bonito do que a euforia da massa flamenga. À saída do estádio, eu vi um crioulão arrancar a camisa diante do meu carro. Seminu como um São Sebastião, ele dava arrancos medonhos. Do seu lábio, pendia a baba elástica e bovina do campeão.”

“Amigos, a humildade acaba aqui. Desde ontem o Fluminense é o campeão da cidade. No maior Fla-Flu de todos os tempos, o tricolor conquistou a sua mais bela vitória. E foi também o grande dia do Estádio Mário Filho. A massa “pó-de-arroz” teve o sentimento do triunfo. Aconteceu, então, o seguinte: — vivos e mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas e os mortos de suas tumbas. E, diante da platéia colossal, Fluminense e Flamengo fizeram uma dessas partidas imortais.”

“Eu queria dizer que o Fla-Flu apaixona até os neutros.”

“Cada jogo entre o Fluminense e o Flamengo parece ser o maior do século e será assim eternamente.”

“O Fla-Flu, já me dizia o meu irmão Mário Filho, o Fla-Flu é um jogo para sempre, não é um jogo para um século, um século é muito pouco para a sede e a fome do Fla-Flu.”

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