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quinta-feira, 5 de julho de 2012 Nota | 17:32

Sexo, religião, pitangas e outras curiosidades nos 120 anos de Copacabana

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Copacabana faz 120 anos nesta sexta-feira. O batismo de sua urbanização é a abertura do Túnel Velho (oficialmente Alaor Prata), em 6 de julho de 1892, quando foi possível ir de Botafogo para Copacabana sem ter que subir os morros que isolavam a região. O túnel foi aberto pela Companhia Jardim Botânico, de bondes, não sem muita discussão entre seus acionistas, contrários a que “se gastasse tanto para levar os trilhos da companhia a um areal onde só havia araçás e pitangas”.

Para convencer os cariocas a percorrerem o trajeto, entre muitos estratagemas, a empresa apelava até para quadrinhas impressas nos versos dos bilhetes de bonde.

“Pedem vossos pulmões ar salitrado
Correi, antes que a tísica os algeme,
Deixai do Rio o centro infeccionado,
Tomai um bonde que vá dar ao Leme…

Graciosas senhoritas, moços chics,
Fugi das ruas, da poeira insana:
Não há lugares para pic-nics
Como em Copacabana…”

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Mais de um século depois, não se vê araçás ou pitangas no bairro. Nem pic-nics. E seria tachado de louco qualquer um que dissesse que foge da poeira insana da cidade e busca o ar salitrado em Copacabana.

Leia abaixo algumas curiosidades sobre o bairro mais famoso do Brasil.

– Quando portugueses e franceses aqui chegaram, no século 16, a praia e suas vizinhanças eram ocupadas por tabas dos tamoios.

– O nome original de Copacabana era Sacopenapan, corruptela de “çoco pê nupã”, termo indígena que significava “caminho batido dos socós”, um tipo de ave pernalta abundante na região.

– Há referências (controversas, diga-se) à pesca de baleias no litoral de Copacabana. Dessa atividade viria o nome arpoador, ao morro que faz divisa com Ipanema.

– No século 17, foi proibida aos pescadores que erguessem residência na praia. Era medo que navios estrangeiros que tentassem invadir a cidade usassem as moradias como base.

– A origem do nome do bairro vem da imagem de Nossa Senhora de Copacabana, santa venerada em Copacabana, às margens do lago Titicaca, na Bolívia. A imagem no Brasil teria sido trazida por mercadores de prata que viajavam entre o Rio, a Bolívia e o Peru. No século 18, a imagem foi adornar uma pequena capela que ficava onde hoje está o forte de Copacabana. A capela foi destruída em 1918.

– Durante o Primeiro Império, ainda quase despovoada Copacabana era pródiga, além de pitangueiras à beira-mar, em espinheiros, cardos e ananases.

– Até meados do século 19, para ir de Botafogo até Copacabana era preciso subir e descer os morros que isolavam a área, em trilhas como Caminho dos Pretos Quebra-Bolos. E só a cavalo.

– A principal rua do bairro, a Nossa Senhora de Copacabana começou a ser aberta em 1892. A Avenida Atlântica é posterior. Sua urbanização foi iniciada em 1905, ainda muito precária, só sendo melhorada em 1919. Uma ressaca destruiu as obras e elas tiveram que ser refeitas no ano seguinte.

– O bairro Peixoto, reduto de casas e edifícios pequenos em meio à selva de arranha-céus de Copacabana, tem origem na chácara de Paulo Felisberto da Fonseca, o Comendador Peixoto. Nos banhados da área ainda se caçavam patos no início do século passado.

– Mais famoso hotel do País, o Copacabana Palace foi fundado em 1923, tendo como inspiração os hotéis da Riviera Francesa Negresco (Nice) e Carlton (Cannes). Nenhum hotel no Brasil abrigou tantas celebridades. De Santos Dumont a Stravinsky, da Princesa Diana aos Rolling Stones, de Bill Clinton a Madonna, de Rita Hayworth a Walt Disney, de Orson Welles a Gene Kelly, de John Wayne a Will Smith, de Nelson Mandela ao U2.

– Muitos políticos importantes moraram em Copacabana, como os ex-presidentes Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek, João Goulart, os ex-governadores Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto. E o bairro foi testemunha de vários acontecimentos políticos marcantes. Para ficar em dois: a Revolta dos 18 do Forte, marco originário do movimento tenentista que acabaria com a República Velha, em 1922; e o atentado a Carlos Lacerda, na Rua Tonelero, em 1954, que culminaria no suicídio de Getúlio Vargas.

– Além de servir de inspiração para músicas, filmes, livros e peças teatrais, Copacabana também sempre abrigou muitos artistas. O poeta Carlos Drummond de Andrade e o cantor Dorival Caymmi ganharam até estátuas em homenagem. E embora associada a Ipanema, boa parte da Bossa Nova está ligada a Copacabana. Seja pelas boates no Beco das Garrafas, onde o estilo evoluiu, ou pelas reuniões no célebre apartamento de Nara Leão, onde se reuniam alguns dos expoentes do gênero embrionário. E João Gilberto morava em um apartamento atrás da Praça Cardeal Arcoverde quando fez seus dois primeiros e mitológicos LPs. Era lá que ele ensaiava “Chega de Saudade”.

– Na década de 20, o bairro contava com cerca de 20 mil habitantes. Atualmente, de acordo com o Censo 2010, tem 146.392 moradores. E tem uma alta proporção de idosos. São 43.411 pessoas com mais de 65 anos.

– Ao contrário da cidade, do Estado e do País, em Copacabana os homens são maioria: 83.986 para 62.406 mulheres.

– São 92 mil edificações, entre casas, apartamentos, escritórios e lojas.

– Muito por abrigar grande número de hotéis e pousadas, Copacabana era, em meados da década passada, foco de crimes contra visitantes da cidade. Metade dos furtos e roubos cometidos contra turistas em todo o Estado ocorria em Copacabana. Nos últimos cinco anos o número de roubos caiu em 2/3.

– Copacabana é rica em histórias associadas a sexo. À noite, a orla ainda fica coalhada de mulheres e travestis se oferecendo aos motoristas. Durante os anos 90 e o início do novo século, boa parte das moças do métier se encontrava com os clientes na discoteca Help, que foi demolida para dar lugar ao novo Museu da Imagem e do Som, que está sendo construído. Mas a associação de Copacabana com o sexo é antiga. Durante as décadas de 10 a 30 funcionou no posto 6, quase na divisa com Ipanema, o estabelecimento Mère Louise, um rendez vous, como se chamava antigamente, famoso por suas noitadas. Hoje, no local, ergue-se o Sofitel.

– Mère Louise é a precursora. Mas os exemplos de um bairro associado ao tema são muitos. Da discoteca Help, às boates de strip tease da Prado Júnior, da Galeria Alaska com o show de travestis que ficou famoso nos anos 80 (transformado mais tarde em reduto evangélico), às aventuras de Kátia Flávia contadas pelo poeta Fausto Fawcett.

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