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sexta-feira, 21 de setembro de 2012 Entrevista | 15:12

Transporte e acomodação são as principais preocupações de infraestrutura para os Jogos de 2016

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O ciclo olímpico do Rio já se iniciou e ainda há muito por fazer nos próximos quatro anos. Presidente da Empresa Olímpica Municipal, a economista Maria Silvia Bastos Marques é responsável por coordenar os projetos e as iniciativas da Prefeitura carioca relativas à Copa do Mundo de 2014, às Olimpíadas e às Paralimpíadas de 2016. Também é o contato muncipal de integração com os outros agentes responsáveis por esses eventos (como os governos estadual e federal, a Fifa e o COI). É função dela assegurar, no âmbito da administração municipal, que os objetivos sejam cumpridos dentro do orçamento e prazo estabelecidos (nem todos estão ainda definidos, aliás). E que ainda haja um legado para a sociedade. Ela esteve em Londres e acompanhou de perto a organização dos jogos na capital inglesa. Ela elogia os esforços londrinos, principalmente o cuidado com a informação ao público. E ela avalia que os principais obstáculos a serem superados pelo Rio até lá são melhorar o sistema de transportes e aumentar a capacidade hoteleira.

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Agora que o ciclo olímpico do Rio começou, qual é o principal obstáculo a ser vencido pela cidade nos próximos quatro anos para a realização dos jogos?
Maria Silvia Bastos Marques –
Preparar a cidade para receber os maiores eventos esportivos do planeta inclui desafios em diversas áreas. A área de transporte é realmente um grande desafio, mas a Prefeitura avançou bastante. As obras mais complexas – BRTs Transoeste e Transcarioca, com 56 km e 41km, respectivamente – estão em andamento. O trecho Alvorada-Santa Cruz do BRT Transoeste entrou em funcionamento no dia 6 de junho. E embora o BRT Transcarioca ainda esteja em construção, com conclusão prevista para 2013, já foram inaugurados o Mergulhão Clara Nunes, em Campinho, o Mergulhão Billy Blanco, na Barra da Tijuca, e a duplicação do Viaduto Negrão de Lima, em Madureira.

Outro grande desafio é expandir a rede hoteleira da cidade. Para aumentar a oferta de quartos de hotéis no Rio de Janeiro, a Prefeitura lançou, em novembro de 2010, um conjunto de incentivos. A resposta do setor imobiliário foi extremamente positiva.

Como gestora pública, do ponto de vista administrativo e operacional, o que lhe chamou mais atenção nas Olimpíadas de Londres?
Maria Silvia Bastos Marques –
Nossos técnicos tiveram a oportunidade de conhecer as instalações esportivas de duas maneiras: vivenciando a experiência do espectador e em visitas guiadas, com explicações específicas da equipe do Comitê Organizador Local. Com isso, reuniram informações importantes para o desenvolvimento de projetos como o do Parque Olímpico, por exemplo.

Foram estudados e documentados detalhes como os diversos centros de operações e sua integração, a decoração da cidade e das instalações olímpicas, conectividade, funcionamento dos Live Sites (área para que o público acompanhe as competições), acessibilidade, ação dos voluntários e as próprias instalações esportivas (estrutura, materiais, capacidade, instalações temporárias, linha de visibilidade etc). No total, foram tiradas mais de mil fotos.

No caso dos transportes, por exemplo, os técnicos da Prefeitura observaram o gerenciamento de transporte e fluxo de multidões. Londres, cidade que tem um dos serviços de transporte mais completos do mundo, fez uma bem sucedida campanha para evitar transtornos nos transportes de massa. Incentivaram os residentes a trabalhar em horários alternativos ou em casa, e a tirar férias durante o período dos Jogos. Aconselharam o público dos Jogos a utilizar estações alternativas às das instalações, entre outras iniciativas. Embora tenha afetado a vida da cidade – o que é esperado em um evento destas proporções – funcionou muito bem, pois havia uma oferta de transporte que atendeu à demanda da cidade. No caso do Rio, o objetivo é fazer com que a integração do sistema de BRT (Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil) com metrô e trem também atenda à demanda do público dos Jogos e dos cariocas.

A sinalização foi outro ponto alto dos Jogos Olímpicos de 2012. Todas as estações de trem e metrô contavam com informações que incluíam o trajeto para as instalações olímpicas, orientando e dando referências aos espectadores sobre o percurso a ser seguido. Galhardetes nos postes informavam os espectadores sobre o tempo que levariam até as instalações. Dentro do Parque Olímpico também havia placas com o tempo entre uma instalação e outra, o que facilitava a programação e o fluxo dos espectadores.

Apesar dos imprevistos naturais que acontecem em um evento da dimensão dos Jogos Olímpicos, com o envolvimento de centenas de milhares de pessoas, os organizadores de Londres 2012 tiveram a flexibilidade e a agilidade necessárias para ajustar e corrigir os imprevistos, assegurando o sucesso dos Jogos.

Algo ficou deixando a desejar lá que poderia ser evitado aqui, além da baixa ocupação de assentos no início dos jogos?
Maria Silvia Bastos Marques – Londres é uma cidade muito mais pronta que o Rio de Janeiro em termos de infraestrutura. As necessidades e os desafios são diferentes. Mas ter a oportunidade de conhecer a operação do Parque Olímpico foi fundamental. O controle de fluxo dos espectadores da instalação, por exemplo, exige que o planejamento seja feito ainda nas fases iniciais do projeto. Mas pelo que pudemos ver em Londres, estamos no caminho certo.

A capacidade hoteleira do Rio é baixa para a necessidade de grandes eventos e os preços são altos pelo que é oferecido. Como evitar a repetição do que ocorreu na Rio+20, quando os preços foram nas alturas?
Maria Silvia Bastos Marques – Para aumentar a oferta de quartos de hotéis no Rio de Janeiro, a Prefeitura lançou, em novembro de 2010, um conjunto de incentivos para a rede hoteleira. Estes incentivos incluem a remissão de dívidas de IPTU e isenção de IPTU durante as obras para imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 2012 e imóveis com “habite-se” até 31 de dezembro de 2015; isenção de ITBI para operações de compra e venda de imóveis destinados à atividade hoteleira até 31 de dezembro de 2012; e redução de ISS (alíquota a 0,5%) para serviços para a construção ou reconversão em empreendimentos hoteleiros até 31 de dezembro de 2015. A resposta do setor imobiliário está sendo extremamente positiva. Segundo dados de setembro de 2012, estão em construção ou já foram licenciados 8.865 quartos de hotéis na cidade, e outros 8.689 quartos estão em análise ou consulta na Secretaria Municipal de Urbanismo.

Em comparação com Londres, quais serão as principais diferenças dos jogos olímpicos realizados no Rio?
Maria Silvia Bastos Marques – As melhorias urbanas na região do Parque Olímpico de Londres foram desenvolvidas pensando no legado, e não apenas nos Jogos Olímpicos. O resultado é a expectativa de um efeito positivo em toda a região de Stratford e arredores, com investimentos em empreendimentos residenciais, comerciais e de lazer. O projeto olímpico do Rio segue a mesma lógica de priorizar o legado. A principal diferença é que nossas áreas olímpicas estão espalhadas por quatro regiões da cidade – Barra, Deodoro, Copacabana/Flamengo e Maracanã. O objetivo é beneficiar diretamente uma parcela significativa da população, que deve chegar a dois milhões de pessoas. Se conseguirmos deixar um legado em todas as áreas, assim como Londres fez em Stratford, teremos acertado muito.

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