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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Nota | 15:47

Rio dividirá futebol nas Olimpíadas com outras quatro capitais

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Ao contrário do que ocorreu em outras edições, o Rio de Janeiro sediará todas as modalidades das Olimpíadas em 2016. Em Moscou (1980), por exemplo, as provas de iatismo foram feitas em Talin – a capital da Estônia, então uma das três repúblicas bálticas e hoje um país independente.

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Em 2016, porém, nem todos os eventos olímpicos serão realizados no Rio. Um deles terá parte das competições fora da cidade. E é justamente o futebol.

A Empresa Olímpica Municipal – que coordena pela Prefeitura os trabalhos relacionados ao evento – informa que as partidas iniciais serão divididas entre quatro cidades além do Rio. Serão elas Brasília, Salvador, São Paulo e Belo Horizonte.

Mas a final, claro, será no Rio.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 Nota | 16:01

Livro traça roteiro histórico, geográfico e afetivo da bossa nova

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Diz a lenda que é mais fácil ouvir bossa nova em Tóquio do que no Rio de Janeiro, onde o gênero nasceu nos anos 50. Pois seu biógrafo principal, o jornalista Ruy Castro, resolveu mostrar que é um exagero achar que a cidade virou as costas para a música feita por Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto e tantos outros em “Rio Bossa Nova – Um Roteiro Lítero-Musical” (Editora Casa da Palavra).

Capa do livro "Rio Bossa Nova", de Ruy Castro (divulgação)

Capa do livro "Rio Bossa Nova", de Ruy Castro (divulgação)

Em edição bilíngue português-inglês, “Rio Bossa Nova” cobre dois aspectos. Um é histórico, recapitulando em uma arqueologia afetiva os lugares marcantes do gênero; o outro é apresentar os locais onde ainda hoje é possível ouvir algo banquinho e violão.

Apesar do esforço louvável, esta relação deixa a desejar. A listagem inclui vários pontos em que o gênero é (ou foi) visitante bissexto – embora, em geral, isso seja dito de uma forma ou outra no livro. E quase todo lugar onde isso ainda ocorre não tem estatura suficiente para virar ponto de peregrinação de aficionados.

Em vez de comprar o livro, para quem estiver interessado em saber onde escutar bossa nova é bem mais eficiente checar a programação atualizada de shows em jornais e revistas, como o próprio autor recomenda.

Gênese da bossa nova

O primeiro aspecto, de roteiro histórico, é alcançado com brilho. De forma didática e seguindo uma orientação geográfica, separando por bairros, Ruy conta a lenda dos lugares relacionados à bossa nova. Para facilitar a vida de quem não conhece muito o Rio o livro poderia contar com pequenos mapas.

Algumas histórias são mais conhecidas, como a da Casa Villarino (av. Calógeras, 6 loja b), no Centro, onde em maio de 1956 Tom Jobim e Vinícius foram apresentados e começaram a frutuosa parceria. Das mesas da antiga uisqueria – atualmente um restaurante – partiram para as primeira músicas de “Orfeu da Conceição”.

Ou o antigo endereço da Odeon, onde foram gravados entre outros o seminal LP “Canção do Amor Demais”, de Elizeth Cardoso, com João Gilberto em duas faixas apresentando ao mundo a batida bossa nova em seu violão.

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Há lugares menos conhecidos, como o extinto Grupo Universitário Hebraico, no Flamengo. Foi lá que o termo bossa nova foi usado pela primeira vez para definir o gênero musical nascente.

As casas de Vinícius e Tom merecem um verbete separado. São várias. E Ruy indica as principais, sempre associadas a acontecimentos ou às obras produzidas no período.

O célebre apartamento de Nara, na avenida Atlântica, onde os jovens músicos se reuniam, também consta do livro, com algumas histórias. “Ao contrário do que até hoje se repete, não foi nele que se ‘inventou a bossa nova’, e nem a bossa nova foi inventada num endereço único”, explica Ruy. “Quando a bossa nova se estabeleceu no mercado, o apartamento tornou-se uma espécie de QG da nova música, embora os mais velhos, como Jobim, Newton Mendonça e João Gilberto, não costumassem frequentá-lo”.

Cemitério e luzes piscando ao entardecer

Até o Cemitério São João Batista, em Botafogo, virou verbete. E com razão. “Eu sei, cemitérios costumam ser frios, meio mórbidos e não representam exatamente o espíritos da bossa nova, mais chegada ao sol. Mas o Père Lachaise, em Paris, também não é o Folies Bergères e, todo verão, transborda de visitantes ao túmulo do roqueiro Jim Morrison à espera de que ele ressuscite e faça seu primeiro milagre”, justifica Ruy.

Pois a comparação com o Père Lachaise também não é descabida, já que o São João Batista tem a maior concentração de famosos entre suas lápides. Da bossa foram enterrados lá Tom, Vinícius, Newton Mendonça, Sylvinha Telles, Nara Leão, Maysa, Dolores Duran, Antonio Maria, Ronaldo Bôscoli, para citar alguns.

Mas o guia apresenta endereços importantes e pouco conhecidos. Como o Instituto Cravo Albin (av. São Sebastião, 2 conj. 302), na Urca, mansão que virou um centro cultural após ser doada à cidade pelo pesquisador e produtor Ricardo Cravo Albin, um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som. O acervo conta com pertences importantes de músicos (entre os quais chapéus de Tom Jobim, de Pixinguinha e de Moreira da Silva, violões de Cartola e Luiz Bonfá) e 30 mil discos de MPB.

E tem o Arpoador, outro verbete. Ruy lembra que a praia era frequentada pelos jovens artistas no primórdio da bossa nova. Suas pedras serviram de cenário para João Gilberto na foto da capa de seu primeiro disco.

O Arpoador também foi cenário um show emblemático. Há exatos 20 anos, Tom fez uma apresentação gratuita, ao ar livre, no fim de tarde. As pessoas assistiam deitadas na areia ou mesmo dentro do mar calmo no espírito “o barquinho vai, a tardinha cai”. Quando o sol começou a se pôr, Tom passou a tocar “Samba do Avião”. No alto, um avião da Ponte Aérea, indo para São Paulo, se aproximou e, voando mais baixo do que de costume, começou a piscar suas luzes, para delírio do público, criando um daqueles momentos míticos da relação da bossa nova com a cidade. A história não consta do livro. Com razão. É impossível reproduzir aquele instante em texto.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Nota | 15:29

Rio: salário aumenta mais do que número de empregos com carteira assinada

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Realizada nas seis maiores regiões metropolitanas do País (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), a Pesquisa Mensal de Empregos fechou 2011 com números dúbios sobre o Rio.

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Afinal, números de uma estatística dependem muito da leitura que é feita. Na comparação com 2003, o Rio teve a menor queda percentual de desocupação. Passou de 9,2% para 5,2% – quatro pontos percentuais. Tinha a menor entre as seis regiões em 2003. Agora, Porto Alegre (de 9,5% para 4,5%) e Belo Horizonte (de 10,8% para 4,9%) estão em melhor situação. E, proporcionalmente, São Paulo teve a maior redução: 7,9 pontos (de 14,1% para 6,2%).

Ultrapassado por Recife e Salvador, o Rio também tem o menor percentual de empregados com carteira de trabalho: 43,9% – embora este número tenha aumentado 6,9 pontos nos 8 anos de comparação da pesquisa.

A grande melhora do Rio na pesquisa foi no aumentos de rendimento médio recebido pela população ocupada, o maior entre as seis regiões metropolitanas. São Paulo continua na frente, mas o Rio agora está colado, com apenas R$ 10,87% de diferença. Passou de R$ 1.284,93 para R$1.719,35 (um aumento de R$434,42). São Paulo foi de R$ 1.519,92 para R$ 1.730,22 (R$210,30 a mais).

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Entrevista, Reportagem | 10:01

Os últimos cem anos de artes plásticas no Brasil em 186 obras

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Das paredes de agências bancárias espalhadas pelo País, de saguões, escritórios e salões do Itaú, 186 obras de 137 artistas – representativas dos últimos 100 anos de artes plásticas no Brasil – foram reunidas no Paço Imperial, no centro do Rio.

"O Impossível", escultura em bronze de Maria Martins está exposta no pátio do Paço

Um dos locais com mais história no País, o Paço Imperial recebe a mostra “1911-2011 Arte Brasileira e depois, na Coleção Itaú”, um recorte impressionante, amplo e abrangente, de um dos mais importantes acervos de obras nacionais.  É quase um quem é quem das artes plásticas no Brasil. Vai de Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Portinari e Di Cavalcanti até Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Ernesto Neto e Tunga, passando por Iberê Camargo, Cícero Dias, Maria Martins, Volpi e Samson Flexor.

E o local escolhido para exibir um acervo tão precioso está à altura. Foi no Paço, a primeira sede administrativa no País, que D. Pedro I teve o seu dia do Fico, em que avisou que preferia continuar aqui a se mandar para Portugal. Foi no Paço que a Lei Áurea de abolição da escravatura foi assinada. Lá também funcionou a Casa da Moeda. Era lá que D. João VI despachava quando chegou ao Brasil fugindo de Napoleão. E o prédio ainda serviu de local de trabalho e residência eventual para os dois imperadores brasileiros, que lá tiveram suas aclamações populares após as coroações. Em uma de suas salas ocorriam as cerimônias de beija-mão.

Escultura de aço cromado sem título de Lygia Pape em primeiro plano, com telas de Cícero Dias e Samson Flexor ao fundo

Escultura de aço cromado sem título de Lygia Pape em primeiro plano, com telas de Cícero Dias e Samson Flexor ao fundo

Após ficar fechado no ano passado para uma reforma estrutural – que permitiu o acesso do público a áreas que estavam restritas –, o Paço reabre com a mostra do Itaú. Uma das coleções mais representativas do País, ela começou a ser formada há 60 anos e conta com 3.600 peças de todos os principais movimentos da arte nacional.

Remoção impossível

O recorte da exposição é um panorama que cobre a evolução da produção artística brasileira durante os últimos cem anos. O marco inicial é um óleo sobre cartão “A Pequena Aldeã”, de Lasar Segall, de 1911, que abre a mostra. Vai até manifestações mais recentes, como instalações e arte digital. Há inclusive aquisições de obras produzidas em 2011. A mais recente é “Vermelho Grace Jones”, de Rodolpho Parigi.

O curador responsável pela mostra, Teixeira Coelho, crítico de arte e curador-diretor do Masp, diz que a exposição apresenta as obras mais marcantes da coleção Itaú, com poucas exceções. Do que ficou de fora, algumas não entraram por questões físicas (em uma das sedes do banco ficou um amplo painel do Portinari, de remoção impossível); outras pelo risco no transporte (uns pequenos pães de argila de Carlos Fajardo); ou por não se encaixarem na narrativa da mostra proposta por Teixeira Coelho.

Não há um percurso cronológico rígido, embora ele esteja presente. “A narrativa que eu proponho tem menos a ver com os canais e trilhos habituais da história da arte e mais com uma forma como os próprios artistas veem a arte”, afirma.

Divisão em seis grupos

São seis seções com algumas subdivisões: A Marca Humana; Irrealismos; Modos de Abstração; A Contestação Pop, Na Linha da Ideia; e Outros Modos, Outras Mídias.

“A Pequena Aldeã” abre o primeiro módulo, que apresenta obras com figuras humanas como tema. É onde estão os “Seringueiros”, de Portinari, e o autorretrato de Pancetti.

As tendências e movimentos estão lá. Mas nem sempre com o nome mais óbvio. Essas pequenas subversões ocorreram onde, segundo Teixeira Coelho, a pressão do rótulo não fosse muito forte. É o caso da produção surrealista, cuja seção ganhou outro nome: “juízo jocoso”. “É uma forma de se apresentar ao mundo e ver a arte através do riso”, justifica.

“O Brasil nunca teve uma produção surrealista muito forte. Mas a arte pop feita aqui foi muito diferenciada, com uma vertente mais política do que a dos EUA, onde nasceu”, afirma ele.

A obra "Palíndromo Incesto (Três Dedais)", de Tunga, vem com um aviso de que elementos em sua composição podem "causar prejuízo aos portadores de marcapassos e válvulas cardíacas não biológicas e para aqueles cuja saúde pode ser afetada por emissões eletromagnéticas. Recomendamos que pessoas nestas condições mantenham distância mínima de 1 m da obra"

Inspirada em objetos da cultura de massa, como quadrinhos e embalagens de produtos, a arte pop tem uma seção sua, com obras de Rubens Gerchman e Paulo Brusky, no grupo Contestação Pop.

Outras vertentes e movimentos influentes estão presentes. Caso da arte concreta. “Foi uma tendência internacional e foi muito forte no Brasil, com várias décadas de atraso”, avalia Teixeira Coelho. Seus representantes estão em Modos de Abstração.

Diversidade artística

Busto do escritor Mário de Andrade feito pelo escultor Bruno Giorgi. Ao fundo, maquetes de Portinari para o mural "Ciclo Econômico"

Não há um fio condutor na mostra. “Ainda bem. São vários vetores que orientam. A coleção é um retrato da diversidade da produção artística brasileira no último século”.

Para Teixeira Coelho, aliás, o grande traço da arte atual no Brasil é a diversidade. “Hoje não há uma proposta única. Mas não havia isso há 60 anos, nas primeira bienais em São Paulo”.

A preocupação com uma linguagem ou temática nacional também foi deixada de lado, embora fosse presente nas obras de artistas mais antigos. Caso de Tarsila do Amaral e do gaúcho Vasco Prado, com seu interesse regionalista.

Como é difícil que apenas uma coleção cubra de forma igualmente significativa um período tão extenso,  há algumas lacunas pontuais. “O que está na coleção não é o mais representativo do Hélio Oiticica e da Lygia Pape”, reconhece o curador.  Dos mais novos e com apelo para um público mais amplo a ausência que mais chama atenção é a de Vik Muniz. Mas das novas safras e com reconhecimento internacional estão Adriana Varejão, Beatriz Milhazes e Cildo Meireles, por exemplo.

A exposição pode ser vista de terça a domingo, das 12h às 18h, e se encerra em 12 de fevereiro.

"Menino Pescando", acrílico sobre tela de Beatriz Milhazes

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 Reportagem | 09:30

Impressões de um penetra no Fashion Rio

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“Abram caminho e saiam da frente! Estou com celebridades!”. A ordem parte de uma jovem produtora de preto, cabelos curtos pretos e grandes óculos redondos pretos saindo do rosto. Escoltando duas moças vestidas de branco – altas, jovens e bonitas -, ela fura a fila de entrada para um desfile da edição de inverno do Fashion Rio 2012, no Pier Mauá, no centro da cidade.

“Quem são essas aí?”,  ouve-se alguém perguntar na fila das “não celebridades”. Ninguém sabe. Até que alguém arrisca. “Acho que uma é a nova miss Brasil, não é não?”. Era. Priscila Machado, a namorada do nadador Cesar Cielo.

Cena de um desfile do Fahion Rio 2012

Plateia de um desfile do Fashion Rio 2012

Do lado de dentro, em uma das salas de desfile – 24 grifes, ao todo -, os fotógrafos se acotovelam em frente à primeira fileira, onde fica o topo de cadeia alimentar do mundo da moda: as principais editoras e consultoras, e as celebridades convidadas para servirem de isca para a imprensa que cobre o assunto (e com isso as marcas ganham mídia gratuita). No momento, o motivo de tanto empurra-empurra é uma ex-BBB e algumas atrizes iniciantes.

A chegada de um pequeno grupo causa burburinho. Dessa vez não são os fotógrafos que correm, mas as jornalistas de moda que se levantam para beijar a mão de uma senhora. “Quem é?”, pergunto. “É a nossa condessa”, me explicam de forma condescendente.  Trata-se de Georgina Brandolini d’Adda, acompanhada da filha, Bianca (uma “it girl”, ou lançadora de tendências), e uma entourage. Nascida no Brasil, casada com um conde italiano, Georgina é figura do jet set internacional. Mas há quem se lembre dela pela ação de despejo movida contra o músico João Gilberto.

Clichês de carioquice

Em outro desfile, a espera do começo, o burburinho na audiência quase encobre o som ambiente, uma sucessão de clássicos do rock anos 90, como “Creep” e “Wonderwall”, transformados em uma versão edulcorada de música de elevador.

Com 40 minutos de atraso, as luzes se apagam. Os seguranças tiram o pano que protege a passarela. É hora do show. Vinte e sete modelos desfilam embaladas por Lana Del Rey (“a”cantora moderninha da vez) e Brigitte Bardot remixada. Um observador mais condescendente veria bailarinas de Degas evoluindo na passarela. Um menos condescendente prefere a imagem de galgos sem coleira trotando no catwalk.

Em silêncio, a plateia, enfeitada de jovens atrizes como Tainá Muller e Maria Ribeiro, reage como se assistisse a um jogo de tênis em câmera-lenta. Todos os rostos se viram devagar para um lado seguindo o caminhar de uma modelo até o fim da passarela; e então os pescoços se viram para o outro para acompanhar a próxima. A partida dura sete minutos cronometrados. E – será que ninguém pensou nisso antes em um evento no Rio? – termina ao som de uma regravação de “Girl from Ipanema”. No quesito originalidade combina com a sandália tipo Havaianas, o brinde oferecido por uma grife ao pessoal da primeira fileira.

‘Ai, que horror!’

Um terceiro desfile aposta em um inverno chuvoso. Inspirado no vestuário sessentista de aeromoças, a marca apresenta uma coleção de roupas que parecem emborrachadas. “É vaqueta”, me explicam. “Tem verniz e vinil também”, como se eu soubesse a diferença.

Do lado de fora, no longo caminho que margeia os galpões onde ocorrem os desfiles, o público também é personagem. Meninas produzidas fazem caras e bocas para fotógrafos. Telões mostram os desfiles – ao vivo ou em repetições. O colunista Bruno Astuto passa por um que mostra uma modelo seminua evoluindo na passarela. “Ai, que horror!”, berra como se tivesse tomado um susto.

Um punhado de rostos levemente conhecidos interpreta jornalistas. “Carlinhos de Jesus agora entende de moda…”, desdenha uma editora de moda ao ver o dançarino falando para uma câmera.

O boato do dia

Entre os jornalistas e especialistas no mercado de moda, a agitação fica menos pelos desfiles e mais pelo boato do dia: a venda da Osklen, uma marca que se esforça em reproduzir o espírito de Ipanema em camisetas. O boato, na verdade, é antigo, mas ganha força nos bastidores do desfile. As pessoas se aproximam para dizer que ela já foi vendida para a Alpargatas. Um diz que foram só 60%.

“A gente vai ser o primeiro a dar”, comemora uma repórter. Outra se irrita e diz que o furo é dela. O colunista Bruno Chateaubriand ironiza. “Se você perguntar aqui, todo mundo sabe disso”, diz ele com gestos largos para enfatizar o “todo mundo”.

O dono da grife, Oskar Metsavath, ironiza. “Não tem nada fechado. Estou em negociação com algumas empresas. Mas pode publicar isso. Publica que eu aproveito e vendo pelo dobro”. Cinco minutos depois, o diretor de marketing da marca aparece para desmentir a venda.

É que, além de desfiles mais ou menos inspirados e de celebridades de todos os quilates, a moda é uma atividade econômica importante. Toda a cadeia produtiva representou 3,7% do PIB brasileiro em 2010 (2,6% do estadual). As duas feiras de negócio realizadas ao mesmo tempo em que o Fashion Rio (o Fashion Business e o Rio-à-Porter) esperam superar o R$ 1,3 bilhão.

Para ficar de pé, só o Fashion Rio e o Rio-à-Porter contaram com 8.500 pessoas. As modelos são uma parcela pequena, 150 apenas. Quantos jornalistas nacionais e estrangeiros? Foram 1.500 credenciados. Fora os penetras sem crachá, como eu.

Champanhe e pizza

Alguns editores de revistas estrangeiras circulavam pelo Pier Mauá sem demonstrar muito entusiasmo. “Você acha que eles se importam com isso aqui? Eles vem para fazer social e por causa das festas”, explica uma jornalista habituée dos desfiles.

A parte da entrada do Fashion Rio é ocupada por uma fila de lounges, de patrocinadores, ou de veículos especializados. Todos com fila na porta de bicões tentando entrar. Em um deles, jornalistas batem suas notas bebericando flutes de champanhe enquanto um DJ coloca um som.

Surpresa mesmo, na primeira vez em um semana de moda com modelos esquálidas, só uma: a pizzaria na área de alimentação. Ficou cheia.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 Entrevista, Perfil | 16:23

A história pouco conhecida do major Archer, um herói nacional

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“Em outros países ele seria herói nacional, teria selo, seria efígie de nota de dinheiro, daria nome a ruas e escolas. Aqui é ignorado”, lamenta o escritor, jornalista e diplomata Pedro Cunha E Menezes, ex-diretor do Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do País.

O major Archer, que comandou o replantio da Floresta da Tijuca

O “ele” a quem Cunha E Menezes se refere é o major Manoel Gomes Archer, que em janeiro de 1862, há exatamente 150 anos, semeou as primeiras mudas no replantio da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Contrariando as ordens recebidas de como proceder, ele comandou a primeira experiência no mundo de regeneração pela mão humana de uma mata primária. Foi o pai da silvicultura no Brasil.

Se o Rio vai receber em junho uma centena de chefes de Estado e de governo na conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, marcando os vinte anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Unced), é por causa desse feito, ocorrido há um século e meio.

Hoje, o Rio abriga a maior floresta urbana do planeta e a primeira ser refeita em um projeto pioneiro que mostrou ao mundo que o homem podia reverter o processo de desmatamento e  evitar problemas ambientais.

E, no entanto, o aniversário foi na semana passada, no dia 4, mas ninguém lembrou. Não houve festa, nem mesmo nota nos jornais. E nenhum governo achou que valesse usar algum dinheiro das centenas de milhões de reais gastos em propaganda  anualmente. No meio do ano, a Casa da Moeda lançou uma moeda comemorativa. E foi praticamente isso.

Falta de água ameaçava a capital

A principal pessoa por trás desse feito é  pouco conhecida no Rio e ignorada no resto do Brasil. Pouco se sabe sobre o major Archer. Assume-se que era da Guarda Nacional, força paramilitar criada no Império para suprir a falta de um exército profissional  – e em que a patente correspondia ao número de homens que um cidadão-eleitor conseguia arregimentar.

Ele nasceu em 21 de outubro de 1821 e era engenheiro. A historiografia oficial não registra se teve filhos, nem quando e como morreu. Ele tem apenas uma foto conhecida. Mas isso são lacunas biográficas que não diminuem sua importância, embora sirvam para reforçar a tese de que este é um país sem memória.

Archer tinha uma fazenda em Guaratiba, na zona oeste da cidade, onde mais tarde viria a funcionar a fundação Leão XIII, órgão estadual de assistência social. Ele gostava de botânica e mantinha mudas de espécies nativas lá, que foram usadas no replantio da floresta.

Plantação de café na Gávea Pequena, feita por Owen Stanley em 1847

O major Archer foi recrutado por D. Pedro II para reverter uma situação que ameaçava a capital do Império. O principal problema era a crise de abastecimento de água, decorrência do desmatamento da floresta da Tijuca. Só restava vegetação nativa nos topos dos morros e nas encostas mais íngremes.

“Os mananciais assorearam-se e, sem ter as copas das árvores para amortecer a queda dos pingos de chuva, a erosão do solo aumentou muito, carreando barro para os córregos e rios, fazendo chegar aos chafarizes da cidade uma água cada vez mais turva, cheia de impurezas e menos potável”, explica Cunha E Menezes.

Contrariando as ordens

O decreto imperial foi assinado em dezembro, mas as primeira mudas foram plantadas apenas em 4 de janeiro de 1862. E Archer contrariou as ordens recebidas. O decreto estabelecia que o reflorestamento fosse feito “em linhas paralelas retas entre si, sendo as de uma direção perpendiculares às de outra”. Archer optou por um replantio aleatório. Durante 12 anos, foram 80 mil mudas com variedades de espécies e privilegiando as da mata Atlântica.

E não foi um trabalho sem oposição. Quando começou, a Floresta da Tijuca era ocupada por uma centena de pequenas e médias chácaras, que serviam de veraneio para a elite econômica do Império ou abrigavam decadentes plantações de café.

O ciclo cafeeiro na cidade foi iniciado e impulsionado por franceses. Inicialmente, expatriados pela revolução francesa, em seguida, oriundos das fileiras bonapartistas. Pedro Cunha E Menezes explica que o padrão era “comprar, desmatar, vender a madeira como carvão vegetal e plantar café no terreno limpo”. O período de boom desse sistema ocorreu na primeira metade do século 19.

Interesses contrariados

Sem o major não teríamos a Floresta da Tijuca atual e, certamente, a história da cidade, e a vida nela, seria distinta. Mas outras pessoas tiveram papel importante no processo, como Tomás Nogueira da Gama, que ficou encarregado do replantio em uma área contígua à Floresta da Tijuca, nas Paineiras.

Do ponto de vista político, de projeto do Estado, dois personagens foram fundamentais. Além do próprio imperador, que tomou a decisão política de enfrentar o problema, o ministro dos Negócios, Luís do Couto Ferraz, futuro Visconde de Bom Retiro, foi quem conduziu a questão, de extrema complexidade.

Obra de Rugendas retrata a experiência mal sucedida de importar chineses para plantar chá nas encostas da floresta

Petrópolis ainda não era a cidade de balneário usada pela elite da corte para fugir do verão e das doenças e epidemias da estação. Desde D. Pedro I a família imperial veraneava na floresta. A capital não contava com rede de esgoto e os dejetos eram jogados no meio das ruas estreitas. Um recanto como a Floresta da Tijuca, era praticamente uma imposição sanitária.

“Todo mundo que era importante tinha casa lá e ninguém queria sair. O replantio ocorreu em uma área na qual estava 90% do PIB do Brasil na época. O D. Pedro II comprou a briga e o Visconde de Bom Retiro fez a costura política”, conta Cunha E Menezes.

Para dar o exemplo, o próprio Visconde de Bom Retiro e sua família tiveram as terras desapropriadas. O Barão de Mauá, o Barão de Itamaraty, o Conde de Bonfim e o doutor Cochrane (um dos principais empresários da corte) tinham propriedades por lá.

O Visconde de Bom Retiro foi bem sucedido em quebrar resistências ao propor que, além de ajudar a preservar os mananciais e a regular o clima, a floresta regenerada poderia ser uma área de lazer – em consonância com o que acontecia nas principais cidades do mundo. Afinal, essa era uma época dourada do paisagismo, com a remodelação do Bois de Boulogne, em Paris, e a criação do Central Park em Nova York e de novos parques na Inglaterra.

Mitos equivocados

Há alguns mitos envolvendo a história do replantio. Um deles é que Archer teria empreendido a tarefa apenas com seis escravos da Nação – sobre os quais se sabe menos ainda, apenas os nomes (Constantino, Eleutério, Leopoldo, Manuel, Maria e Mateus). Na verdade, os registros mostram que sempre houve trabalho assalariado e que os empregados sempre foram em número superior ao de escravos.

Uma corrente afirma que Archer foi boicotado e que ele perdeu apoio. Cunha E Menezes salienta que o reflorestamento coincidiu, em certo momento, com a Guerra do Paraguai (1864 a 1870). “Foi o maior dreno de recursos da história do Brasil. O Archer não interrompeu o trabalho em nenhum momento. Todo o resto do País quase parou e o dele continuou”, contemporiza.

E sobre a falta de apoio oficial, é importante notar que D. Pedro II levou Archer com ele para a Exposição Mundial na Filadélfia, em 1876, e, após sua saída do parque, o nomeou para cuidar da fazenda imperial, justamente para que fizesse o mesmo trabalho de recomposição da mata feita na Tijuca.

Parque e Floresta da Tijuca não são a mesma coisa

Criado há 50 anos, o Parque Nacional da Tijuca é herdeiro desse processo. Embora tenha uma área da Floresta da Tijuca, seus limites não coincidentes. E o próprio reconhecimento popular do que seria a Floresta da Tijuca ficou mais abrangente com o passar do tempo.

O parque divide as zonas sul e norte da cidade. Ele se divide em quatro setores (identificadas no mapa abaixo com as seguintes letras): a) Floresta da Tijuca; b) Serra da Carioca; c) Pedra Bonita/Gávea; e d) Pretos Forros/Covanca. É a menor unidade de conservação do País, com 3.953 hectares (3,5% do município), mas é o mais visitado do Brasil, com 2 milhões de pessoas – muito por causa do Cristo Redentor, que está dentro de seu território.

A chefe atual do parque, Maria de Lourdes Figueira, diz que há um estudo para ele seja ampliado, mas não há previsão de aprovação.

“Apesar de sabermos que outros personagens contemporâneos e posteriores ao major Archer também contribuíram para o reflorestamento do parque, foi ele quem capitaneou e organizou o início do projeto. E, ainda que tenha sido a regeneração natural responsável por quase 90% desse reflorestamento, a contribuição do homem tornou-se importante, não somente pelo ato de replantar em si, mas também pelo fundamento de conservação de áreas verdes. Se hoje temos uma cidade que se candidata junto a Unesco na categoria Paisagem Cultural, é porque temos um Parque Nacional exuberante, ainda que em meio à cidade”, afirma ela.

A imagem por satélite dá uma noção da importância da Floresta (em verde) para o resto da cidade do Rio. As quatro áreas do Parque Nacional estão destacadas: a) Floresta da Tijuca; b) Serra da Carioca; c) Pedras Bonita/Gávea; d) Covanca e Pretos Forros

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012 Perfil | 23:16

Morre a última sobrevivente da cela 4

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Morreu, aos 102 anos, Beatriz Bandeira, a última sobrevivente da famosa cela 4 – onde foram presas, na Casa de Detenção, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, as poucas mulheres que participaram da revolta comunista de 1935 no Brasil.

Beatriz Bandeira Ryff, aos 35 anos, com seus filhos gêmeos (1945)

Beatriz Bandeira Ryff, aos 35 anos, com seus filhos gêmeos (1945)

Foi na cela 4 que ficaram confinadas Olga Benário (esposa do líder da intentona, Luiz Carlos Prestes), a psiquiatra Nise da Silveira, a advogada Maria Werneck de Castro e as jornalistas Eneida de Moraes e Eugênia Álvaro Moreyra.

Por conta dessa passagem, Beatriz virou personagem de livros como “Memórias do Cárcere”, o relato biográfico de Graciliano Ramos, que também esteve preso por causa da revolta.

Pouco antes, como militante comunista e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), Beatriz conheceu seu marido, Raul, que viria a ser jornalista e secretário de Imprensa do governo João Goulart (1961-1964). Com ele se casou três vezes.

Os dois foram exilados duas vezes. Em 1936, depois da libertação, foram expulsos para o Uruguai. Em 1964, após o golpe militar, receberam abrigo na Iugoslávia e, posteriormente, na França.

Ao regressar ao Brasil, Beatriz continuou a militância política nos anos 70 e 80. Foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas, que lutou pelo fim da ditadura no País.

Beatriz nasceu em uma família positivista. Seu pai, o coronel do exército Alípio Bandeira, foi abolicionista. Como militar, trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e ajudou o Marechal Cândido Rondon na instalação de linhas telegráficas no interior do País e no contato com tribos isoladas – Alípio liderou o encontro com os Waimiri Atroari em 1911, por exemplo.

Além de militante política, Beatriz foi poeta (publicou “Roteiro” e “Profissão de Fé”) e professora (foi demitida pelo regime militar da cadeira de Técnica Vocal do Conservatório Nacional de Teatro). Também escreveu crônicas e colaborou para o jornal A Manhã e as revistas Leitura e Momento Feminino. Há dez anos ela contou um pouco de sua história em uma entrevista à TV Câmara.

Beatriz morreu na noite de segunda (dia 2) após um AVC. Foi enterrada no final da tarde de hoje (dia 3) no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Uma nota pessoal

Beatriz Bandeira Ryff era minha avó. Nos últimos anos de sua vida centenária a senilidade tinha lhe tirado totalmente a visão. Ela quase não falava e mal se comunicava com o mundo.

Há uns dez dias, fui visitá-la levado pelo meu filho de 8 anos que queria dar um beijo na “bisa”. Encontramos ela mais presente do que em todas as visitas nos anos anteriores. Chegou a cantarolar algumas músicas que costumava embalar o sono dos netos quando pequenos, como os hinos revolucionários “Internacional”, “A Marselhesa” (embora ela também cantasse obras não políticas, entre elas a “Berceuse”, de Brahms).

Ao me despedir, perguntei-lhe se lembrava o trecho do poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias, que ela costumava recitar. Ela assentiu levemente com a cabeça e começou, puxando do fundo da memória. Foram suas últimas palavras para mim.

“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.”
(“Canção do Tamoio”, Gonçalves Dias)

Beatriz Bandeira Ryff, aos 90 anos

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011 Reportagem | 12:48

Angu Duro, Pata Choca, Shangrilá e outros nomes curiosos das favelas cariocas

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Shangrilá, quem diria, existe de verdade e não fica nas cordilheiras do Himalaia, mas na Taquara, em Jacarepaguá, na zona oeste carioca, e tem 835 habitantes. Também não é um paraíso idílico escondido, mas sim uma das 763 favelas da cidade do Rio, a cidade com maior número de pessoas vivendo nesse tipo de moradia em todo o País.

O Censo 2010 do IBGE divulgou as primeiras informações sobre favelas e similares – definidos pelo instituto como “aglomerados subnormais”. O interessante é observar o nome com que muitas delas foram batizadas. E o cruzamento com outros bancos de dados revelam curiosidades. Há homenagens a políticos, novelas, banqueiro do bicho, animais, áreas da cidade e até a um maestro de ópera. Muitos nomes têm origens inusitadas.

Comunidades com animais são muitas: Águia Dourada, Araras, Beco da Coruja, Beco do Carcará, Beco do Rato, Formiga, Jacaré, Jacarezinho, Caracol, Bacalhau, Cabritos, Macacos, Urubu, Pavão-Pavãozinho. Até o piolho foi lembrado, dando nome a uma favela em Jacarepaguá.

E sem se desviar do tema zoológico, existem duas favelas batizadas de Castor de Andrade, falecido banqueiro do bicho fluminense. Ambas em Bangu, área de atuação maior do contraventor, que foi presidente do time do bairro.

Monarquia, República e política

Existem três com nomes derivados da monarquia. Temos um Barão, uma Baronesa e um Visconde de Sabóia. Há denominações mais republicanas. Dois ex-governadores foram eternizados. Há o Beco do Brizola (em Paciência), e uma comunidade Negrão de Lima, perto do viaduto em Madureira que leva seu nome. E dois presidentes foram lembrados. Tancredo Neves foi duas vezes (em Bangu e no Jacarezinho). E há um Parque João Goulart, em Manguinhos, onde também existe uma comunidade com o nome do sanitarista Carlos Chagas. Chico Mendes deu nome a dois “aglomerados subnormais”. Sobra até para músicos. Existe o Conjunto Ataulfo Alves.

E mesmo longe de Washington o Rio também tem uma Casa Branca, que fica na Tijuca e foi recentemente pacificada.

Certos batismos evidenciam uma orientação ideológica. Força do Povo, em Anchieta, foi fruto de uma ocupação feita por cem integrantes do MTT (Movimento dos Sem Teto e Sem Terra) na década de 90. Ou a Ocupação Olga Benário Prestes, em Campo Grande, mais recente.

Mas nomes politizados são minoria. Novelas são uma constante no batismo de ocupações irregulares. E de todas as épocas. Cambalacho, surgiu em 1987. Na década anterior foi criada a Te Contei. E nos anos 90 foi a vez de Torre de Babel e Uga Uga. Há também um Parque Criança Esperança e uma favela Pica Pau Amarelo.

Dom da ubiquidade

Nomes religiosos são bem mais frequentes: Espírito Santo, Deus é Vida, Cosme e Damião, Fé em Deus, da Fé, Nova Canaã… Há também um Parque João Paulo II e uma Vila dos Crentes.

E Santos e Santas para quase todas as devoções. Às vezes replicados. Nossa Senhora da Conceição são três. Aliás, o que não falta é Nossa Senhora… da Penha, de Fátima, da Apresentação, da Guia, da Glória, das Graças, da Paz. E temos Jardim São Bento; Loteamento São Sebastião; Morro São João, São José e Santa Marta.

Santas temos Alexandrina (duas vezes), Anastácia, Mônica, Clara (duas), Efigênia, Luzia, Maria, Maura, Rosa e Terezinha. E com santos há espaço para os mais obscuros. Usaram São Carlos, Diogo, Gomário (aparentemente seria o santo dos casamentos em crise, para quem se interessar), Gonçalo do Amarante (que é beato, não é santo), Francisco de Assis, Jerônimo, Jorge (duas), Miguel, Miguel Arcanjo, Pedro; Santo Amaro, Antônio (duas), André, Jorge (outras duas).

Um caso à parte é São Sebastião que, mais do que outros, tem o dom da ubiquidade no Rio. Além de padroeiro da cidade – que leva seu nome na certidão de batismo – , ele comparece em um loteamento, um morro e uma vila.

Angu Duro e Pata Choca

Com origem em time de futebol existe a Barreira do Vasco, colada ao campo de São Januário, em São Cristóvão. Ela foi formada por soldados que retornaram da Segunda Guerra Mundial sem ter onde morar. O terreno acabou desapropriado pelo então presidente Getúlio Vargas na década de 50.

Sentimentos e conceitos são sempre lembrados. Há morro da Liberdade, da Esperança, do Sossego, do Amor e do Adeus; e vilas Progresso, Harmonia, Paz e União, por exemplo.

Alguns nomes são otimistas. Além de Shangrilá, temos uma Vila Paraíso, uma Porta do Céu, uma Vila do Céu, uma favela Pedacinho do Céu e uma Céu Azul. Outras não douram a pílula, como exemplificam uma Vila Vintém, uma Vila Miséria,

Nomes esquisitos são muitos. Tem Angu Duro, instalada no Itanhangá desde a década de 30; Cachorro Sentado, que surgiu de um sítio no Recreio dos Bandeirantes. Duas levam o nome de Final Feliz. Também há Fubá, Querosene, Gari, Mata Quatro, Pata Choca, Pretos Forros, Sanatório, Buraco Quente; Faz Quem Quer.

Mas talvez o mais inusitado nome de comunidade no Rio seja Maestro Arturo Toscanini, em homenagem ao regente italiano de fama mundial que iniciou a carreira quase que por acaso no Theatro Municipal. Tem 185 moradores e fica no Tauá, na Ilha do Governador.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 Nota | 13:10

Desembarque demora mais do que voo

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Dia de Natal, voo 1395 da Gol – de Congonhas, em São Paulo, para o Galeão, no Rio de Janeiro. O trajeto entre as duas cidades é feito em 41 minutos.

Entre o pouso e o desembarque são gastos 10 minutos. Já a entrega da bagagem dos 18 passageiros que desceram do avião leva mais meia hora. No total, gasta-se tanto tempo voando quanto no desembarque. A justificativa dos funcionários da companhia aérea: Falta veículo para transportar as malas até o terminal.

Faltam dois anos e meio para a Copa do Mundo.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011 Nota | 08:08

Cidades turísticas são as mais favelizadas no Rio

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Angra dos Reis e outras quatro cidades turísticas lideram o ranking de cidades mais favelizadas no estado do Rio. Mangaratiba, Teresópolis, Arraial do Cabo e Cabo Frio fecham a lista dos municípios fluminenses entre os 30 com maior proporção de residências em favelas no País, segundo informações sobre aglomerados subnormais do Censo 2010 do IBGE.

Diferente do que ocorre na maioria do Brasil, entretanto, elas não estão na região metropolitana da capital, evidenciando o fenômeno recente do processo de favelização longe das grandes concentrações urbanas. Em todo caso, o problema é enfrentado por quase metade dos municípios do estado – 42 dos 92.

Com essas cinco cidades, as três principais regiões turísticas do estado estão representadas. Com 60.009 de seus 169.247 habitantes em favelas (35,5%), Angra dos Reis, no litoral sul do estado é a que tem maior concentração per capita. Mangaratiba, na mesma região, vem com 24,1% (8.756 pessoas). Na Serra,Teresópolis surge com 41.809 dos 163.404 moradores (25,6% do total).

Duas cidades do litoral norte do estado, na região dos Lagos, também aparecem na lista nacional das 30 mais favelizadas. Arraial do Cabo tem 6.645 de seus 27.652 moradores vivendo em aglomerados subnormais (24%). E a vizinha Cabo Frio, que tem 22,6% (41.914 de 185.684 habitantes).

O ranking é de número de residências mas, na proporção de população, outra cidade importante surge colada às demais: é a capital, que tem 22,15% de seus habitantes em favelas. São 10 pontos percentuais acima da média do estado, que é de 12,69%. A capital também responde por 82,1% das residências em favela em toda a região metropolitana.

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