Publicidade

sexta-feira, 13 de abril de 2012 Entrevista, Reportagem | 15:57

Entulho, poeira, lama e mítica na visita às obras do Maracanã

Compartilhe: Twitter

Após 1 ano e 7 meses fechado para a reforma que o deixará pronto para a Copa do Mundo de 2014, o Maracanã será reaberto ao público neste sábado (14). Mas nada das grandes multidões que acorriam para ver os clássicos naquele que já foi o maior estádio de futebol do mundo. Serão visitas guiadas com cinco grupos pequenos, de 50 pessoas, uma vez por mês.

Vista aérea da obra de reforma do Maracanã (Foto: divulgação/Angular Fotografias Aéreas)

Vista aérea da obra de reforma do Maracanã (Foto: divulgação/Angular Fotografias Aéreas)

E quem entrar em campo não verá vestígio do gramado em que Pelé estreou pela seleção brasileira; onde ele marcou seu milésimo gol; onde o Brasil foi derrotado pelo Uruguai em 1950, palco de alguns dos maiores momentos do futebol.

No centro do empoeirado campo de terra, entre poças de lama, jaz uma considerável montanha de entulho; nas laterais, quatro gruas e um guindaste capaz de carregar 800 toneladas, rodeados por tratores, caminhões e alguns dos 5.200 operários que tentam – em dois turnos de 10 horas, sete dias na semana – finalizar a obra em fevereiro do próximo ano, a tempo para a Copa das Confederações, em junho, e para os sete jogos que sediará em 2014, incluindo a final.

VEJA TAMBÉM: Cinco estádios da Copa 2014 têm mais de 50% das obras concluídas

É uma corrida contra o relógio. Palco de jogos de futebol, de shows de Frank Sinatra, Paul McCartney, KISS, Madonna, Rolling Stones e de duas missas do papa João Paulo II, o Maracanã foi reduzido a seu esqueleto e começa agora a ganhar corpo. Em 31 de março, com a demolição e a recuperação estrutural praticamente encerradas,  tinha 45% do projeto concluído.

O maior do mundo reduzido à metade

Quando o Maracanã ficar pronto, os engenheiros garantem que, do lado de fora, quase não se perceberá a diferença. A fachada é tombada pelo patrimônio histórico. Já dentro… As mudanças começam pela capacidade. Ela será reduzida à metade da original, de 166.639 espectadores passará a pouco menos de 80 mil. Mais de 100 mil a menos do que o famoso recorde obtido em 1969 durante um jogo da seleção brasileira contra o Paraguai durante as eliminatórias da Copa de 70: 183.341 pessoas. Mas a diferença não é tanta se comparada aos 87 mil lugares que ele tinha ao ser fechado.

“Hoje é impossível assistir um jogo como se fazia antigamente. As pessoas assistiam de pé (no setor da geral), sem qualquer conforto. A legislação mudou, a preocupação com a segurança aumentou”, explica Ícaro Moreno, presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio), que coordena o consórcio responsável pela reforma do Maracanã (formado por Andrade Gutierrez, Delta e Odebrecht).

As arquibancadas vistas do meio do campo

As arquibancadas vistas do meio do campo (Foto: LAR)

Quem olha para a quantidade de escombros, nas mudanças necessárias para modernizar o Maracanã e pensa no valor gasto na obra (foi inicialmente estimada em R$ 705 milhões e está em R$ 860 milhões) imagina se não seria mais fácil, mais rápido e mais barato construir um estádio do zero.

Só de entulho removido até março – não contando, portanto, o que jaz no centro do campo – foram 42.744,17 metros cúbicos. Se cada metro cúbico fosse empilhado um em cima do outro poderiam ser erguidas cinco pilhas do tamanho do Everest, a maior montanha do mundo.

“Seria mais fácil e mais barato demolir tudo e construir um novo, como foi feito em Wembley, em Londres”, reconhece ícaro, que disse que a reforma foi a maneira de preservar a história e um bem tombado.

Estádio tinha 3.200 tipos de degrau

As dificuldades foram variadas, segundo ele. A situação estrutural estava pior do que a imaginada. Os pilares estavam desgastados, as marquises tiveram que ser destruídas. Havia muita corrosão e o material usado era muito poroso.

Até o formato elípitico do estádio – em vez de retangular, quadrado ou redondo, como os mais modernos – foi um fator de complicação. “Por conta disso, encontramos 3.200 tipos de degrau, exemplifica.

Partes do velho estádio permanecerão. A arquibancada superior nos setores norte e sul (atrás de cada gol) serão preservadas, por exemplo. “Conseguimos manter um estádio que é um ícone, sem descaracterizá-lo e modernizando ele. Continua sendo um estádio de futebol, mas também vai ser uma arena multiuso”, diz. “A empada é a mesma, mas mudamos o recheio”, brinca ele.

VEJA FOTOS DA REFORMA DO MARACANÃ

Ícaro fez um passeio guiado pela obra com o iG para mostrar como está o estádio e o que os visitantes poderão ver. O campo será encolhido. Serão menos cinco metros de comprimento e sete a menos na largura. As quatro linhas do gramado ficarão contidas em 105m x 68m.

Em compensação, o público ficará bem mais próximo do espetáculo. A distância da primeira fileira para a linha lateral cai pela metade. Ficará a 12 metros. A visibilidade será de 100% e os camarotes ficarão mais próximos do gramado e mais integrados com o resto da torcida.

O sistema de som e de iluminação será computadorizado, lounges serão climatizados. Haverá mais banheiros (231) e bares (60), além de quatro videowalls de 100 metros quadrados.

Cobertura inédita

Imagem de como será a nova cobertura de lona tensionada (Foto: Divulgação)

Imagem de como será a nova cobertura de lona tensionada (Foto: Divulgação)

A nova cobertura, de lona tensionada, uma tecnologia alemã nunca usada no País, protegerá mais o público, que também sofrerá bem menos com as vibrações na arquibancada. “O Maracanã vibrava muito. Na época em que foi feito não tinha cálculo estrututal para isso”, explica o presidente da Emop.

O levantamento da cobertura, aliás, é a principal preocupação. Está marcado para setembro. E não pode haver erro no tensionamento dela, que será coordenado por técnicos alemães. “Nem temos calculistas no Brasil que façam isso”, diz ícaro.

Na reforma há também uma preocupação ecológica – exigência da Fifa. O Maracanã terá um sistema de captação de energia solar no topo do anel superior e irá reaproveitar a água da chuva. O objetivo é receber uma certificação de estádio verde.

Parte dessas mudanças poderão ser entendidas pelos visitantes com o vídeo que será exibido no início do passeio, que terá uma hora de duração. Ele mostra de forma concisa algumas das alterações e melhorias usando uma maquete eletrônica.

Depois, paramentados com capacetes de proteção, as pessoas serão levadas ao centro do campo, no meio do canteiro de obras, para ver a reforma, ouvir explicações sobre o projeto, tirar fotos e dúvidas. Mas é bom correr. Mesmo antes do início da visitação já há mais de mil inscritos.

Serviço das visitas ao Maracanã:

– As visitas serão agendadas.
– Interessados devem enviar email para: visitaguiada@maracanario2014.com.br
– Elas serão realizadas no primeiro sábado de cada mês. A próxima será no dia 5 de maio.
– As visitas acontecerão de hora em hora, das 8h às 13h, em grupos de no máximo 50 pessoas.
– A idade mínima para a visita é 10 anos.
– Por segurança, não será permitida a entrada com bermuda, saia, sandália, sapatilha, tênis e salto alto.

Autor: Tags: , , , , ,

segunda-feira, 2 de abril de 2012 Reportagem | 15:32

Bolsa Verde terá primeira transação comercial em junho, na Rio+20

Compartilhe: Twitter

Instituída no final do ano passado, a BVRio (Bolsa Verde do Rio De Janeiro) deve fazer sua primeira transação comercial em 20 de junho, durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que será realizada na capital carioca.

A Bolsa Verde será o primeiro mercado de ativos ambientais da América Latina, negociando, por exemplo, créditos de carbono e reposição florestal entre empresas que tenham passivos ambientais com outras que tenham ativos ou possibilidade de comercializar superávits de metas ambientais.

Rio+20: Cúpula de Regiões discutirá criação de pactos

A idéia é dar um aspecto mais formal, mais eficiente e mais transparente para o comércio de ativos ambientais – algo que já existe, mas muitas vezes é feito de modo informal e sem muito controle.

A estreia da BVRio em junho provavelmente será algo mais simbólico, para coincidir com a Conferência da ONU, e, por causa da escassez de tempo até lá, deve ser feita em bases voluntárias.

A BVRio é uma iniciativa das secretarias municipal de Fazenda e estadual do Ambiente. E a bolsa faz parte da tentativa da prefeitura carioca para revitalizar o setor financeiro da cidade, esvaziado após o crash da bolsa da cidade em 1989. Recentemente a Direct Edge, terceira bolsa de valores dos EUA, anunciou que pretende abrir uma unidade no Rio. Contudo, a iniciativa deve encontrar alguns obstáculos. Entre eles, o fato de que a BM&FBovespa tem um programa de negociação de créditos de carbono.

Além disso, por trás da criação da BVRio há uma preocupação em incentivar uma atividade produtiva menos “suja”. Mas, segundo Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde, sem descuidar que todas essas regulamentações e regras ambientais acabem onerando demais as empresas e indústrias instaladas no Estado. “Não queremos que elas percam competitividade. A forma encontrada para fazer isso é estimular o próprio mercado”, afirma ela.

Fique por dentro das últimas notícias de economia

A secretaria de Fazenda, Eduarda La Rocque explica que a ideia é transformar passivo ambiental em ativo ambiental.

Suzana dá um exemplo. Se uma empresa tem a obrigação de reflorestar uma área que foi desmatada para fazer uma rodovia ou um porto, mas outra empresa consegue fazer mais barato o reflorestamento dessa área, ela pode comprar de quem faz mais barato ou melhor. “Sempre terá alguém que consegue lidar com isso de uma maneira mais barata do que outros”, admite Suzana.

O que será negociado

Por enquanto a BVRio deve trabalhar com cinco ativos ambientais: créditos de carbono; créditos de efluentes industriais da Baía da Guanabara; créditos de reposição florestal relativos à Reserva Legal; créditos de reposição de supressão de vegetação; e créditos de logística reversa e reciclagem.

No caso de créditos de carbono, empresas que reduzirem suas emissões além dos limites estabelecidos poderão vender o excedente para aquelas que não conseguirem atingir as metas.

Os créditos de efluentes industriais seguirão o mesmo princípio, mas se limitarão às emissões de poluentes líquidos na Baía.

Já com a reposição florestal, quem tiver em sua propriedade uma área florestal superior à obrigatória (reserva legal) poderá vender certificados que cobrem o déficit de quem estiver com área inferior à obrigatória.

Créditos de reposição de supressão de vegetação serão negociados entre quem tiver utilizado matéria-prima florestal e empresas que façam o replantio.

Por último, o conceito de logística reversa e reciclagem diz respeito à obrigação legal de as empresas recolherem os produtos usados (e ou suas embalagens) para reciclagem ou para algum outro destino final mais adequado. Organizações especializadas nesse descarte podem vender os créditos para quem precisa do serviço.

Interesse da ONU

“Hoje em dia todo mundo fala em neutralizar as pegadas de carbono de um evento, de viagens de avião. Mas ninguém sabe direito onde estão esses créditos, neutralizou como. Muitas vezes a mesma área foi usada para várias finalidades. É algo muito nebuloso ainda”, reconhece Suzana.

Por isso a ideia de formalizar o processo. “Na bolsa você vai poder acompanhar com mais transparência. Nas planilhas, na sua frente, você sabe o que foi comprado, por quem, aonde. Vai estar tudo registrado. O próprio pessoal das Nações Unidas está interessado nisso”, diz Suzana.

Autor: Tags: , , , , ,

sexta-feira, 23 de março de 2012 Entrevista, Reportagem | 16:07

Rio+20: Cúpula de regiões discutirá criação de pactos em oito temas

Compartilhe: Twitter

Para marcar os 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), realizada no Rio de Janeiro em 1992, a capital carioca irá sediar entre 20 e 22 de junho deste ano a Rio+20, a conferência da ONU que vai discutir a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Logotipo da Rio+20

Logotipo da Rio+20

Mas outros eventos paralelos irão ocorrer. A secretaria estadual de Meio Ambiente está focando seu trabalho na Cúpula Mundial de Regiões (World Summit of Regions), que será realizada no Rio no dia 19 de junho, às vésperas da Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável.

A ideia dessa cúpula é criar uma coalizão global com regiões subnacionais (estados, províncias, departamentos) que se comprometam com algumas metas relacionadas aos temas da Rio+20.

“Os estados regionais e províncias têm mais flexibilidade do que as nações para tomar decisões e implantar medidas. Qualquer acordo no âmbito das Nações Unidas é extremamente complexo”, avalia em entrevista ao iG Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde do Rio de Janeiro e que está coordenando os trabalhos relativos a Rio+20 no estado.

A história pouco conhecida do herói nacional da preservação

Ela admite que a dificuldade de adoção de metas “verdes” globalmente, pelos países, tem frustrado muita gente. Daí a necessidade de se incluir outras instâncias do executivo em que ações possam ser mais facilmente tomadas. O que não significa abandonar as discussões e tentativas de entendimento entre as nações. É simplesmente procurar atuar em um outro nível do executivo, menos rígido.

“Assim a gente começa um movimento de baixo para cima. E isso pode ajudar as nações a usar essas ações posteriormente”, afirma Suzana, que ocupa a vice-presidência do grupo mundial de cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007.

Energia suja e economia verde

Cada vez mais dependente financeiramente de uma energia “suja”, como petróleo e derivados, o Rio de Janeiro é o primeiro estado do País a criar uma subsecretaria de economia verde e também está coorganizando a Cúpula Mundial das Regiões.

A coalizão é iniciativa da nrg4SD (sigla em inglês para Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável) e já conta com mais de 60 representantes, que ainda vão se debruçar sobre o documento final. Alguns do participante, além do estado do Rio de Janeiro, são São Paulo; Quebec (Canadá); Aragão, País Basco, Catalunha, Ilhas Canárias, Cantábria (Espanha); Bavária e Baden-Wuerttemberg (Alemanha); Xangai (China); Maryland e Califórnia (EUA); Bretanha, Aquitânia, Île de France, Rhone-Alpes (França); Buenos Aires, Chaco, Santa Fé (Argentina), País de Gales (Reino Unido) e Burkina do Norte (Burkina Fasso).

Outras regiões subnacionais foram recentemente convidadas para aderir a essa coalizão. O nrg4SD – que vai participar também da reunião preparatória para a Rio+20, entre os dias 13 e 15 de junho.

Oito temas estão sendo discutidos entre os membros da coalizão para serem incluídos em um programa conjunto: redução de emissão de gases de efeito estufa; aumento de eficiência energética; acesso universal à educação básica; melhoria da qualidade da água; quotas de transporte limpo e eficiente; criação de novos postos de trabalho “verdes”; redução na geração de resíduos por unidade de PIB; composição de energia renovável na matriz energética.

Serão discutidas metas, a criação de novos indicadores e formas de monitoramento. Mas não há nada completamente fechado ainda. “Vai ter algo de energia renovável, por exemplo. O que estamos discutindo agora é qual o percentual, qual o ano base”, explica ela, que é subsecretaria.

Muitas vezes não são discussões simples. Além das metas é preciso criar mecanismo eficientes de monitoramento para aferir o cumprimento do que foi estabelecido. “Ter metodologias para avaliar o que há de verde no desenvolvimento econômico  não é algo trivial”, reconhece Suzana.

Os estados, as regiões, as províncias e os departamentos participantes se engajariam em algumas das metas dentro da necessidade ou possibilidade de cada um, não necessariamente em todas.

“Saneamento é uma das metas. Quebec não tem problema algum com saneamento. Ela optaria por alguma outra na listagem que vai ser discutida. Serão várias, de habitação, energia renovável, eficiência energética… Já em Burkina do Norte a falta de saneamento é um problema”, explica Suzana.

Uma das propostas feita pelo Estado de São Paulo é aumentar a quota de energia renovável (hídrica, biomassa, solar, vento, mar, geotérmica, marinha) tendo como base o ano de 2008 em 17% do total até 2030 e 27% do total até 2050.

Autor: Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 16 de março de 2012 Entrevista | 17:58

Custo das Olimpíadas só será sabido após evento, avisa presidente da Empresa Olímpica Municipal

Compartilhe: Twitter

Os últimos dias foram importantes para o projeto das Olimpíadas de 2016 no Rio. Foram definidos alguns pontos, como a responsabilidade pela construção do Parque Olímpico, que ficará a cargo de um consórcio formado por Odebrecht, Carvalho Hosken e Andrade Gutierrez. Foram estabelecidas diretrizes para a construção e aproveitamento das edificações pelo mercado imobiliário do Porto Olímpico, que é a maior parceria público-privada do País. Foi anunciado que o escritório norte-americano Hanse Golf Course Design ganhou o concurso para construir o campo de golfe. E o Parque dos Atletas – que será o local de descanso e entretenimento dos esportistas durante os jogos – foi aberto ao público.

Mas uma questão central ainda está longe de ser definida. Afinal, quanto vai custar fazer as Olimpíadas no Brasil?

Leia mais notícias sobre Olimpíadas

Acompanhe as últimas notícias sobre esporte

Presidente da Empresa Olímpica Municipal (a quem cabe coordenar o projeto Rio 2016 no âmbito carioca), Maria Silvia Bastos Marques (ex-presidente da CSN e da Icatu Seguros), avisa que só será possível saber o valor gasto das Olimpíadas após o término do evento.

Maria Silvia Bastos Marques (à dir. na foto) "dá uma tacada" em visita de representantes do COI ao Rio

Maria Silvia (à dir) 'dá uma tacada' em visita de representantes do COI ao Rio. (Divulgação/J. P. Engelbrecht)

Maria Silvia compara a realização das Olimpíadas a uma grande obra em casa, só que em uma dimensão muito maior. Ela lembra que quem já enfrentou uma reforma sabe que é difícil respeitar prazos e orçamentos para quebrar um banheiro ou uma cozinha.

“Quando se fez o dossiê de candidatura, se fez uma estimativa de valor, mas não havia projeto. Você só tem orçamento quando se faz um projeto básico, com detalhamento. Só se tem um orçamento final quando a obra acaba. Mesmo durante o projeto executivo, que te dá uma medida muito próxima, acontecem imprevistos, uma greve de trabalhadores, atrasos, um equipamento quebra, um material não chega…”, enumerou para a coluna.

Para complicar, no caso das Olimpíadas os projetos estão sendo desenvolvidos em ritmos diferentes. E há várias esferas de poder envolvidas, já que não é um orçamento do município. Envolve cidade, Estado, governo federal e comitê organizador.

“Há projetos em fase de maturidade avançada, com a Transcarioca e a Transoeste, e outros que sequer foram licitados, como a Transbrasil e a Transolímpica. Se eu somo um com outro, eu somo coisas completamente diferentes”, explica ela citando obras de transporte na cidade. “A Transoeste vai ficar pronta este ano, o valor está próximo do custo final. A TransOlímpica está em licitação. E a TransBrasil sequer foi licitada. Os valores são estimativos. É claro que se a estimativa inicial é de R$ 100 milhões não deve virar R$ 500 milhões. Mas pode virar R$ 80 milhões, R$ 130 milhões ou R$ 150 milhões”.

A proposta vencedora para a construção do Parque Olímpico, por exemplo, foi de R$ 1,375 bilhão – pouco abaixo da previsão de R$ 1,4 bilhão.

Com a experiência de quem já comandou a secretaria de Fazenda do município e foi diretora do BNDES, Maria Silvia acha insensato cobrar que um orçamento para uma obra tão grande não tenha ajuste. Mas, o importante, é saber comunicar essa questão do orçamento com transparência para evitar a percepção de que houve aumento de gasto e falta de controle das verbas.

“Londres aumentou mais de três vezes o orçamento das Olimpíadas. E é tido como um case de cumprimento de orçamento. Por quê? Por que foi bem comunicado. É preciso explicar. Eu não quero que o dinheiro do meu imposto seja usado para pagar uma coisa que não deveria custar aquilo”, diz ela que promete, em breve, ter um site da Empresa Olímpica que mostre a evolução dos gastos com os Jogos.

“Mas não é uma tarefa fácil comunicar o orçamento de uma coisa tão complexa quanto a realização dos Jogos”, admite, já sabendo qual será uma de suas tarefas mais difíceis.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 13 de março de 2012 Nota | 18:54

Granada é encontrada – e detonada – na praia do Leblon

Compartilhe: Twitter

Policiais civis do esquadrão antibombas da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) detonaram no início da noite desta terça-feira (13) uma granada achada na praia do Leblon, na zona sul do Rio. Segundo policiais, a granada foi encontrada no final da tarde por duas crianças que começaram a brincar com ela. Uma senhora viu e avisou os bombeiros no posto salva-vidas. Eles isolaram a área e acionaram a polícia.

Policiais da Core se preparam para detonar a granada

Policiais da Core se preparam para detonar a granada

Veja o vídeo: Encontrada na praia, granada é detonada no Leblon

A granada era de efeito moral (de gás de pimenta, usada para controlar distúrbios e dispersar multidões) e estava na areia, na altura da rua Afrânio de Mello Franco (onde ficam a 14ªDP,  a Delegacia de Atendimento ao Turista e o Shopping Leblon). Uma escolinha de vôlei para crianças fica a poucas dezenas de metros de onde foi encontrado o artefato.

Para efetuar a detonação, foi interditado um trecho da praia de cerca de 200 metros, junto ao mar. Os peritos fizeram um buraco na areia e com ajuda de um braço mecânico a granada foi levada para lá e detonada. Segundo o inspetor Ivaldo, da Core, a granada era de baixo poder explosivo mas, caso detonasse enquanto fosse manuseada, poderia levar a ferimentos como a perda dos dedos ou da mão.

Policiais acreditam que ela pode ter sido trazida pelo mar.

Policial exibe a granada detonada

Policial exibe a granada detonada

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 1 de março de 2012 Nota | 10:01

Conheça dez curiosidades sobre o aniversário da cidade do Rio

Compartilhe: Twitter

Hoje é aniversário do Rio de Janeiro. São 447 velinhas no bolo. Para comemora a data, eis abaixo dez curiosidades ligadas à fundação da cidade.

1. A cidade foi fundada em 1º de março de 1565 pelo português Estácio de Sá, que se tornou o primeiro governador-geral da Capitania do Rio. Alguns anos mais tarde ele viraria nome de rua, de largo e até de escola de samba.

2. O local de fundação é um dos lugares mais bonitos e importantes – e menos visitados – da cidade: a praia entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, na Urca, imediatamente antes da entrada da Baía de Guanabara. Hoje é área militar, ocupada pelo Exército, que tem lá o Forte São João, onde também fica a Escola Superior de Guerra.

Vista aérea do Rio, com o o trecho entre os morros Cara de Cão e Pão de Acúcar à direita

Vista aérea do Rio, com o o trecho entre os morros Cara de Cão e Pão de Acúcar à direita

3. O nome de batismo da cidade é São Sebastião do Rio de Janeiro, uma homenagem a Dom Sebastião 1º, o rei menino português, que contava então 11 anos.

4. Por causa de controvérsias entre historiadores, o aniversário da cidade foi comemorado durante muito tempo no dia do padroeiro, São Sebastião, 20 de janeiro. Só em 1957 é que 1º de março foi oficializado.

5. Embora a cidade do Rio tenha sido fundada em 1565, já havia um povoamento no local. Só que francês. Capitaneados por Villegagnon, os franceses chegaram dez anos antes, na tentativa de fincar uma base aqui. A experiência colonial ficou conhecida como França Antártica.

6. Tanto portugueses quanto franceses tiveram como aliados tribos indígenas com hábitos antropofágicos (adeptos do canibalismo, em outras palavras). Os franceses lutaram com a ajuda dos Tupinambás. Os portugueses arregimentaram os Temiminós.

7. Estácio de Sá morreu em consequências de ferimento recebido em uma batalha na praia do Flamengo, em uma área ocupada hoje pelo Outeiro da Glória e pelos jardins do Palácio do Catete. Na época o lugar era conhecido como Uruçumirim. Estácio de Sá recebeu uma flechada no olho, no dia 20 de janeiro de 1567. Seu túmulo está na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca.

8. O padre José de Anchieta acompanhou a missão de Estácio de Sá para expulsar os franceses do Rio de Janeiro. Mais tarde, ele escreveria um poema épico glorificando os feitos de Mem de Sá, governador-geral do Brasil, que veio em socorro do sobrinho. Foi testemunha da chacina dos combatentes derrotados, “passados todos ao fio da espada”.

9. Um dos índios que ajudou os portugueses foi Araribóia, líder dos Temiminós. Pouco após a expulsão dos franceses, em 1573, ele foi para o outro lado da Baía, fundando São Lourenço dos Índios, hoje Niterói.

10. A rua mais antiga do Rio é considerada a antiga Rua Direita, no Centro, hoje chamada de 1º de Março. Mas o nome não tem nada a ver com a data de fundação. É uma homenagem ao fim da Guerra do Paraguai, que terminou justamente no aniversário da cidade, em 1870. Eram tempos em que as informações circulavam beeeeem mais lentamente. A notícia do fim da guerra só chegou aqui duas semanas depois, quando aportou na cidade um navio vindo do Uruguai.

Leia mais notícias sobre o Rio

Autor: Tags: , , , ,

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Reportagem | 09:03

Governo do Estado infla número de moradores de comunidades pacificadas por UPPs

Compartilhe: Twitter

Pela reconquista de territórios antes ocupados por traficantes e milicianos, as Unidades de Polícia Pacificadora são o carro-chefe do governo Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro. Em três anos foram instaladas 19 delas em algumas das favelas com maior presença desse poder paralelo na capital do Estado. A propaganda oficial afirma que são 344 mil moradores de 72 “comunidades pacificadas” atendidas pelas UPPs. Contudo, basta consultar os dados do Censo 2010, do IBGE, órgão encarregado oficialmente da contagem populacional no País, para constatar que o número real de habitantes é inferior.

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Nas 19 UPPs existem 71 favelas, de acordo com o IBGE. Nelas vivem 165.125 pessoas segundo os dados do Censo 2010 (veja a relação completa e o número de habitantes de cada uma no final do texto). Em toda a cidade são 763 favelas com 1.393.314 moradores. São os números mais recentes da maior e mais precisa contagem de população feita no Brasil.

Entenda como foi feito o cálculo usando os números do Censo

Isso significa que, de cada mil moradores de favelas na cidade do Rio, apenas 118 vivem em áreas pacificadas com UPPs. As próximas unidades já estão programadas. Serão Rocinha, provavelmente no próximo mês, e Complexo do Alemão, que segue ocupada por militares da Força de Ocupação das Forças Armadas.

Exemplos de erros

Os números de beneficiados divulgados pelo governo do Estado são errados. Algumas vezes para menos, é importante registrar. Na maioria, porém, o equívoco é para mais. Em certos casos os números do governo não têm qualquer conexão com a realidade. Principalmente os relativos às primeiras unidades instaladas.

É o caso da do Batan, que era dominada por milicianos na zona oeste e foi instalada em fevereiro de 2009 (mais de um ano antes de o Censo fazer sua pesquisa). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, são 45 mil pessoas atendidas nas “comunidades pacificadas” na área. De acordo com o IBGE, entretanto, o número de moradores em favelas lá mal alcança a um décimo disso: 4.601 pessoas. Se formos acrescentar a população que mora na área da UPP, mas não vive em favelas, chegaremos a pouco mais de 16 mil.

Na de Babilônia/Chapéu Mangueira, no Leme, na zona sul da cidade, o governo afirma que são 10 mil beneficiados nas duas “comunidades pacificadas”. Pelo Censo, no entanto, a primeira tem 2.451 moradores; a segunda tem 1.289, somando 3.740. Outras 135 pessoas que não moram nas favelas estão na área da UPP.

No caso da Santa Marta, em Botafogo, vizinha do Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, outro erro digno de nota. O governo diz que a comunidade tem 10 mil moradores. O Censo 2010 registrou 3.913 habitantes. Com a população “do asfalto”, no trecho contíguo à favela e na área da UPP, o número de pessoas pularia para cerca de 5 mil.

Policiamento especial

Para além do efeito de propaganda, o aumento da população atendida pelas UPPs cria um problema logístico, já que o número de habitantes é um dos principais fatores para se definir o contingente de policiais que ficará no local.

Essas áreas contam com um policiamento especial, feito em sua maioria por soldados recém-formados. Atualmente, o efetivo total das UPPs é de 3.992 homens. O que dá uma média de um PM para cada 41 habitantes das “comunidades pacificadas”, usando os dados do Censo 2010.

Se o programa fosse levado para todas as 763 favelas da cidade – e a proporção do efetivo fosse mantida em relação à população das comunidades – seriam necessários 33.688 policiais. Isso significaria praticamente multiplicar por dez o número atual, com o acréscimo de 29.696 homens.

Ex-coordenador de UPPs explica que número de moradores é apenas um fator para definir efetivo

O que é uma favela?

É importante explicar que o IBGE não usa a palavra favela, termo criado no Rio e que não se aplica a moradias carentes em toda a federação. Como os termos mudam de uma área para outra, o IBGE adotou uma definição técnica: aglomerado subnormal.

“É um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas… ), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; e carentes, em sua maioria de serviços públicos e essenciais”.

Essa definição, no entanto deixa de fora conjuntos habitacionais, mesmo aqueles em que vivem famílias com perfil sócio-econômico semelhante aos de favelas.

Sendo assim, as favelas da Cidade de Deus constam da contagem de “aglomerados subnormais” do IBGE, mas o conjunto que deu origem á área ficou de fora. Mas isso não explica a discrepância entre os números do IBGE e da Secretaria de Segurança Pública, que diz que a UPP atende 65 mil pessoas na “comunidade pacificada” da Cidade de Deus.

O Censo aponta 5.705 moradores nas nove favelas da região. A soma de todos os habitantes da área, incluindo o conjunto habitacional, chegaria a 45 mil pessoas.

No Batan também há um conjunto de fora. “O Ipê é ocupado por famílias muito pobres que perderam tudo em deslizamentos em chuvas recentes. Pode não ser considerado favela, mas as pessoas ali estão entre as mais necessitadas da área da UPP. Fazer essa distinção técnica é difícil. A gente policia tudo”, explica o tenente Juliano, subcomandante da UPP do Batan. De qualquer forma, o “tudo” policiado soma 16 mil pessoas. Muito diferente dos 45 mil informados pelo governo.

TOTAL DE MORADORES DE FAVELAS ATENDIDOS POR UPPs

São 165.125 pessoas* em 71 favelas reconhecidas pelo Censo 2010

1. Santa Marta: 3.913 moradores (em uma favela)

2. Cidade de Deus: 5.705 moradores (em nove favelas)
– Santa Efigênia: 1.843
– Travessa Efraim: 930
– Sítio da Amizade: 836
– Rua Moisés: 587
– Moquiço: 436
– Conjunto Vila Nova Cruzada: 398
– Vila da Conquista: 278
– Pantanal 1: 206
– Pantanal: 191

3. Batan: 4.061 moradores (em quatro favelas)
– Batan: 3.254
– Rua Duarte Coelho de Albuquerque: 806
– Vila Jurema 1: 359
– Vila Nova: 182

4. Babilônia/Chapéu Mangueira: 3.740 moradores (em duas favelas)
– Babilônia: 2.451
– Chapéu Mangueira: 1.289

5. Pavão-Pavãozinho: 10.338 moradores (em duas favelas)
– Pavão-Pavãozinho: 5.567
– Cantagalo: 4.771

6. Cabritos: 4.336 moradores (em três favelas)
– Morro dos Cabritos: 2.602
– Ladeira dos Tabajaras: 1.359
– Mangueira: 375

7. Providência: 4.889 moradores (em quarto favelas)
– Morro da Providência: 4.094
– Moreira Pinto: 326
– Pedra Lisa: 260
– São Diogo: 209

8. Borel: 12.812 (em seis favelas)
– Borel: 7.548
– Morro da Casa Branca: 2.539
– Morro do Cruz: 1.355
– Indiana: 887
– Morro do Bananal: 307
– Buraco Quente: 176

9. Formiga: 4.312 moradores (em uma favela)

10. Andaraí: 9.704 moradores (em seis favelas)
– Parque João Paulo II: 2.616
– Nova Divinéia: 1.976
– Arrelia: 1.972
– Andaraí: 1.760
– Jamelão: 944
– Borda do Mato: 436

11. Salgueiro: 3.345 moradores (em duas favelas)
– Salgueiro: 3.149
– Coréia: 196

12. Turano: 12.058 moradores (em dez favelas)
– Morro da Liberdade: 3.259
– Morro do Bispo: 1.978
– Matinha: 1.717
– Morro do Chacrinha: 1.177
– Sumaré: 925
– Rodo: 901
– Santa Alexandrina/Parque Rebouças: 686
– Pantanal: 612
– Vila Santa Alexandrina: 530
– Paula Ramos: 273

13. Macacos: 19.082 moradores (em duas favelas)
– Parque Vila Isabel: 14.007
– Macacos: 5.075

14. São João: 6.786 moradores (em três favelas)
– São João: 3.745
– Morro da Matriz: 1.552
– Morro do Quieto: 1.489

15. Fallet/Fogueteiro: 9.013 moradores (em cinco favelas)
– Morro da Coroa: 4.069
– Unidos de Santa Tereza: 3.780
– Ocidental Fallet: 749
– Luiz Marcelino: 254
– A.M. e Amigos do Vale: 161

16. Prazeres/Escondidinho: 5.065 moradores (em quarto favelas)
– Morro dos Prazeres: 2.136
– Morro do Escondidinho: 1.758
– Vila Anchieta: 854
– Vila Elza: 317

17. Complexo do São Carlos: 15.244 moradores (em cinco favelas)
– Catumbi: 5.790
– São Carlos: 5.784
– Azevedo Lima: 2.396
– Morro Santos Rodrigues: 1.006
– Rato: 268

18. Mangueira: 20.350 moradores (em oito favelas)
– Morro dos Telégrafos: 6.657
– Mangueira: 4.594
– Tuiuti: 3.263
– Parque Candelária: 2.229
– Marechal Jardim: 1.787
– Vila Miséria: 724
– Parque dos Mineiros: 668
– Rua Bartolomeu Gusmão: 428

19. Vidigal/Chácara do Céu: 10.372 moradores (em duas favelas)
– Vidigal: 9.678
– Chácara do Céu: 964

* Não estão contabilizados os moradores de áreas das UPPs que não vivem em favelas.

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , ,

Reportagem | 09:01

Como ter certeza do número de moradores de comunidades pacificadas?

Compartilhe: Twitter

Chegar ao número de habitantes por favelas atendidas por UPPs não é difícil. Mas dá certo trabalho. A lista de comunidades listadas pela PM não bate com a cadastrada pelo IBGE e pelo Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da Prefeitura encarregado da produção e difusão de informações estatísticas, cartográficas e georreferenciadas do município. Um exemplo é o Morro da Liberdade, identificada pela PM como favela do Turano. Ou Fogueteiro, que o IPP e o IBGE só reconhecem como Unidos de Santa Tereza. Outro caso é a área que a polícia chama de  Morro da Mineira, que os outros dois institutos definem como Catumbi, na UPP São Carlos.

Governo do Rio infla número de moradores de comunidades pacificadas com UPPs

Primeiro foi preciso saber qual a delimitação exata de cada UPP e identificar todas as favelas incluídas em seus perímetros. Técnicos do IPP forneceram os mapas – que são usados pela PM. Cada mapa foi checado pessoalmente com os comandantes das UPPs. Inclusive para tirar as dúvidas quanto aos nomes divergentes usados pela polícia.

Coronel que coordenou UPPs diz que estimativas oficiais deveriam ser revistas

Tendo a área definida, e sabendo quais as favelas em cada UPP, o passo seguinte foi ir ao IBGE para checar a população. As áreas de favelas foram definidas pelo IBGE com ajuda das prefeituras em todo o País. Foi feito um levantamento prévio com uso de satélites para mapeamento.

“Na metodologia do Censo todos os aglomerados subnormais (termo técnico usado para definir favelas) são tratados de forma separada, com setores censitários próprios, o que possibilita um controle mais preciso dos dados daquela área, o que é importante para orientar políticas públicas e pesquisas acadêmicas”, explica Cláudio Stenner, responsável pela pesquisa dos aglomerados subnormais do Censo 2010. O IBGE dividiu o País em 316.574 setores censitários. Desses, 15.868 eram classificados como aglomerados subnormais.

Dificuldade para quantificar moradores fora de favelas

Se não é difícil saber com exatidão o número de habitantes de “comunidades pacificadas”, o mesmo não se pode dizer da contagem de moradores das UPPs que não vivem em favelas.

“Há uma dificuldade técnica que impede termos a mesma precisão”, afirma Cláudio. É que, ao serem criadas, as UPPs respeitaram os limites das favelas, que foram incorporadas integralmente às áreas com policiamento especial. Mas nem sempre o traçado das UPPs coincidiu com a divisão dos outros setores censitários feita pelo IBGE. Alguns foram cortados pelas bordas definidas pela Secretaria de Segurança Pública.

Com as informações divulgadas até agora pelo Censo 2010 não é possível desmembrar os setores censitários. Por isso, só é possível trabalhar com um número aproximado para saber qual a população total de cada área beneficiada por uma UPP.

Entretanto, mesmo que fossem incluídos na contagem os setores censitários parcialmente cobertos pelas UPPs, a população chegaria a pouco mais de 260 mil. Longe dos alegados 344 mil habitantes das “comunidades pacificadas”.

Autor: Tags: , , , , , , ,

Entrevista, Reportagem | 09:00

Ex-coordenador de UPP diz que números oficiais deveriam ser revistos

Compartilhe: Twitter

Ex-vice-presidente do Instituto de Segurança Pública e ex-coordenador-geral das Unidades de Polícia Pacificadora, o atual chefe do Estado-Maior administrativo da PM do Rio, coronel Robson Rodrigues, afirma que os números apresentados pelo iG são “surpreendentes” e afirma que as estimativas de população atendida pelas UPPs deveriam ser revistas.

O coronel foi a pessoa indicada pelas assessorias da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e das UPPs para comentar a reportagem sobre os números de moradores beneficiados nas comunidades pacificadas. Ele salientou que não saberia explicar tecnicamente como foram estabelecidos os números de população atendida nas comunidades pacificadas com as UPPs. O coronel reconhece, no entanto, que são estimativas anteriores ao Censo 2010.

Saiba como foi feito o cálculo do número de moradores das comunidades pacificadas

“Esses números que você está me trazendo são os do Censo. E a pesquisa censitária é a melhor que tem. É necessário fazer as correções”, avalia o coronel Robson, que foi o responsável pela coordenação, controle e preparação doutrinária e operacional das UPPs, bem como pelo planejamento de instalação de novas unidades.

População atendida é um dos fatores para definir efetivo

Ele lembra também que o número de habitantes de uma área não é o único dado importante para se definir como será feita a ocupação e qual o efetivo policial a ser empregado. “Essa é uma das variáveis. Mas levamos em consideração outros fatores, como os aspectos geográficos e sócio-econômicos, o tipo de dominação do poder paralelo, por exemplo”, explica ele.

O coronel Robson, entretanto, afirma que o foco das UPPs não é apenas as favelas e ressalta que elas nem mesmo são mencionadas em seu decreto de criação (decreto 42.787 de 6 de janeiro de 2011). E que o importante no projeto das UPPs é a reconquista do território.

Segundo o decreto, as áreas que devem receber as UPPs são “aquelas compreendidas por comunidades pobres, com baixa institucionalidade e alto grau de informalidade, em que a instalação oportunista de grupos criminosos ostensivamente armados afronta o Estado Democrático de Direito”.

Com relação a uma revisão das estimativas de moradores nas “comunidades pacificadas”, o coronel Robson salienta que as UPPs são responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública, que é munida de informações e dados estatísticos pelo ISP. Caberia ao instituto verificar os números e efetuar as correções.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 Nota | 17:08

Plataformas são o principal destino de trabalhadores estrangeiros no Rio

Compartilhe: Twitter

O Brasil concedeu autorização para 70.524 estrangeiros trabalharem no País no ano passado.  O Rio perdeu para São Paulo a liderança que teve em 2008 e 2009.

No Rio, foram 24.897 autorizações concedidas no ano passado, segundo a Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho. Esse número vem aumentando desde 2009, quando foram dados 15.130 vistos de trabalho para estrangeiros.  Em São Paulo, no mesmo período, o número de licenças chegou a 33.392.

No Rio, a maioria dos estrangeiros vem dos EUA (4.478), das Filipinas (3.271), do Reino Unido (2.386), da Noruega (1.548), da Índia (1.406), da França (920), da Polônia (706), da Espanha (652), do Canadá (648) e da Holanda (599). Em seguida, entre a 11ª e 15ª colocação estão Rússia (557), Alemanha (533), China (487), Dinamarca (463) e Itália (420). Nos últimos quatro anos, EUA, Reino Unido e Filipinas estiveram à frente do ranking, alterando as posições.

Leia mais: “Vivo onde o resto do mundo tira férias”

Peculiaridades do Rio

O perfil do trabalhador estrangeiro que vem para o Rio tem particularidades e é diferente do tipo de profissional que vai para São Paulo, por exemplo. No Rio,  mais da metade das autorizações evidenciam a força do setor petrolífero e as expectativas em relação ao pré-sal, pois se referem a “trabalho a bordo de embarcação ou plataforma estrangeira”. Foram 14.853 vistos em 2011 (50.860 nos últimos quatro anos).

Justificativa para concessão de vistos para trabalhadores estrangeiros no Rio de Janeiro

Justificativa para concessão de vistos para trabalhadores estrangeiros no Rio de Janeiro

O Rio responde por 84% desse tipo de autorização concedida no ano passado em todo o Brasil. A maioria dos trabalhadores tem superior completo e são originários majoritariamente das Filipinas, Reino Unido, EUA, Índia e Noruega.

As outras situações em que vistos foram concedidos para estrangeiros que vieram trabalhar no Rio foram “Assistência Técnica por prazo até 90 dias; sem vínculo empregatício”, com 3.472 autorizações em 2011; e “Estrangeiro na condição de artista ou desportista, sem vínculo empregatício”, com 2.512.

Leia mais sobre Economia

Em São Paulo, por exemplo, o maior número de vistos também está relacionado ao setor naval, mas com uma diferença. Foram dados 14.455 autorizações para “Tripulante de Embarcação de Turismo, sem vínculo empregatício”.

Se em relação a concessão de vistos de trabalho para estrangeiros o Rio é o segundo maior beneficiário, no que diz respeito a investimento efetuados por estrangeiros como pessoa física, o Rio está em quinto lugar. Fica atrás de São Paulo, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Foram R$ 19.422.336,16.  Menos de 10% dos R$ 204 milhões em todo o Brasil registrados em 2011.

Autor: Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5
  6. 6
  7. Última