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segunda-feira, 2 de abril de 2012 Reportagem | 15:32

Bolsa Verde terá primeira transação comercial em junho, na Rio+20

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Instituída no final do ano passado, a BVRio (Bolsa Verde do Rio De Janeiro) deve fazer sua primeira transação comercial em 20 de junho, durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que será realizada na capital carioca.

A Bolsa Verde será o primeiro mercado de ativos ambientais da América Latina, negociando, por exemplo, créditos de carbono e reposição florestal entre empresas que tenham passivos ambientais com outras que tenham ativos ou possibilidade de comercializar superávits de metas ambientais.

Rio+20: Cúpula de Regiões discutirá criação de pactos

A idéia é dar um aspecto mais formal, mais eficiente e mais transparente para o comércio de ativos ambientais – algo que já existe, mas muitas vezes é feito de modo informal e sem muito controle.

A estreia da BVRio em junho provavelmente será algo mais simbólico, para coincidir com a Conferência da ONU, e, por causa da escassez de tempo até lá, deve ser feita em bases voluntárias.

A BVRio é uma iniciativa das secretarias municipal de Fazenda e estadual do Ambiente. E a bolsa faz parte da tentativa da prefeitura carioca para revitalizar o setor financeiro da cidade, esvaziado após o crash da bolsa da cidade em 1989. Recentemente a Direct Edge, terceira bolsa de valores dos EUA, anunciou que pretende abrir uma unidade no Rio. Contudo, a iniciativa deve encontrar alguns obstáculos. Entre eles, o fato de que a BM&FBovespa tem um programa de negociação de créditos de carbono.

Além disso, por trás da criação da BVRio há uma preocupação em incentivar uma atividade produtiva menos “suja”. Mas, segundo Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde, sem descuidar que todas essas regulamentações e regras ambientais acabem onerando demais as empresas e indústrias instaladas no Estado. “Não queremos que elas percam competitividade. A forma encontrada para fazer isso é estimular o próprio mercado”, afirma ela.

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A secretaria de Fazenda, Eduarda La Rocque explica que a ideia é transformar passivo ambiental em ativo ambiental.

Suzana dá um exemplo. Se uma empresa tem a obrigação de reflorestar uma área que foi desmatada para fazer uma rodovia ou um porto, mas outra empresa consegue fazer mais barato o reflorestamento dessa área, ela pode comprar de quem faz mais barato ou melhor. “Sempre terá alguém que consegue lidar com isso de uma maneira mais barata do que outros”, admite Suzana.

O que será negociado

Por enquanto a BVRio deve trabalhar com cinco ativos ambientais: créditos de carbono; créditos de efluentes industriais da Baía da Guanabara; créditos de reposição florestal relativos à Reserva Legal; créditos de reposição de supressão de vegetação; e créditos de logística reversa e reciclagem.

No caso de créditos de carbono, empresas que reduzirem suas emissões além dos limites estabelecidos poderão vender o excedente para aquelas que não conseguirem atingir as metas.

Os créditos de efluentes industriais seguirão o mesmo princípio, mas se limitarão às emissões de poluentes líquidos na Baía.

Já com a reposição florestal, quem tiver em sua propriedade uma área florestal superior à obrigatória (reserva legal) poderá vender certificados que cobrem o déficit de quem estiver com área inferior à obrigatória.

Créditos de reposição de supressão de vegetação serão negociados entre quem tiver utilizado matéria-prima florestal e empresas que façam o replantio.

Por último, o conceito de logística reversa e reciclagem diz respeito à obrigação legal de as empresas recolherem os produtos usados (e ou suas embalagens) para reciclagem ou para algum outro destino final mais adequado. Organizações especializadas nesse descarte podem vender os créditos para quem precisa do serviço.

Interesse da ONU

“Hoje em dia todo mundo fala em neutralizar as pegadas de carbono de um evento, de viagens de avião. Mas ninguém sabe direito onde estão esses créditos, neutralizou como. Muitas vezes a mesma área foi usada para várias finalidades. É algo muito nebuloso ainda”, reconhece Suzana.

Por isso a ideia de formalizar o processo. “Na bolsa você vai poder acompanhar com mais transparência. Nas planilhas, na sua frente, você sabe o que foi comprado, por quem, aonde. Vai estar tudo registrado. O próprio pessoal das Nações Unidas está interessado nisso”, diz Suzana.

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sexta-feira, 23 de março de 2012 Entrevista, Reportagem | 16:07

Rio+20: Cúpula de regiões discutirá criação de pactos em oito temas

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Para marcar os 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), realizada no Rio de Janeiro em 1992, a capital carioca irá sediar entre 20 e 22 de junho deste ano a Rio+20, a conferência da ONU que vai discutir a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Logotipo da Rio+20

Logotipo da Rio+20

Mas outros eventos paralelos irão ocorrer. A secretaria estadual de Meio Ambiente está focando seu trabalho na Cúpula Mundial de Regiões (World Summit of Regions), que será realizada no Rio no dia 19 de junho, às vésperas da Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável.

A ideia dessa cúpula é criar uma coalizão global com regiões subnacionais (estados, províncias, departamentos) que se comprometam com algumas metas relacionadas aos temas da Rio+20.

“Os estados regionais e províncias têm mais flexibilidade do que as nações para tomar decisões e implantar medidas. Qualquer acordo no âmbito das Nações Unidas é extremamente complexo”, avalia em entrevista ao iG Suzana Kahn, subsecretaria estadual de Economia Verde do Rio de Janeiro e que está coordenando os trabalhos relativos a Rio+20 no estado.

A história pouco conhecida do herói nacional da preservação

Ela admite que a dificuldade de adoção de metas “verdes” globalmente, pelos países, tem frustrado muita gente. Daí a necessidade de se incluir outras instâncias do executivo em que ações possam ser mais facilmente tomadas. O que não significa abandonar as discussões e tentativas de entendimento entre as nações. É simplesmente procurar atuar em um outro nível do executivo, menos rígido.

“Assim a gente começa um movimento de baixo para cima. E isso pode ajudar as nações a usar essas ações posteriormente”, afirma Suzana, que ocupa a vice-presidência do grupo mundial de cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007.

Energia suja e economia verde

Cada vez mais dependente financeiramente de uma energia “suja”, como petróleo e derivados, o Rio de Janeiro é o primeiro estado do País a criar uma subsecretaria de economia verde e também está coorganizando a Cúpula Mundial das Regiões.

A coalizão é iniciativa da nrg4SD (sigla em inglês para Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável) e já conta com mais de 60 representantes, que ainda vão se debruçar sobre o documento final. Alguns do participante, além do estado do Rio de Janeiro, são São Paulo; Quebec (Canadá); Aragão, País Basco, Catalunha, Ilhas Canárias, Cantábria (Espanha); Bavária e Baden-Wuerttemberg (Alemanha); Xangai (China); Maryland e Califórnia (EUA); Bretanha, Aquitânia, Île de France, Rhone-Alpes (França); Buenos Aires, Chaco, Santa Fé (Argentina), País de Gales (Reino Unido) e Burkina do Norte (Burkina Fasso).

Outras regiões subnacionais foram recentemente convidadas para aderir a essa coalizão. O nrg4SD – que vai participar também da reunião preparatória para a Rio+20, entre os dias 13 e 15 de junho.

Oito temas estão sendo discutidos entre os membros da coalizão para serem incluídos em um programa conjunto: redução de emissão de gases de efeito estufa; aumento de eficiência energética; acesso universal à educação básica; melhoria da qualidade da água; quotas de transporte limpo e eficiente; criação de novos postos de trabalho “verdes”; redução na geração de resíduos por unidade de PIB; composição de energia renovável na matriz energética.

Serão discutidas metas, a criação de novos indicadores e formas de monitoramento. Mas não há nada completamente fechado ainda. “Vai ter algo de energia renovável, por exemplo. O que estamos discutindo agora é qual o percentual, qual o ano base”, explica ela, que é subsecretaria.

Muitas vezes não são discussões simples. Além das metas é preciso criar mecanismo eficientes de monitoramento para aferir o cumprimento do que foi estabelecido. “Ter metodologias para avaliar o que há de verde no desenvolvimento econômico  não é algo trivial”, reconhece Suzana.

Os estados, as regiões, as províncias e os departamentos participantes se engajariam em algumas das metas dentro da necessidade ou possibilidade de cada um, não necessariamente em todas.

“Saneamento é uma das metas. Quebec não tem problema algum com saneamento. Ela optaria por alguma outra na listagem que vai ser discutida. Serão várias, de habitação, energia renovável, eficiência energética… Já em Burkina do Norte a falta de saneamento é um problema”, explica Suzana.

Uma das propostas feita pelo Estado de São Paulo é aumentar a quota de energia renovável (hídrica, biomassa, solar, vento, mar, geotérmica, marinha) tendo como base o ano de 2008 em 17% do total até 2030 e 27% do total até 2050.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Reportagem | 09:03

Governo do Estado infla número de moradores de comunidades pacificadas por UPPs

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Pela reconquista de territórios antes ocupados por traficantes e milicianos, as Unidades de Polícia Pacificadora são o carro-chefe do governo Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro. Em três anos foram instaladas 19 delas em algumas das favelas com maior presença desse poder paralelo na capital do Estado. A propaganda oficial afirma que são 344 mil moradores de 72 “comunidades pacificadas” atendidas pelas UPPs. Contudo, basta consultar os dados do Censo 2010, do IBGE, órgão encarregado oficialmente da contagem populacional no País, para constatar que o número real de habitantes é inferior.

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Nas 19 UPPs existem 71 favelas, de acordo com o IBGE. Nelas vivem 165.125 pessoas segundo os dados do Censo 2010 (veja a relação completa e o número de habitantes de cada uma no final do texto). Em toda a cidade são 763 favelas com 1.393.314 moradores. São os números mais recentes da maior e mais precisa contagem de população feita no Brasil.

Entenda como foi feito o cálculo usando os números do Censo

Isso significa que, de cada mil moradores de favelas na cidade do Rio, apenas 118 vivem em áreas pacificadas com UPPs. As próximas unidades já estão programadas. Serão Rocinha, provavelmente no próximo mês, e Complexo do Alemão, que segue ocupada por militares da Força de Ocupação das Forças Armadas.

Exemplos de erros

Os números de beneficiados divulgados pelo governo do Estado são errados. Algumas vezes para menos, é importante registrar. Na maioria, porém, o equívoco é para mais. Em certos casos os números do governo não têm qualquer conexão com a realidade. Principalmente os relativos às primeiras unidades instaladas.

É o caso da do Batan, que era dominada por milicianos na zona oeste e foi instalada em fevereiro de 2009 (mais de um ano antes de o Censo fazer sua pesquisa). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, são 45 mil pessoas atendidas nas “comunidades pacificadas” na área. De acordo com o IBGE, entretanto, o número de moradores em favelas lá mal alcança a um décimo disso: 4.601 pessoas. Se formos acrescentar a população que mora na área da UPP, mas não vive em favelas, chegaremos a pouco mais de 16 mil.

Na de Babilônia/Chapéu Mangueira, no Leme, na zona sul da cidade, o governo afirma que são 10 mil beneficiados nas duas “comunidades pacificadas”. Pelo Censo, no entanto, a primeira tem 2.451 moradores; a segunda tem 1.289, somando 3.740. Outras 135 pessoas que não moram nas favelas estão na área da UPP.

No caso da Santa Marta, em Botafogo, vizinha do Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, outro erro digno de nota. O governo diz que a comunidade tem 10 mil moradores. O Censo 2010 registrou 3.913 habitantes. Com a população “do asfalto”, no trecho contíguo à favela e na área da UPP, o número de pessoas pularia para cerca de 5 mil.

Policiamento especial

Para além do efeito de propaganda, o aumento da população atendida pelas UPPs cria um problema logístico, já que o número de habitantes é um dos principais fatores para se definir o contingente de policiais que ficará no local.

Essas áreas contam com um policiamento especial, feito em sua maioria por soldados recém-formados. Atualmente, o efetivo total das UPPs é de 3.992 homens. O que dá uma média de um PM para cada 41 habitantes das “comunidades pacificadas”, usando os dados do Censo 2010.

Se o programa fosse levado para todas as 763 favelas da cidade – e a proporção do efetivo fosse mantida em relação à população das comunidades – seriam necessários 33.688 policiais. Isso significaria praticamente multiplicar por dez o número atual, com o acréscimo de 29.696 homens.

Ex-coordenador de UPPs explica que número de moradores é apenas um fator para definir efetivo

O que é uma favela?

É importante explicar que o IBGE não usa a palavra favela, termo criado no Rio e que não se aplica a moradias carentes em toda a federação. Como os termos mudam de uma área para outra, o IBGE adotou uma definição técnica: aglomerado subnormal.

“É um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas… ), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; e carentes, em sua maioria de serviços públicos e essenciais”.

Essa definição, no entanto deixa de fora conjuntos habitacionais, mesmo aqueles em que vivem famílias com perfil sócio-econômico semelhante aos de favelas.

Sendo assim, as favelas da Cidade de Deus constam da contagem de “aglomerados subnormais” do IBGE, mas o conjunto que deu origem á área ficou de fora. Mas isso não explica a discrepância entre os números do IBGE e da Secretaria de Segurança Pública, que diz que a UPP atende 65 mil pessoas na “comunidade pacificada” da Cidade de Deus.

O Censo aponta 5.705 moradores nas nove favelas da região. A soma de todos os habitantes da área, incluindo o conjunto habitacional, chegaria a 45 mil pessoas.

No Batan também há um conjunto de fora. “O Ipê é ocupado por famílias muito pobres que perderam tudo em deslizamentos em chuvas recentes. Pode não ser considerado favela, mas as pessoas ali estão entre as mais necessitadas da área da UPP. Fazer essa distinção técnica é difícil. A gente policia tudo”, explica o tenente Juliano, subcomandante da UPP do Batan. De qualquer forma, o “tudo” policiado soma 16 mil pessoas. Muito diferente dos 45 mil informados pelo governo.

TOTAL DE MORADORES DE FAVELAS ATENDIDOS POR UPPs

São 165.125 pessoas* em 71 favelas reconhecidas pelo Censo 2010

1. Santa Marta: 3.913 moradores (em uma favela)

2. Cidade de Deus: 5.705 moradores (em nove favelas)
– Santa Efigênia: 1.843
– Travessa Efraim: 930
– Sítio da Amizade: 836
– Rua Moisés: 587
– Moquiço: 436
– Conjunto Vila Nova Cruzada: 398
– Vila da Conquista: 278
– Pantanal 1: 206
– Pantanal: 191

3. Batan: 4.061 moradores (em quatro favelas)
– Batan: 3.254
– Rua Duarte Coelho de Albuquerque: 806
– Vila Jurema 1: 359
– Vila Nova: 182

4. Babilônia/Chapéu Mangueira: 3.740 moradores (em duas favelas)
– Babilônia: 2.451
– Chapéu Mangueira: 1.289

5. Pavão-Pavãozinho: 10.338 moradores (em duas favelas)
– Pavão-Pavãozinho: 5.567
– Cantagalo: 4.771

6. Cabritos: 4.336 moradores (em três favelas)
– Morro dos Cabritos: 2.602
– Ladeira dos Tabajaras: 1.359
– Mangueira: 375

7. Providência: 4.889 moradores (em quarto favelas)
– Morro da Providência: 4.094
– Moreira Pinto: 326
– Pedra Lisa: 260
– São Diogo: 209

8. Borel: 12.812 (em seis favelas)
– Borel: 7.548
– Morro da Casa Branca: 2.539
– Morro do Cruz: 1.355
– Indiana: 887
– Morro do Bananal: 307
– Buraco Quente: 176

9. Formiga: 4.312 moradores (em uma favela)

10. Andaraí: 9.704 moradores (em seis favelas)
– Parque João Paulo II: 2.616
– Nova Divinéia: 1.976
– Arrelia: 1.972
– Andaraí: 1.760
– Jamelão: 944
– Borda do Mato: 436

11. Salgueiro: 3.345 moradores (em duas favelas)
– Salgueiro: 3.149
– Coréia: 196

12. Turano: 12.058 moradores (em dez favelas)
– Morro da Liberdade: 3.259
– Morro do Bispo: 1.978
– Matinha: 1.717
– Morro do Chacrinha: 1.177
– Sumaré: 925
– Rodo: 901
– Santa Alexandrina/Parque Rebouças: 686
– Pantanal: 612
– Vila Santa Alexandrina: 530
– Paula Ramos: 273

13. Macacos: 19.082 moradores (em duas favelas)
– Parque Vila Isabel: 14.007
– Macacos: 5.075

14. São João: 6.786 moradores (em três favelas)
– São João: 3.745
– Morro da Matriz: 1.552
– Morro do Quieto: 1.489

15. Fallet/Fogueteiro: 9.013 moradores (em cinco favelas)
– Morro da Coroa: 4.069
– Unidos de Santa Tereza: 3.780
– Ocidental Fallet: 749
– Luiz Marcelino: 254
– A.M. e Amigos do Vale: 161

16. Prazeres/Escondidinho: 5.065 moradores (em quarto favelas)
– Morro dos Prazeres: 2.136
– Morro do Escondidinho: 1.758
– Vila Anchieta: 854
– Vila Elza: 317

17. Complexo do São Carlos: 15.244 moradores (em cinco favelas)
– Catumbi: 5.790
– São Carlos: 5.784
– Azevedo Lima: 2.396
– Morro Santos Rodrigues: 1.006
– Rato: 268

18. Mangueira: 20.350 moradores (em oito favelas)
– Morro dos Telégrafos: 6.657
– Mangueira: 4.594
– Tuiuti: 3.263
– Parque Candelária: 2.229
– Marechal Jardim: 1.787
– Vila Miséria: 724
– Parque dos Mineiros: 668
– Rua Bartolomeu Gusmão: 428

19. Vidigal/Chácara do Céu: 10.372 moradores (em duas favelas)
– Vidigal: 9.678
– Chácara do Céu: 964

* Não estão contabilizados os moradores de áreas das UPPs que não vivem em favelas.

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Reportagem | 09:01

Como ter certeza do número de moradores de comunidades pacificadas?

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Chegar ao número de habitantes por favelas atendidas por UPPs não é difícil. Mas dá certo trabalho. A lista de comunidades listadas pela PM não bate com a cadastrada pelo IBGE e pelo Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da Prefeitura encarregado da produção e difusão de informações estatísticas, cartográficas e georreferenciadas do município. Um exemplo é o Morro da Liberdade, identificada pela PM como favela do Turano. Ou Fogueteiro, que o IPP e o IBGE só reconhecem como Unidos de Santa Tereza. Outro caso é a área que a polícia chama de  Morro da Mineira, que os outros dois institutos definem como Catumbi, na UPP São Carlos.

Governo do Rio infla número de moradores de comunidades pacificadas com UPPs

Primeiro foi preciso saber qual a delimitação exata de cada UPP e identificar todas as favelas incluídas em seus perímetros. Técnicos do IPP forneceram os mapas – que são usados pela PM. Cada mapa foi checado pessoalmente com os comandantes das UPPs. Inclusive para tirar as dúvidas quanto aos nomes divergentes usados pela polícia.

Coronel que coordenou UPPs diz que estimativas oficiais deveriam ser revistas

Tendo a área definida, e sabendo quais as favelas em cada UPP, o passo seguinte foi ir ao IBGE para checar a população. As áreas de favelas foram definidas pelo IBGE com ajuda das prefeituras em todo o País. Foi feito um levantamento prévio com uso de satélites para mapeamento.

“Na metodologia do Censo todos os aglomerados subnormais (termo técnico usado para definir favelas) são tratados de forma separada, com setores censitários próprios, o que possibilita um controle mais preciso dos dados daquela área, o que é importante para orientar políticas públicas e pesquisas acadêmicas”, explica Cláudio Stenner, responsável pela pesquisa dos aglomerados subnormais do Censo 2010. O IBGE dividiu o País em 316.574 setores censitários. Desses, 15.868 eram classificados como aglomerados subnormais.

Dificuldade para quantificar moradores fora de favelas

Se não é difícil saber com exatidão o número de habitantes de “comunidades pacificadas”, o mesmo não se pode dizer da contagem de moradores das UPPs que não vivem em favelas.

“Há uma dificuldade técnica que impede termos a mesma precisão”, afirma Cláudio. É que, ao serem criadas, as UPPs respeitaram os limites das favelas, que foram incorporadas integralmente às áreas com policiamento especial. Mas nem sempre o traçado das UPPs coincidiu com a divisão dos outros setores censitários feita pelo IBGE. Alguns foram cortados pelas bordas definidas pela Secretaria de Segurança Pública.

Com as informações divulgadas até agora pelo Censo 2010 não é possível desmembrar os setores censitários. Por isso, só é possível trabalhar com um número aproximado para saber qual a população total de cada área beneficiada por uma UPP.

Entretanto, mesmo que fossem incluídos na contagem os setores censitários parcialmente cobertos pelas UPPs, a população chegaria a pouco mais de 260 mil. Longe dos alegados 344 mil habitantes das “comunidades pacificadas”.

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Entrevista, Reportagem | 09:00

Ex-coordenador de UPP diz que números oficiais deveriam ser revistos

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Ex-vice-presidente do Instituto de Segurança Pública e ex-coordenador-geral das Unidades de Polícia Pacificadora, o atual chefe do Estado-Maior administrativo da PM do Rio, coronel Robson Rodrigues, afirma que os números apresentados pelo iG são “surpreendentes” e afirma que as estimativas de população atendida pelas UPPs deveriam ser revistas.

O coronel foi a pessoa indicada pelas assessorias da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e das UPPs para comentar a reportagem sobre os números de moradores beneficiados nas comunidades pacificadas. Ele salientou que não saberia explicar tecnicamente como foram estabelecidos os números de população atendida nas comunidades pacificadas com as UPPs. O coronel reconhece, no entanto, que são estimativas anteriores ao Censo 2010.

Saiba como foi feito o cálculo do número de moradores das comunidades pacificadas

“Esses números que você está me trazendo são os do Censo. E a pesquisa censitária é a melhor que tem. É necessário fazer as correções”, avalia o coronel Robson, que foi o responsável pela coordenação, controle e preparação doutrinária e operacional das UPPs, bem como pelo planejamento de instalação de novas unidades.

População atendida é um dos fatores para definir efetivo

Ele lembra também que o número de habitantes de uma área não é o único dado importante para se definir como será feita a ocupação e qual o efetivo policial a ser empregado. “Essa é uma das variáveis. Mas levamos em consideração outros fatores, como os aspectos geográficos e sócio-econômicos, o tipo de dominação do poder paralelo, por exemplo”, explica ele.

O coronel Robson, entretanto, afirma que o foco das UPPs não é apenas as favelas e ressalta que elas nem mesmo são mencionadas em seu decreto de criação (decreto 42.787 de 6 de janeiro de 2011). E que o importante no projeto das UPPs é a reconquista do território.

Segundo o decreto, as áreas que devem receber as UPPs são “aquelas compreendidas por comunidades pobres, com baixa institucionalidade e alto grau de informalidade, em que a instalação oportunista de grupos criminosos ostensivamente armados afronta o Estado Democrático de Direito”.

Com relação a uma revisão das estimativas de moradores nas “comunidades pacificadas”, o coronel Robson salienta que as UPPs são responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública, que é munida de informações e dados estatísticos pelo ISP. Caberia ao instituto verificar os números e efetuar as correções.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Entrevista, Reportagem | 10:01

Os últimos cem anos de artes plásticas no Brasil em 186 obras

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Das paredes de agências bancárias espalhadas pelo País, de saguões, escritórios e salões do Itaú, 186 obras de 137 artistas – representativas dos últimos 100 anos de artes plásticas no Brasil – foram reunidas no Paço Imperial, no centro do Rio.

"O Impossível", escultura em bronze de Maria Martins está exposta no pátio do Paço

Um dos locais com mais história no País, o Paço Imperial recebe a mostra “1911-2011 Arte Brasileira e depois, na Coleção Itaú”, um recorte impressionante, amplo e abrangente, de um dos mais importantes acervos de obras nacionais.  É quase um quem é quem das artes plásticas no Brasil. Vai de Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Portinari e Di Cavalcanti até Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Ernesto Neto e Tunga, passando por Iberê Camargo, Cícero Dias, Maria Martins, Volpi e Samson Flexor.

E o local escolhido para exibir um acervo tão precioso está à altura. Foi no Paço, a primeira sede administrativa no País, que D. Pedro I teve o seu dia do Fico, em que avisou que preferia continuar aqui a se mandar para Portugal. Foi no Paço que a Lei Áurea de abolição da escravatura foi assinada. Lá também funcionou a Casa da Moeda. Era lá que D. João VI despachava quando chegou ao Brasil fugindo de Napoleão. E o prédio ainda serviu de local de trabalho e residência eventual para os dois imperadores brasileiros, que lá tiveram suas aclamações populares após as coroações. Em uma de suas salas ocorriam as cerimônias de beija-mão.

Escultura de aço cromado sem título de Lygia Pape em primeiro plano, com telas de Cícero Dias e Samson Flexor ao fundo

Escultura de aço cromado sem título de Lygia Pape em primeiro plano, com telas de Cícero Dias e Samson Flexor ao fundo

Após ficar fechado no ano passado para uma reforma estrutural – que permitiu o acesso do público a áreas que estavam restritas –, o Paço reabre com a mostra do Itaú. Uma das coleções mais representativas do País, ela começou a ser formada há 60 anos e conta com 3.600 peças de todos os principais movimentos da arte nacional.

Remoção impossível

O recorte da exposição é um panorama que cobre a evolução da produção artística brasileira durante os últimos cem anos. O marco inicial é um óleo sobre cartão “A Pequena Aldeã”, de Lasar Segall, de 1911, que abre a mostra. Vai até manifestações mais recentes, como instalações e arte digital. Há inclusive aquisições de obras produzidas em 2011. A mais recente é “Vermelho Grace Jones”, de Rodolpho Parigi.

O curador responsável pela mostra, Teixeira Coelho, crítico de arte e curador-diretor do Masp, diz que a exposição apresenta as obras mais marcantes da coleção Itaú, com poucas exceções. Do que ficou de fora, algumas não entraram por questões físicas (em uma das sedes do banco ficou um amplo painel do Portinari, de remoção impossível); outras pelo risco no transporte (uns pequenos pães de argila de Carlos Fajardo); ou por não se encaixarem na narrativa da mostra proposta por Teixeira Coelho.

Não há um percurso cronológico rígido, embora ele esteja presente. “A narrativa que eu proponho tem menos a ver com os canais e trilhos habituais da história da arte e mais com uma forma como os próprios artistas veem a arte”, afirma.

Divisão em seis grupos

São seis seções com algumas subdivisões: A Marca Humana; Irrealismos; Modos de Abstração; A Contestação Pop, Na Linha da Ideia; e Outros Modos, Outras Mídias.

“A Pequena Aldeã” abre o primeiro módulo, que apresenta obras com figuras humanas como tema. É onde estão os “Seringueiros”, de Portinari, e o autorretrato de Pancetti.

As tendências e movimentos estão lá. Mas nem sempre com o nome mais óbvio. Essas pequenas subversões ocorreram onde, segundo Teixeira Coelho, a pressão do rótulo não fosse muito forte. É o caso da produção surrealista, cuja seção ganhou outro nome: “juízo jocoso”. “É uma forma de se apresentar ao mundo e ver a arte através do riso”, justifica.

“O Brasil nunca teve uma produção surrealista muito forte. Mas a arte pop feita aqui foi muito diferenciada, com uma vertente mais política do que a dos EUA, onde nasceu”, afirma ele.

A obra "Palíndromo Incesto (Três Dedais)", de Tunga, vem com um aviso de que elementos em sua composição podem "causar prejuízo aos portadores de marcapassos e válvulas cardíacas não biológicas e para aqueles cuja saúde pode ser afetada por emissões eletromagnéticas. Recomendamos que pessoas nestas condições mantenham distância mínima de 1 m da obra"

Inspirada em objetos da cultura de massa, como quadrinhos e embalagens de produtos, a arte pop tem uma seção sua, com obras de Rubens Gerchman e Paulo Brusky, no grupo Contestação Pop.

Outras vertentes e movimentos influentes estão presentes. Caso da arte concreta. “Foi uma tendência internacional e foi muito forte no Brasil, com várias décadas de atraso”, avalia Teixeira Coelho. Seus representantes estão em Modos de Abstração.

Diversidade artística

Busto do escritor Mário de Andrade feito pelo escultor Bruno Giorgi. Ao fundo, maquetes de Portinari para o mural "Ciclo Econômico"

Não há um fio condutor na mostra. “Ainda bem. São vários vetores que orientam. A coleção é um retrato da diversidade da produção artística brasileira no último século”.

Para Teixeira Coelho, aliás, o grande traço da arte atual no Brasil é a diversidade. “Hoje não há uma proposta única. Mas não havia isso há 60 anos, nas primeira bienais em São Paulo”.

A preocupação com uma linguagem ou temática nacional também foi deixada de lado, embora fosse presente nas obras de artistas mais antigos. Caso de Tarsila do Amaral e do gaúcho Vasco Prado, com seu interesse regionalista.

Como é difícil que apenas uma coleção cubra de forma igualmente significativa um período tão extenso,  há algumas lacunas pontuais. “O que está na coleção não é o mais representativo do Hélio Oiticica e da Lygia Pape”, reconhece o curador.  Dos mais novos e com apelo para um público mais amplo a ausência que mais chama atenção é a de Vik Muniz. Mas das novas safras e com reconhecimento internacional estão Adriana Varejão, Beatriz Milhazes e Cildo Meireles, por exemplo.

A exposição pode ser vista de terça a domingo, das 12h às 18h, e se encerra em 12 de fevereiro.

"Menino Pescando", acrílico sobre tela de Beatriz Milhazes

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 Reportagem | 09:30

Impressões de um penetra no Fashion Rio

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“Abram caminho e saiam da frente! Estou com celebridades!”. A ordem parte de uma jovem produtora de preto, cabelos curtos pretos e grandes óculos redondos pretos saindo do rosto. Escoltando duas moças vestidas de branco – altas, jovens e bonitas -, ela fura a fila de entrada para um desfile da edição de inverno do Fashion Rio 2012, no Pier Mauá, no centro da cidade.

“Quem são essas aí?”,  ouve-se alguém perguntar na fila das “não celebridades”. Ninguém sabe. Até que alguém arrisca. “Acho que uma é a nova miss Brasil, não é não?”. Era. Priscila Machado, a namorada do nadador Cesar Cielo.

Cena de um desfile do Fahion Rio 2012

Plateia de um desfile do Fashion Rio 2012

Do lado de dentro, em uma das salas de desfile – 24 grifes, ao todo -, os fotógrafos se acotovelam em frente à primeira fileira, onde fica o topo de cadeia alimentar do mundo da moda: as principais editoras e consultoras, e as celebridades convidadas para servirem de isca para a imprensa que cobre o assunto (e com isso as marcas ganham mídia gratuita). No momento, o motivo de tanto empurra-empurra é uma ex-BBB e algumas atrizes iniciantes.

A chegada de um pequeno grupo causa burburinho. Dessa vez não são os fotógrafos que correm, mas as jornalistas de moda que se levantam para beijar a mão de uma senhora. “Quem é?”, pergunto. “É a nossa condessa”, me explicam de forma condescendente.  Trata-se de Georgina Brandolini d’Adda, acompanhada da filha, Bianca (uma “it girl”, ou lançadora de tendências), e uma entourage. Nascida no Brasil, casada com um conde italiano, Georgina é figura do jet set internacional. Mas há quem se lembre dela pela ação de despejo movida contra o músico João Gilberto.

Clichês de carioquice

Em outro desfile, a espera do começo, o burburinho na audiência quase encobre o som ambiente, uma sucessão de clássicos do rock anos 90, como “Creep” e “Wonderwall”, transformados em uma versão edulcorada de música de elevador.

Com 40 minutos de atraso, as luzes se apagam. Os seguranças tiram o pano que protege a passarela. É hora do show. Vinte e sete modelos desfilam embaladas por Lana Del Rey (“a”cantora moderninha da vez) e Brigitte Bardot remixada. Um observador mais condescendente veria bailarinas de Degas evoluindo na passarela. Um menos condescendente prefere a imagem de galgos sem coleira trotando no catwalk.

Em silêncio, a plateia, enfeitada de jovens atrizes como Tainá Muller e Maria Ribeiro, reage como se assistisse a um jogo de tênis em câmera-lenta. Todos os rostos se viram devagar para um lado seguindo o caminhar de uma modelo até o fim da passarela; e então os pescoços se viram para o outro para acompanhar a próxima. A partida dura sete minutos cronometrados. E – será que ninguém pensou nisso antes em um evento no Rio? – termina ao som de uma regravação de “Girl from Ipanema”. No quesito originalidade combina com a sandália tipo Havaianas, o brinde oferecido por uma grife ao pessoal da primeira fileira.

‘Ai, que horror!’

Um terceiro desfile aposta em um inverno chuvoso. Inspirado no vestuário sessentista de aeromoças, a marca apresenta uma coleção de roupas que parecem emborrachadas. “É vaqueta”, me explicam. “Tem verniz e vinil também”, como se eu soubesse a diferença.

Do lado de fora, no longo caminho que margeia os galpões onde ocorrem os desfiles, o público também é personagem. Meninas produzidas fazem caras e bocas para fotógrafos. Telões mostram os desfiles – ao vivo ou em repetições. O colunista Bruno Astuto passa por um que mostra uma modelo seminua evoluindo na passarela. “Ai, que horror!”, berra como se tivesse tomado um susto.

Um punhado de rostos levemente conhecidos interpreta jornalistas. “Carlinhos de Jesus agora entende de moda…”, desdenha uma editora de moda ao ver o dançarino falando para uma câmera.

O boato do dia

Entre os jornalistas e especialistas no mercado de moda, a agitação fica menos pelos desfiles e mais pelo boato do dia: a venda da Osklen, uma marca que se esforça em reproduzir o espírito de Ipanema em camisetas. O boato, na verdade, é antigo, mas ganha força nos bastidores do desfile. As pessoas se aproximam para dizer que ela já foi vendida para a Alpargatas. Um diz que foram só 60%.

“A gente vai ser o primeiro a dar”, comemora uma repórter. Outra se irrita e diz que o furo é dela. O colunista Bruno Chateaubriand ironiza. “Se você perguntar aqui, todo mundo sabe disso”, diz ele com gestos largos para enfatizar o “todo mundo”.

O dono da grife, Oskar Metsavath, ironiza. “Não tem nada fechado. Estou em negociação com algumas empresas. Mas pode publicar isso. Publica que eu aproveito e vendo pelo dobro”. Cinco minutos depois, o diretor de marketing da marca aparece para desmentir a venda.

É que, além de desfiles mais ou menos inspirados e de celebridades de todos os quilates, a moda é uma atividade econômica importante. Toda a cadeia produtiva representou 3,7% do PIB brasileiro em 2010 (2,6% do estadual). As duas feiras de negócio realizadas ao mesmo tempo em que o Fashion Rio (o Fashion Business e o Rio-à-Porter) esperam superar o R$ 1,3 bilhão.

Para ficar de pé, só o Fashion Rio e o Rio-à-Porter contaram com 8.500 pessoas. As modelos são uma parcela pequena, 150 apenas. Quantos jornalistas nacionais e estrangeiros? Foram 1.500 credenciados. Fora os penetras sem crachá, como eu.

Champanhe e pizza

Alguns editores de revistas estrangeiras circulavam pelo Pier Mauá sem demonstrar muito entusiasmo. “Você acha que eles se importam com isso aqui? Eles vem para fazer social e por causa das festas”, explica uma jornalista habituée dos desfiles.

A parte da entrada do Fashion Rio é ocupada por uma fila de lounges, de patrocinadores, ou de veículos especializados. Todos com fila na porta de bicões tentando entrar. Em um deles, jornalistas batem suas notas bebericando flutes de champanhe enquanto um DJ coloca um som.

Surpresa mesmo, na primeira vez em um semana de moda com modelos esquálidas, só uma: a pizzaria na área de alimentação. Ficou cheia.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011 Reportagem | 12:48

Angu Duro, Pata Choca, Shangrilá e outros nomes curiosos das favelas cariocas

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Shangrilá, quem diria, existe de verdade e não fica nas cordilheiras do Himalaia, mas na Taquara, em Jacarepaguá, na zona oeste carioca, e tem 835 habitantes. Também não é um paraíso idílico escondido, mas sim uma das 763 favelas da cidade do Rio, a cidade com maior número de pessoas vivendo nesse tipo de moradia em todo o País.

O Censo 2010 do IBGE divulgou as primeiras informações sobre favelas e similares – definidos pelo instituto como “aglomerados subnormais”. O interessante é observar o nome com que muitas delas foram batizadas. E o cruzamento com outros bancos de dados revelam curiosidades. Há homenagens a políticos, novelas, banqueiro do bicho, animais, áreas da cidade e até a um maestro de ópera. Muitos nomes têm origens inusitadas.

Comunidades com animais são muitas: Águia Dourada, Araras, Beco da Coruja, Beco do Carcará, Beco do Rato, Formiga, Jacaré, Jacarezinho, Caracol, Bacalhau, Cabritos, Macacos, Urubu, Pavão-Pavãozinho. Até o piolho foi lembrado, dando nome a uma favela em Jacarepaguá.

E sem se desviar do tema zoológico, existem duas favelas batizadas de Castor de Andrade, falecido banqueiro do bicho fluminense. Ambas em Bangu, área de atuação maior do contraventor, que foi presidente do time do bairro.

Monarquia, República e política

Existem três com nomes derivados da monarquia. Temos um Barão, uma Baronesa e um Visconde de Sabóia. Há denominações mais republicanas. Dois ex-governadores foram eternizados. Há o Beco do Brizola (em Paciência), e uma comunidade Negrão de Lima, perto do viaduto em Madureira que leva seu nome. E dois presidentes foram lembrados. Tancredo Neves foi duas vezes (em Bangu e no Jacarezinho). E há um Parque João Goulart, em Manguinhos, onde também existe uma comunidade com o nome do sanitarista Carlos Chagas. Chico Mendes deu nome a dois “aglomerados subnormais”. Sobra até para músicos. Existe o Conjunto Ataulfo Alves.

E mesmo longe de Washington o Rio também tem uma Casa Branca, que fica na Tijuca e foi recentemente pacificada.

Certos batismos evidenciam uma orientação ideológica. Força do Povo, em Anchieta, foi fruto de uma ocupação feita por cem integrantes do MTT (Movimento dos Sem Teto e Sem Terra) na década de 90. Ou a Ocupação Olga Benário Prestes, em Campo Grande, mais recente.

Mas nomes politizados são minoria. Novelas são uma constante no batismo de ocupações irregulares. E de todas as épocas. Cambalacho, surgiu em 1987. Na década anterior foi criada a Te Contei. E nos anos 90 foi a vez de Torre de Babel e Uga Uga. Há também um Parque Criança Esperança e uma favela Pica Pau Amarelo.

Dom da ubiquidade

Nomes religiosos são bem mais frequentes: Espírito Santo, Deus é Vida, Cosme e Damião, Fé em Deus, da Fé, Nova Canaã… Há também um Parque João Paulo II e uma Vila dos Crentes.

E Santos e Santas para quase todas as devoções. Às vezes replicados. Nossa Senhora da Conceição são três. Aliás, o que não falta é Nossa Senhora… da Penha, de Fátima, da Apresentação, da Guia, da Glória, das Graças, da Paz. E temos Jardim São Bento; Loteamento São Sebastião; Morro São João, São José e Santa Marta.

Santas temos Alexandrina (duas vezes), Anastácia, Mônica, Clara (duas), Efigênia, Luzia, Maria, Maura, Rosa e Terezinha. E com santos há espaço para os mais obscuros. Usaram São Carlos, Diogo, Gomário (aparentemente seria o santo dos casamentos em crise, para quem se interessar), Gonçalo do Amarante (que é beato, não é santo), Francisco de Assis, Jerônimo, Jorge (duas), Miguel, Miguel Arcanjo, Pedro; Santo Amaro, Antônio (duas), André, Jorge (outras duas).

Um caso à parte é São Sebastião que, mais do que outros, tem o dom da ubiquidade no Rio. Além de padroeiro da cidade – que leva seu nome na certidão de batismo – , ele comparece em um loteamento, um morro e uma vila.

Angu Duro e Pata Choca

Com origem em time de futebol existe a Barreira do Vasco, colada ao campo de São Januário, em São Cristóvão. Ela foi formada por soldados que retornaram da Segunda Guerra Mundial sem ter onde morar. O terreno acabou desapropriado pelo então presidente Getúlio Vargas na década de 50.

Sentimentos e conceitos são sempre lembrados. Há morro da Liberdade, da Esperança, do Sossego, do Amor e do Adeus; e vilas Progresso, Harmonia, Paz e União, por exemplo.

Alguns nomes são otimistas. Além de Shangrilá, temos uma Vila Paraíso, uma Porta do Céu, uma Vila do Céu, uma favela Pedacinho do Céu e uma Céu Azul. Outras não douram a pílula, como exemplificam uma Vila Vintém, uma Vila Miséria,

Nomes esquisitos são muitos. Tem Angu Duro, instalada no Itanhangá desde a década de 30; Cachorro Sentado, que surgiu de um sítio no Recreio dos Bandeirantes. Duas levam o nome de Final Feliz. Também há Fubá, Querosene, Gari, Mata Quatro, Pata Choca, Pretos Forros, Sanatório, Buraco Quente; Faz Quem Quer.

Mas talvez o mais inusitado nome de comunidade no Rio seja Maestro Arturo Toscanini, em homenagem ao regente italiano de fama mundial que iniciou a carreira quase que por acaso no Theatro Municipal. Tem 185 moradores e fica no Tauá, na Ilha do Governador.

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sábado, 17 de dezembro de 2011 Reportagem | 09:16

Búzios lidera ranking de homicídios no Rio; Paraty está em quarto

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Se hoje estivesse atrás de sossego e privacidade, como há quase 50 anos, Brigitte Bardot provavelmente não colocaria os pés em Búzios. Não só pela pequena e tranquila vila de pescadores que a atriz francesa praticamente colocou no mapa ter se transformado em um dos destinos turísticos mais movimentados do País, com a infraestrutura sobrecarregada nos meses de férias. É que esse pequeno balneário fluminense se transformou também em uma das cidades onde mais se mata no Brasil. Foi a cidade com maior número de homicídios per capita entre as 92 do estado do Rio de Janeiro entre 2008 e 2010.

Com cerca de 27 mil habitantes, o município de Armação dos Búzios (seu nome completo) figura em 46º na listagem nacional de número de homicídios. São 71,2 mortos por 100 mil habitantes. Pouco menos da metade da campeã desse ranking macabro, Simões Filho, na Bahia, com 146,4 por 100 mil habitantes.

Essa informação faz parte do “Mapa da Violência 2012″, levantamento feito pelo Instituto Sangari com dados do Ministério da Saúde, que compila os registros de óbitos em todo o território nacional.

Para efeito de comparação, a chance de ser morto em Búzios é praticamente a mesma de em Honduras, país da América Central que sofre com a atividade de cartéis de drogas e onde, segundo o governo dos EUA, o “crime é endêmico”. Por lá a média de assassinatos em 2010 foi de 82 por 100 mil habitantes, segundo dados de um estudo da ONU divulgado recentemente. A média global no ano passado, aliás, foi de 6,9 por 100 mil (embora nem todos os países façam parte do levantamento ou tenham estatísticas confiáveis).

Paraty e Cabo Frio entre as mais violentas

Segundo especialistas, a região dos Lagos, onde Búzios fica, é área de atuação de traficantes, inclusive com disputa de território. O consolo para Búzios é que o número de homicídios decaiu sensivelmente nesses três anos. Passaram de 26 em 2008, para 21 em 2009 e 12 no ano passado.

Localizada a 165 km ao norte da capital, Búzios está à frente de cidades da Baixada Fluminense, tradicionalmente violentas. É o caso da segunda do ranking no estado, Duque de Caxias, na região metropolitana, com 67,1 mortos por 100 mil.

Para mostrar que o problema não se restringe a Búzios, mas afeta toda a região dos Lagos, também ficam lá os municípios em terceiro e o quinto lugar entre aqueles com o maior número de homicídios entre 2008 e 2010.

O terceiro é Cabo Frio – outra cidade turística. É o 66º da listagem nacional, com 65,1 assassinatos por 100 mil. É bom lembrar que, até 1995, Búzios era um distrito de Cabo Frio.

A quinta mais violenta do estado surge na 150ª posição nacional. É Macaé, a 75 km de Búzios, que tem experimentado um crescimento populacional grande em função do boom da exploração do petróleo (50,9 por 100 mil).

Entre as duas está uma outra importante cidade turística. Paraty, sede da Flip, é a 89ª, e registrou 60,5 homicídios por 100 mil habitantes no período.

Cadáveres a menos

Se olharmos o estado como um todo, o levantamento do “Mapa da Violência 2012” revela alguns pontos positivos. Entre 2000 e 2010 a taxa de homicídio juvenil caiu 49,4%. Foi de 107,7 por 100 mil habitantes para 54,5. Ainda é alta. Hoje isso significa que um jovem entre 15 a 24 anos tem o dobro de chances de morrer assassinado no Rio – já que a taxa geral de homicídios no estado é de 26,2 por 100 mil. Essa é, por coincidência, a mesma do Brasil. E pela primeira vez desde 1980 a taxa do Rio não é superior a nacional.

A capital, que chegou a liderar as estatísticas como a com maior número de homicídios per capita do Brasil, passou a ser a quinta menos violenta em 2010. São Paulo é a menos violenta entre as 27 – o que o responsável pela pesquisa, Julio Jacobo Waiselfisz, considera uma reversão digna de nota. Campo Grande, Palmas e Florianópolis são as seguintes (as duas últimas com números ascendentes entre 2000 e 2008).

É importante notar que, no caso do Rio, os números apresentam discrepância em relação aos usados pelas autoridades estaduais, que são baseados no ISP (Instituto de Segurança Pública). Segundo esses dados ocorreram 4.768 homicídios (além de 50 lesões corporais seguidas de morte, 156 latrocínios, 545 encontro de cadáveres e 28 encontro de ossadas). Essas informações têm, como origem, os boletins de ocorrência policial.

O número apresentado no “Mapa da Violência” é significativamente inferior.  São 575 cadáveres a menos. Foram contabilizados 4.193 homicídios. São dados preliminares oriundos dos registros de óbito passados pelas secretarias de Saúde municipais para as estaduais – que encaminham para o ministério da Saúde.

“Esse é o instrumento legal brasileiro que testemunha a causa da letalidade”, afirma Waiselfisz, justificando ao iG a escolha da fonte da pesquisa. “Nas certidões de óbito as mortes são anotadas como agressão intencional. Não há distinção entre homicídio e latrocínio, por exemplo, porque, para esse registro, o motivo não importa, só a causa mortis”, explica ele.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011 Reportagem | 12:31

‘Álbuns de família’ expõe a privacidade de políticos poderosos do acervo do CPDOC

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Se de perto ninguém é normal, como disse Caetano Veloso, isso serve para o oposto, de perto ninguém é tão anormal ou diferente assim. Mesmo políticos poderosos, polêmicos, ou até ditadores, têm lá seus momentos prosaicos de ternura, doçura ou singeleza na intimidade, como revela a exposição “Álbuns de Família – A vida privada no acervo CPDOC”, no Espaço Cultural FGV (Rua da Candelária, 6, no Centro do Rio).

Tancredo Neves (no centro, à direita) fantasiado no carnaval

Tancredo Neves (no centro, à direita) fantasiado no carnaval

A exposição é um mergulho na iconografia guardada pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, o maior do País, que abriga mais de 1,8 milhão de documentos e cerca de 200 arquivos pessoais de homens públicos.

Organizada por Mônica Almeida Kornis, responsável pelo setor audiovisual do CPDOC, e por Regina da Luz Moreira, a exposição conta com material de acervos de alguns presidentes, como Getúlio Vargas, João Goulart, Costa e Silva, Ernesto Geisel e Tancredo Neves. Mas também usa fotos de políticos não tão expressivos, como embaixadores, governadores e ministros.

A mostra está dividida em três partes: “Retratos de família”, com fotos mais convencionais, muitas posadas em estúdio; “Lazer”, com imagens de viagens e férias; e “Comemorações”, com registros de cerimônias marcantes, como casamentos, batizados ou aniversários”.

O presidente Ernesto Geisel nadando no mar do Havaí

O presidente Ernesto Geisel nadando no mar do Havaí

Alguns flagrantes inusitados chamam a atenção. Principalmente dos personagens mais conhecidos. É o caso do ex-presidente Ernesto Geisel no mar do Havaí, ou de Tancredo Neves, ainda criança, fantasiado em um baile de carnaval. Ou do sisudo general Costa e Silva recebendo um beijo carinhoso da neta.

Entre ex-presidentes, Getúlio Vargas e sua família têm um destaque maior. É dele um dos principais acervos da instituição, juntos com os de Tancredo, do ex-ministro Gustavo Capanema e do ex-chanceler Azeredo da Silveira.

Ulisses Guimarães com Ruth Marinho (então mulher de Roberto Marinho) em Angra dos Reis

Ulisses Guimarães com Ruth Marinho (então mulher de Roberto Marinho) em Angra dos Reis

Alimentando as emas e de sunga azul

A exposição revela um olhar pouco usual para a intimidade do poder. Dos principais governantes brasileiros, o único que fez questão de mostrar sua vida privada de forma constante e oficial foi Luiz Inácio Lula da Silva. O fotógrafo da Presidência, Ricardo Stuckert, teve acesso franqueado à intimidade de Lula e de sua família.

Em oito anos de poder não faltaram registros de atividades prosaicas de Lula, como dar comida aos peixes e emas do Palácio da Alvorada com uma camiseta do Vasco; deitado na grama abraçado à cadela de estimação, Michele; trocando afagos com a primeira-dama, Maria Letícia; e fantasiado de caipira na famosa festa junina que costumava promover na Granja do Torto.

Algumas fotos devem ter enlouquecido os diplomatas encarregados do cerimonial e preocupados com o protocolo do cargo. Afinal, não há liturgia que resista a um presidente submerso vestindo apenas uma sunga azul como o flagrante captado na Praia de Atalaia em Fernando de Noronha.

Mas Lula é um político diferente dos demais. Não só por isso, claro. Outros governantes brasileiros se deixaram mostrar em momentos privados, mas nenhum com tamanho grau de evasão de privacidade. A divulgação de registros tão íntimos, entretanto, acabam por ajudar a compor a imagem pública desses personagens.

Muitas vezes tais flagrantes tinham um objetivo político. Um caso famoso, certamente, é o de Fernando Collor, que costumava fazer suas corridas dominicais vestindo camisetas com slogans.

Cartão de natal e sombrinhas no cemitério

Na exposição do CPDOC, contudo, ambos estão de fora. Seus acervos não fazem parte da instituição. “Álbuns de Família”, foca nos diversos aspectos da vida privada de homens públicos que atuaram no cenário político brasileiro pós-1930”. Entretanto, a despeito do texto de apresentação, personagens pré-revolução de 30 não foram esquecidos.

Familiares de Quintino Bocaiúva visitam seu túmulo em 1913, no primeiro aniversário de sua morte

Familiares de Quintino Bocaiúva visitam seu túmulo em 1913, no primeiro aniversário de sua morte

É o caso de Quintino Bocaiúva, que foi o primeiro ministro das Relações Exteriores após a proclamação da República, em 1889, e foi presidente do Estado do Rio de Janeiro no início do século passado. Um bairro do Rio, aliás, foi batizado em sua homenagem. Em exibição está uma foto de 11 de junho de 1913. Sua família visita seu túmulo no primeiro aniversário de sua morte – com todos os membros vestidos de preto e as mulheres com sombrinhas para proteger do sol posando circunspectos para um fotógrafo.

Nesse registro, como em vários outros, não há homens públicos nas fotos, mas familiares. Como no caso dos netos do marechal Odílio Denys, ex-ministro da Guerra e expoente do golpe de 1964, sentados em uma escada em um cartão de boas festas de 1980. Ou nas fotos de Alzira e Getúlio Vargas Filho curtindo o carnaval em Poços de Caldas em 1935, quando o pai era presidente.

É interessante perceber também – e isso é ressaltado pelas organizadoras – a maneira como evoluiu com o passar do tempo a relação dos fotografados com a câmera. Das poses duras em estúdio até flagrantes descontraídos.

Sem contexto

Eis aí, entretanto, a nota fora de tom da exposição. Há maior preocupação em discorrer sobre a evolução técnica da fotografia do que em explicar o momento captado, sua importância, ou mesmo quem é o retratado. Como se o público comum soubesse quem foram Agamenon Magalhães (interventor e governador de Pernambuco e ministro da do trabalho e da Justiça entre as décadas de 30 e 50), Cordeiro de Farias (participante do movimento tenentista na década de 20, da revolução de 30, interventor no Rio Grande do Sul e governador de Pernambuco), ou Temístocles Cavalcanti (ex-ministro do STF), para citar alguns. Afinal, personagens mais conhecidos como presidentes da República estão em minoria.

Para uma instituição que tem como fundamento a preservação da memória e trabalha com a divulgação de informações sobre a história contemporânea do País soa como uma falha.

Mônica Kornis discorda e explica que essa nunca foi uma preocupação na feitura da exposição. “Não pensamos nisso. Isso privilegiaria menos a questão privada e mais a dimensão política dessas figuras. Não importa tanto saber se o personagem era um ministro, presidente ou um governador, mas sim fazer um recorte da vida privada, independente de quem eram”.

E diz que a ideia da mostra foi justamente preencher uma lacuna. “Temos um conjunto grande de imagens nos nossos arquivos e seu uso é centrado na trajetória política dos homens públicos. O aspecto relativo à vida privada é secundário nas pesquisas da casa e de fora”.

O presidente Getúlio Vargas abraça o pai, Manuel do Nascimento Vargas (com o irmão, Viriato, à direita),

O presidente Getúlio Vargas abraça o pai, Manuel do Nascimento Vargas (com o irmão, Viriato, à direita)

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