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quarta-feira, 7 de novembro de 2012 Nota, Resenha | 12:31

Livro conta a criação do Rio e o que São Paulo tem a ver com isso

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Pedro Doria já gostou de uma coisa errada. Até escreveu sobre o assunto e ganhou algum dinheiro com isso. Mas, aparentemente, tomou jeito. Descobridor de Bruna Surfistinha quando estava no site NoMínimo, o editor executivo de O Globo, voltou há pouco mais de um ano ao Rio, onde nasceu. Teve um exílio breve em terras paulistanas e nos EUA quando trabalhava em O Estado de S. Paulo. Ao voltar ao Rio, colocou em prática um sonho antigo, escrever um livro sobre a cidade em que nasceu.

Ele acaba de lançar “1565 – Enquanto o Rio Nascia” (editora Nova Fronteira). É seu quinto livro. Além de “Eu Gosto de Uma Coisa Errada” (ed. Ediouro), de 2006, com reportagens sobre sexo, ele também publicou “Manual para a Internet” (ed. Revan), de 1995, considerado o primeiro sobre o tema no Brasil.

Capa do livro "1565 - Enquanto o Brasil Nascia", de Pedro Doria (foto: reprodução)

Capa do livro "1565 - Enquanto o Brasil Nascia", de Pedro Doria (foto: reprodução)

A ideia do livro sobre o Rio havia surgido ainda no apagar das luzes do século passado, em um breve momento em que Pedro esteve longe das redações.

Ele narra o início da história da cidade, e quanto de sua implantação se deve a integrantes da família Sá: Mem de Sá; Estácio de Sá (o fundador oficial); Salvador Corrêa de Sá, o Velho; Martim de Sá; Salvador Corrêa de Sá e Benevides. Todos governaram o Rio no seu primeiro século de vida, alguns mais de uma vez.

Pedro diz que não descobriu fatos novos, não há pesquisa inédita, que ele apenas compilou o que é conhecido, às vezes quase desconhecido ou esquecido, e deu um tratamento jornalístico ao que apurou. Assim, além de relatar a gênese do Rio, ele conta diversas histórias curiosas e esclarece a origem de algumas coisas importantes para a compreensão do que se tornou a cidade 450 anos mais tarde.

A começar pela falta de cuidado com a própria memória. “A região do Castelo, no Centro, leva o nome do morro onde a cidade se fez, mas, para nós, é só o Castelo. Não há um marco imponente para dizer quantos viveram, quantos morreram, por que demoliram. Não há sequer placa para dizer que ali houve um morro posto abaixo. No morro da Glória, lá está a igreja do Outeiro, simpática, mas não há lembrança de Estácio, Aimberê ou da aldeia Uruçumirim. Ali foi o cenário de uma batalha sangrenta que definiu a fundação da cidade. Se os portugueses tivessem perdido aquela batalha, como perderam tantas outras, não haveria Rio”.

Eis algumas das histórias levantadas por Pedro, que é um amigo e ex-colega de NoMínimo.

“O Rio nasceu para que São Paulo sobrevivesse”
É uma tese controversa e que Pedro lança logo na primeira página do prefácio e repete ao longo do livro. Leitores de O Globo baixaram o sarrafo na ideia de que o Rio nasceu conquistado e fundado por paulistas. Pedro conta que Estácio de Sá arregimentou em São Paulo a tropa que foi expulsar os franceses que haviam ocupado o Rio e iniciado um assentamento com ajuda dos índios locais. “Os homens que caíram mortos ao lado de Estácio, naquela batalha inicial, eram quase todos paulistas que tinham um inimigo comum: os tupinambás que atacavam suas fazendas e cidades.”

Pelo que está escrito no livro, há uma outra leitura, não destacada pelo Pedro. A primeira coisa que o grupo amealhado em São Paulo para expulsar os franceses fez ao chegar ao Rio foi destruir tudo. O que pode explicar que a picuinha entre habitantes de Rio e São Paulo vem de longe.

A violência está no DNA da cidade
Era uma guerra atrás da outra. Não raro descambando para a selvageria e barbárie. Antropofagia era o forno de microondas por essas bandas no século 16. A carnificina marcou a conquista da terra pela tropa de Estácio de Sá, em janeiro de 1567, na batalha de Uruçumirim, a principal aldeia. “Os índios todos foram dizimados. Suas cabeças, cortadas, fincadas em estacas, tamanho o ódio que por eles nutriam os europeus. Uruçumirim foi posta em chamas”.

Bendita violência
Era tanta violência que nem os religiosos ficavam de fora do vandalismo. Pedro conta que os carmelitas estavam entre “os mais afeitos à porrada”. “A cada vez que passava um bando carregando um caixão, saíam os monges e seus escravos, porretes à mão, para descer lambadas e dispersar o povo. Quase todo enterro era assim”.

Tráfico é coisa antiga
O tráfico era atividade essencial à vida na cidade no século 17. O de escravos, bem entendido. Os escravos chegavam ao Rio e eram revendidos para outras colônias e até para trabalhar nas minas de Potosí, na Bolívia.

Origem do carioca
No bairro do Flamengo, entre as ruas Princesa Januária e Senador Eusébio, atrás do Morro da Viúva e a 400 metros do monumento a Estácio de Sá, teria sido erguida a Casa de Pedra, a primeira construção no molde europeu a ser erguida no Rio no início do século 16. Diz uma lenda que os índios acharam ela tão diferente que lhe deram o nome de “carioca”, casa de branco.

Por que Flamengo?
Foi no Flamengo que os franceses, antes de serem expulsos pelos portugueses e por paulistas, criaram a cidade de Henriville, homenagem ao então rei francês, Henry IV. O bairro do Flamengo, aliás, ganhou esse nome porque teria abrigado uma comunidade de holandeses no Brasil colônia.

A fortaleza francesa
Nicolas de Villegagnon, o navegador que liderou a experiência da França Antártica, erigiu um forte em uma pequena ilha na Bahia de Guanabara não longe do continente. Era lá que ele ficava. O forte Coligny foi destruído e não deixou vestígios. A ilha está ainda lá. Ganhou o nome do francês e sedia a Escola Naval, da Marinha. Está praticamente colada ao aeroporto Santos Dumont.

Apelidos de pessoas que viraram nomes de lugares
Quando chegaram para expulsar os franceses, os primeiros colonos portugueses se assentaram no pedaço de terra entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão, que ganhou esse nome por conta do apelido dado a um sujeito que recebeu as terras. O bairro de Botafogo ganhou esse nome porque as terras haviam sido dadas a um sujeito que era artilheiro de uma expedição. Era quem acendia os canhões.

Tabaco
O padre franciscano André Thevet, que integrou a expedição de Villegagnon, ao voltar à França levou sementes de algo que os índios chamavam “petum”. Outro francês, o embaixador em Portugal, Jean Nicot, iria difundir o uso da “Nicotiana tabacum”.

Si tu vas à Rio…
O Rio nasceu cosmopolita. Sua fundação e colonização não foi obra apenas de portugueses. Era gente de todo mundo… franceses, ingleses, holandeses, espanhóis. Não é de hoje que os estrangeiros que aqui chegam, logo se aculturam. “Salvador Corrêa de Sá, segundo governador do Rio, sucessor de seu primo Estácio, falaria nhengatu fluentemente. A língua da terra. Que seria a língua de seus filhos e netos”.

Lerê, Lerê
A Praça XV, no Centro, já era importante no passado. Mas tinha outro nome: largo do Polé. É que desde 1926 ali ficava o polé, um tronco onde os condenados eram amarrados para serem açoitados.

Pagador de promessa
A Igreja da Penha nasceu da promessa de um capitão de milícia, Balthazar Cardoso, que foi picado por uma cobra e sobreviveu. Pôs na igrejinha que ficava no morro mais alto de sua propriedade uma imagem de Nossa Senhora da Penha. Até hoje é visitada por pagadores de promessa, que sobem a loooonga escadaria de joelhos.

Censo pré-IBGE
Em 1587 a cidade tinha 3.850 habitantes: 750 europeus, 3 mil índios e 100 negros. Nesses 425 anos sua população cresceu 1.642 vezes.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Nota | 22:59

Adiada a abertura do Museu de Arte do Rio

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Não será em novembro que o Rio vai ver o MAR. A aguardada abertura do Museu de Arte do Rio na zona portuária foi adiada para março. O espaço que já foi ocupado por sem-tetos pouco antes do início da reforma estava com a inauguração prevista para o próximo mês.

Fachada do MAR (Museu de Arte do Rio), que será aberto em março na zona portuária (Foto: divulgação)

Mas uma reunião na terça-feira da direção e do curador do espaço, Paulo Herkenhoff, com galeristas e gente do mercado anunciou a mudança. O museu que contará a história da cidade e terá um acervo permanente e mostras temporárias está sendo feito com a Fundação Roberto Marinho em parceria com a Prefeitura. A previsão é que o espaço receba até 200 mil visitantes por ano.

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A nova data será em março, para coincidir com o reinício das aulas no calendário escolar e a entrada em operação da Escola do Olhar, que será a parte educativa do projeto, capacitando professores da rede pública e mostrando a arte como um instrumento pedagógico.

Veja video mostrando como ficará o MAR

O MAR vai ocupar prédios de características bem distintas: o Palacete Dom João VI, de estilo eclético do início do século 20; e a construção modernista dos anos 40 que abrigou algumas delegacias policiais na Praça Mauá, no Centro do Rio. Serão 11.240 metros quadados de área construída em uma área total de 2.300 metros quadrados.

Como ficará a parte de cima do MAR (Foto: Divulgação)

Beneficiando-se dos pés direitos altos, o MAR, propriamente, ficará abrigado no palacete, que já está com sua fachada recuperada. O prédio da polícia sediará a Escola do Olhar. No topo haverá uma praça suspensa. O espaço ainda terá bar – e um bistrô no térreo. Será nesse edifício que ficará a administração. Os pilotis, antes ocupados por um terminal rodoviário, virarão um grande foyer. Foi construída uma passarela suspensa no alto, ligando os dois prédios. E uma cobertura ondulante, feita de isopor industrial hiper resistente por um artesão do salgueiro, emula o movimento do mar.

Nova zona portuária

A cargo do escritório Bernardes + Jacobsen Arquitetura, o projeto surge dentro da grande renovação prevista para essa área, porta de entrada da cidade para quem chega de navio.

A revitalização da zona portuária carioca é um dos maiores projetos em curso no País. Nas últimas décadas, com seus galpões abandonados, sem investimento público, a região era mal utilizada comercialmente e residencialmente. A nova fase começou com obras de valorização do espaço público no Morro da Conceição, um dos pontos onde a cidade nasceu

A transformação inclui a derrubada do elevado da Perimetral, que serpenteia acima da Avenida Rodrigues Alves. A área também receberá o Museu do Amanhã, assinado pelo espanhol Santiago Calatrava, que será um museu científico high tech; e está prevista a construção de um aquário com a ambição de ser o maior da América Latina, com 12 mil animais.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012 Entrevista, Nota | 08:13

Zona sul fez Rio de Janeiro ser a capital nacional da abstenção

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Entre todas as capitais do País, a do Rio de Janeiro teve o maior índice de abstenção no primeiro turno eleitoral. Foram 965.214 eleitores que deixaram de ir às urnas: 20,45%. Nenhum outro dos 25 estados onde houve eleição teve um índice tão alto. No Brasil, a média foi de 16,41%.

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No caso do Rio, a abstenção foi maior até do que a votação do segundo colocado, Marcelo Freixo (PSOL), que teve 914.082 votos. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi reeleito por 2.097.733 eleitores, ou 64,60% dos votos válidos – a maior votação para um candidato a prefeito em um primeiro turno na cidade. Os votos nulos (8,48%) e brancos (5,03%) chegaram a 507.323, também acima da média nacional.

Entre as capitais, o Rio ficou a frente de Salvador, na Bahia (19,93%), São Luís, no Maranhão (19,36%) e Vitória, no Espírito Santo (19,34%). Maceió, em Alagoas, registrou o maior comparecimento. Apenas 8,50% do eleitorado faltou. Nas três cidades, ao contrário do Rio, a eleição não foi decidida e será realizado um  segundo turno. A abstenção na capital carioca foi maior do que a média no Maranhão, o estado com mais alto índice no geral (19,62%). No geral, o eleitor compareceu menos nas capitais do que no interior (faltou 17,46% contra 16,11%). Foi mais assíduo nas cidades pequenas. Nos municípios com menos de 20 mil eleitores foi registrado o menor índice de abstenção: 12,74%.

No Estado do Rio, a capital também se destacou. Percentualmente, somente as pequenas Porciúncula e Miracema (ambas com 20,47%) tiveram mais ausências.

Copacabana, a campeã da abstenção

De acordo com um levantamento feito pelo iG com base nos dados oficiais do TRE-RJ, das dez zonas eleitorais da cidade que registraram menor comparecimento, nove ficam na zona sul carioca e uma no centro. A campeã é a 18ª, em Copacabana, com 31,92% de faltantes. A segunda também fica lá. É a 205ª, com 31,51%. Das que tiveram maior abstenção, outras três são no bairro, duas ficam no Jardim Botânico, uma em Laranjeiras e uma no Catete. A da região central fica na Saúde.

Para o cientista político da PUC-Rio Cesar Romero, autor do livro “A Geografia do Voto nas Eleições para Prefeito e Presidente nas Cidades do Rio de Janeiro e São Paulo: 1996-2010”, o menor comparecimento de eleitores na zona sul não chega a ser uma surpresa. Mesmo antes de saber a distribuição geográfica dessa abstenção, ele apostava na zona sul.

“Na zona oeste popular, na Leopoldina e na Central a abstenção é mais baixa. mas o voto válido é menor, com mais nulos e brancos”, diz ele, que analisou as últimas oito eleições na cidade. Segundo ele, os bairros da metade sul, próximos da orla, como Barra, Copacabana, Leblon e Ipanema, têm um perfil mais conservador. É onde o voto válido é maior, e a abstenção também.

Romero explica que esse eleitor de classe média, com mais escolaridade, tem mais dinheiro e maior possibilidade de viajar. “Já o da zona oeste popular, por exemplo (como Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Jacarepaguá), tem menos dinheiro, não tem casa fora e migra menos também”.

No primeiro turno da eleição carioca, todas as dez zonas com menor índice de abstenção ficam na zona oeste. Nessa lista, a primeira é a 120ª em Campo Grande, com 14,54% de faltantes. Das outras nove, mais duas ficam em Campo Grande, quatro ficam em Santa Cruz, duas em Bangu e uma na Taquara.

Ausência de candidato conservador forte

É interessante notar que no segundo turno da eleição municipal de 2008 – a apertada disputa entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) –  também ficou marcado pelo baixo comparecimento dos eleitores. Paes venceu por 55.225 votos e a abstenção chegou a 20,25%. Na época, aliados de Gabeira chegaram a atribuir a derrota à antecipação do dia do funcionário público pelos governos estadual e municipal. O “feriadão prolongado” teria estimulado viagens.

Agora, em 2012, Romero destaca dois outros fatores que podem ter contribuido para o baixo comparecimento às urnas no primeiro turno. O primeiro é que, desde o ínicio da campanha, nenhum adversário chegou a ameaçar a hegemonia de Paes. Ele liderou com ampla folga todas as pesquisas de intenção de voto. “Todo mundo sabia que o Eduardo Paes iria ganhar e isso pode ter desestimulado os eleitores”.

O segundo fator foi a ausência de um candidato de perfil mais conservador que realmente atraísse esse eleitorado. O próprio Eduardo Paes, na avaliação de Romero, também tira votos na esquerda, até pela chapa com o PT. “A direita no Rio ficou órfã e não se sentiu representada por nenhum candidato”, afirma o cientista político da PUC-Rio. “Para esse eleitorado mais conservador o Freixo não era uma opção. O Otávio Leite e a Aspásia não tem nenhum carisma. E muitos rejeitaram a chapa Rodrigo Maia e Clarice Garotinho por causa dos pais, o Cesar Maia e o Anthony Garotinho. A união deles foi uma soma que subtraiu”.

Onde a abstenção foi maior na cidade do Rio

1. Zona Eleitoral nº 18 (Copacabana) – 31,92%
2. Zona Eleitoral nº 205 (Copacabana) – 31,51%
3. Zona Eleitoral nº 1 (Saúde) – 30,83%
4. Zona Eleitoral nº 5 (Copacabana) – 30,49%
5. Zona Eleitoral nº 206 (Copacabana) – 29,58%
6. Zona Eleitoral nº 165 (Jardim Botânico) – 29,54%
7. Zona Eleitoral nº 252 (Copacabana) – 28,70%
8. Zona Eleitoral nº 17 (Jardim Botânico) – 28,31%
9. Zona Eleitoral nº 3 (Laranjeiras) – 27,96%
10. Zona Eleitoral nº 163 (Catete) – 27,54%

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012 Nota | 13:09

Três locais do Rio marcantes na Independência do Brasil

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Por convenção, comemora-se a Independência do Brasil em 7 de setembro. A data foi fixada alguns anos depois do ocorrido. Marcaria o dia em que D. Pedro I, às margens do Ipiranga, em São Paulo, teria dado seu brado famoso. Inicialmente, o 7 de setembro não era comemorado por ninguém. Nem mesmo por D. Pedro I, que não deu qualquer importância ao episódio. Foi um símbolo construído posteriormente, atendendo a conveniências políticas. Não é à toa que o quadro retratando o momento histórico só foi pintado décadas mais tarde por Pedro Américo, que nem era vivo quando o fato ocorreu.

Nos primórdios, o marco da Independência era em outro dia e local. A celebração ocorria em 12 de outubro, aniversário de D. Pedro I e data da sua aclamação como imperador no Campo de Santana, no centro do Rio de Janeiro.

Então capital do Brasil colônia, o Rio foi a primeira capital do País e berço de diversos momentos importantes da história nacional. Na Independência não seria diferente. Abaixo, três locais ainda de pé e testemunhas de episódios fundamentais no processo de separação de Portugal.

Aclamação de D. Pedro I como Imperador do Brasil no Campo de Santana, no Rio, por Debret (reprodução)

Paço Imperial

Nos bancos escolares todos aprendemos a frase dita pelo então príncipe regente, D. Pedro I, ao descer do muro e escolher um lado no que ficou conhecido como Dia do Fico: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

Foi a reação dele às grandes pressões que sofria. De um lado, a corte portuguesa e os deputados portugueses que, exigiam seu retorno imediato a Lisboa, e queriam que o Brasil, então um Reino Unido, voltasse ao status de colônia. De outro, a elite local, que desejava a emancipação política e econômica de Portugal e lhe entregou um abaixo-assinado com 8 mil assinaturas pedindo sua permanência.

Foi no dia 9 de janeiro de 1822. Segundo as imagens oficiais do episódio teria ido até a sacada para confraternizar com o povo. Com a declaração de Independência, aliás, o Paço mudou de nome e de cor. De Real, passou a ser denominado Imperial. E o prédio foi pintado de amarelo, a cor do Império. Foi lá também que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravatura no País, em 13 de maio de 1988. Hoje é um centro cultural.

Campo de Santana

É a maior área verde do centro do Rio. Até o século 17 fazia parte de um descampado pantanoso. Foi usado para despejo de lixo até a chegada da corte portuguesa em 1808. Com a construção do 1º Quartel Militar da cidade, nas proximidades, o Campo de Santana se transformou em área de manobras e exercícios para os militares.

E, mais importante, por ser um grande espaço no meio do centro da cidade, era utilizado para grandes festas públicas, como a aclamação de D. Pedro I, em 12 de outubro de 1822. A cena foi imortalizada pelo pintor e desenhista francês Jean Baptiste Debret em seu livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”. D. Pedro I está na varanda de um palacete, com a então Casa Da Moeda ao fundo, aceitando o título de imperador. Figuras importantes também estão retratadas, como a imperatriz Leopolidina, a filha Maria da Glória (posteriormente rainha Maria II, em Portugal) e José Bonifácio, então ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino do Brazil e Estrangeiros. A partir dessa época ele passou a ser conhecido como Campo da Aclamação.

Posteriormente, a mando de D. Pedro II, foi construído um parque com projeto do paisagista e botânico francês François Marie Glaziou e do engenheiro Francisco José Fialho, entre 1873 e 1880. Com traçado sinuoso, lagos e cascatas artificiais, seguia o estilo de parques parisienses, como o Monceau e o Buttes Chaumont. Nos anos 40, a abertura da avenida Presidente Vargas, cortando o centro da cidade, cortou um pedaço do parque e do projeto original de Glaziou.

O nome atual teve origem na Igreja Nossa Senhora de Santana, construída no início do século 18.

Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

Historicamente é a igreja mais importante do País, principalmente após a chegada de D. João VI e da corte fugindo das tropas napoleônicas que invadiram Portugal. Construída em 1761 e fincada na rua Primeiro de Março, a igreja fica a poucos metros do então Paço Real – basta atravessar a rua. Elevada à condição de catedral, foi lá o réquiem pela morte de D. Maria I.

Como capela real, ela serviu para a sagração de um rei, para a coroação de D. Pedro I e D. Pedro II. E para o casamento dos dois. A sagração de D. João VI como rei de Portugal, Brasil e Algarves foi a única sagração de um rei europeu no continente americano. Afinal, o Brasil foi a única ex-colônia sede do reino.

D. Maria II, rainha de Portugal, D. Pedro II, e a princesa Isabel foram batizados na igreja.

Em 1º de dezembro de 1822 D. Pedro I foi coroado e consagrado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. O pintor francês Jean Baptiste Debret imortalizou a cena em um célebre quadro, de 1828, hoje no Palácio Itamaraty, em Brasília. Na ocasião, a capela real passou a ser imperial.

A igreja ainda guarda parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral.

Cerimônia de coroação de D. Pedro I na igreja da Antiga Sé, por Debret (reprodução)

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012 Nota, Reportagem | 12:23

SP ainda está melhor do que o Rio em matéria de crimes letais

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Uma série de crimes na cidade de São Paulo colocou o governo paulista na berlinda. Principalmente por ações que envolveram a participação de policiais. Estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostraram que o número de homicídios na capital cresceu 21,57% na comparação entre o primeiro semestre de 2012 e o mesmo período do ano passado.

O secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, admitiu que o estado vive uma “escalada de violência”. Entre os episódios recentes mais notórios estão a morte do bancário italiano Tomasso Lotto, os assassinatos do empresário Ricardo Aquino, as mortes de César Dias de Oliveira e Ricardo Tavares da Silva, arrastões em restaurantes e a execução do delegado da polícia civil Paulo de Paula na marginal Tietê.

O Ministério Público Federal chegou a pedir a troca do comando da PM e cogitou pedir a intervenção federal no Estado para conter a violência.

O coordenador nacional do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Rildo Marques de Oliveira, disse que o governo paulista “não conseguiu encontrar uma forma adequada de fazer uma política de segurança pública com cidadania”.

No Rio, a situação é inversa. Há um elogio praticamente unânime à política da Secretaria de Segurança Pública no estado, principalmente com a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas da capital carioca. Os índices de crimes, notadamente homicídio, vem caindo de forma constante.

Números do Rio são piores

Entretanto, basta comparar as estatísticas de segurança pública relativas ao primeiro semestre de 2012 divulgadas pelos dois governos para ver que as impressões de controle no Rio e de descontrole em São Paulo são exageradas.

É verdade que, no primeiro semestre, alguns índices importantes tiveram piora significativa em São Paulo e melhora no Rio, em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, se comparados, os números em São Paulo ainda são muito melhores do que os do Rio. Um estudo com números de 2010, aliás, mostrava que, entre as 27 capitais estaduais, São Paulo é a que tinha menor número de homicídios percentualmente.

“São Paulo está há 10 anos diminuindo a criminalidade. No que diz respeito à violência letal, a diferença a favor de São Paulo é sem dúvida muito grande ainda. Se pudéssemos trocar com São Paulo, faríamos um grande negócio”, afirma o sociólogo Ignácio Cano, professor do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que acaba de publicar um estudo sobre as UPPs.

Para cada carro roubado no Rio, quatro são levados em São Paulo

No primeiro semestre de 2012 foram registrados 655 homicídios dolosos na capital carioca. Em São Paulo foram 622 no mesmo período. É bom lembrar que o número de habitantes em São Paulo é 78% maior, o que faz com que a relação paulistana de homicídios por 100 mil habitantes seja ainda menor. Pelo Censo 2010 são 11.244.369 moradores na capital paulista e 6.323.037 na fluminense.

Em outros índices importantes o resultado também é menos favorável ao Rio. Percentualmente, no primeiro semestre do ano, houve mais estupros, mais tentativas de homicídio e de homicídios culposos no trânsito no Rio.

Na comparação com o Rio, São Paulo também foi mais eficiente em armas apreendidas (+133%) e nas prisões efetuadas em flagrante e por mandato (+181%).

Se São Paulo está melhor do que o Rio no que diz respeito a crimes letais, o mesmo não se pode dizer em relação a crimes contra o patrimônio. No primeiro semestre se roubou muito mais veículos e carga na capital paulista. Para cada carro roubado no Rio foram levados quatro em São Paulo. Foram 23.028 só nos primeiros seis meses de 2012.

“As pessoas avaliam o momento. É natural. E hoje a conjuntura é desfavorável a São Paulo e favorável ao Rio. Mas a perspectiva deles ainda é melhor. O Rio ainda tem muito o que fazer para chegar aos índices de São Paulo. Se continuar nesse ritmo, talvez , em 5, 6, 7 anos o Rio chegue à situação de São Paulo hoje”, avalia Ignácio Cano.

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quinta-feira, 26 de julho de 2012 Nota | 12:05

Fotógrafo da Magnum lança ‘novela visual’ ambientada no Rio

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David Alan Harvey é um fotógrafo norte-americano renomado mundialmente. Pertence aos quadros da agência Magnum – a famosa cooperativa fundada por Henri Cartier Bresson e Robert Capa – é colaborador frequente da National Geographic, do New York Times, já expôs no Moma e ganhou o prêmio de fotógrafo do ano pela National Press Photographers Association em 1978. Também é o criador e editor da Burn Magazine, uma publicação online que mostra o seu trabalho e o de fotógrafos emergentes. Mas em sua página no Facebook ele se define como “fotógrafo, mentor, editor e agente secreto”.

Pois o último trabalho de DAH é dedicado ao Rio de Janeiro, uma de suas paixões. “(based on a true story)” (editado pela BurnBooks) é um ensaio diferente sobre a cidade. É uma novela visual que se passa no Rio, mas não é sobre o Rio. Virou livro de arte. Mas antes foi um projeto online de crowfunding (com o nome de “The Rio Book”). Bryan Harvey, seu filho, fez um belo e curto vídeo (em inglês) mostrando DAH trabalhando no projeto e em que ele fala da importância da conexão de um fotógrafo com o tema de seu trabalho.

E conta que há dois tipos de fotógrafos, aqueles que olham pela janela para o mundo e aqueles que olham para o espelho. “E para mim. Estar no Rio, com certeza, é olhar para o espelho”, diz DAH.

Aqueles que contribuíram com projeto enquanto ele estava sendo feito podiam acompanhar a feitura do trabalho e poderiam comprar o livro a um preço mais em conta, pois a obra não pode ser considerara barata. São 600 cópias numeradas, impressas na Itália em papel Fedrigoni Splendorgel Extra White 160gr. Os preços variam. Os primeiros exemplares foram vendidos a US$ 95. Os últimos saem a US$ 192.

Imagens do livro "(based on a true story)", do fotógrafo norte-americano David Alan Harvey (reprodução)

No livro, DAH mostra vários Rios. Vai dos bailes de gala do Copa até o subúrbio de Coelho Neto. De um treino do Bope na favela Tavares Bastos a prosaicos salsichões na chapa de algum ambulante. E há imagens de rapazes jogando altinho, de crianças antes do desfile de Carnaval, dos arredores do Sambódromo, de comércio popular e de jovens armados e com drogas em vielas de uma favela.

A primeira capa traz a imagem do desenho das pedras portuguesas no calçamento da praia de Ipanema. No interior do livro, as imagens, mesmo quando abordam clichês (como as garotas de biquini na praia, cerimônias religiosas de origem africana, a beleza natural da cidade), vão além deles.

Um outro vídeo dá uma mostra de como é “(based on a true story)” e como sua “leitura” não é necessariamente linear. “Há mais de uma maneira de ler esta novela”, avisa DAH em um cartão-postal em anexo. Há um jogo entre as imagens, como se ela interagissem umas com as outras.

Não há quase texto. As imagens estão ali para interpretação de cada um. Um livro que pode ser descontruído e construído novamente (como não tem costura, aliás, as páginas são destacáveis). É um quebra-cabeça que pode ser montado de diversas formas.

Harvey passou dois anos e meio fotografando a cidade para criar “uma narrativa de inspiração jornalistica”. Que ele mesmo chama de “novela”. Ele diz que se inspirou no jornalista gonzo Hunter S. Thompson, e nos cineastas David Lynch e Joel e Ethan Coen para a atmosfera do trabalho. Certamente em suas fotos do Rio há um quê de féerico e de hiper-realista.

Ele é autor de outros livros: “Tell It Like It Is”, Living Proof”, “Cuba: Island at a Crossroad” e “Divided Soul”. E parte desse seu trabalho sobre o Rio deve ser editado e publicado na edição de outubro da National Geographic nos EUA (onde já publicou mais de 40 ensaios).

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domingo, 8 de julho de 2012 Nota | 07:54

A mística do Fla-Flu em 11 lances de Nelson Rodrigues

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Hoje, como definiu Lamartine Babo na letra do hino do Flamengo, é dia de “ai, Jesus”. É dia de Fla-Flu. Mas não um qualquer. É o do centenário.

Se o Flamengo nasceu de uma dissidência do Fluminense, quando nove jogadores do time das Laranjeiras deixaram o clube para fundar o futebol no clube de regatas, a rivalidade do clássico foi crescendo aos poucos. Os principais responsáveis foram dois irmãos: o jornalista Mário Filho e o dramaturgo Nelson Rodrigues.

Leia a cobertura especial do iG sobre o Fla-Flu centenário
Relembre os 10 maiores clássicos do Fla-Flu
A rivalidade em números
Famosos tomam partido em rivalidade centenária

Rubro-negro, Mario inventou o termo Fla-Flu em 1933. Tricolor, Nelson escreveu crônicas e cunhou diversas frases e expressões que ajudaram a tornar o embate o mais famoso da história do futebol brasileiro.

Não me atrevo a fazer um prognóstico sobre o jogo do centenário. Afinal, como já disse Nelson, no Fla-Flu acontecem coisas que escapariam a vidência até de um Maomé, até de um Moisés de Cecil B. de Mille.

Leia, abaixo, onze exemplos de frases de Nelson sobre o jogo:

“O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram.”

“Um dia, houve uma dissidência no Fluminense. Eu gostaria de saber que gesto, ou palavra, ou ódio deflagrou a crise. Imagino bate-bocas homicidas. E não sei quantos Tricolores saíram para fundar o Flamengo. Hoje, nos grandes jogos, o Estádio Mário Filho é inundado pela multidão rubro negra. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Eis o que eu pergunto: – Os gatos pingados que se reuniram, numa salinha imaginavam as potencialidades que estavam liberando?.”

“Vejam como, histórica e psicologicamente, esse primeiro resultado seria decisivo. Se o Flamengo tivesse ganho, a rivalidade morreria, ali, de estalo. Mas a vitória tricolor gravou-se na carne e na alma flamengas. E sempre que os dois se encontram é como se o fizessem pela primeira vez.”

“Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo. E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os irmãos Karamazov do futebol brasileiro.”

“Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia.”

“Desta coluna, eu já fiz um apelo aos tricolores, vivos ou mortos. Ninguém pode faltar ao Maracanã domingo. Incluí os fantasmas na convocação, e explico: a morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos. Em certos clássicos, cada adversário arrisca o passado, o presente e o futuro. Precisamos pensar nos títulos já possuídos. Ai do clube que não cultiva santas nostalgias. Com os torcedores de hoje e os fantasmas de velhíssimos triunfos: ganharemos o mais dramático Fla-Flu de todos os tempos.”

“O tricolor é o melhor, foi o melhor, teve mais time. Mas há, claro, uma campeão oficial, que é o Flamengo. E, aqui, abro um capítulo para falar da alegria rubro-negra, santa alegria que anda solta pela cidade. Nada é mais bonito do que a euforia da massa flamenga. À saída do estádio, eu vi um crioulão arrancar a camisa diante do meu carro. Seminu como um São Sebastião, ele dava arrancos medonhos. Do seu lábio, pendia a baba elástica e bovina do campeão.”

“Amigos, a humildade acaba aqui. Desde ontem o Fluminense é o campeão da cidade. No maior Fla-Flu de todos os tempos, o tricolor conquistou a sua mais bela vitória. E foi também o grande dia do Estádio Mário Filho. A massa “pó-de-arroz” teve o sentimento do triunfo. Aconteceu, então, o seguinte: — vivos e mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas e os mortos de suas tumbas. E, diante da platéia colossal, Fluminense e Flamengo fizeram uma dessas partidas imortais.”

“Eu queria dizer que o Fla-Flu apaixona até os neutros.”

“Cada jogo entre o Fluminense e o Flamengo parece ser o maior do século e será assim eternamente.”

“O Fla-Flu, já me dizia o meu irmão Mário Filho, o Fla-Flu é um jogo para sempre, não é um jogo para um século, um século é muito pouco para a sede e a fome do Fla-Flu.”

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quinta-feira, 5 de julho de 2012 Nota | 17:32

Sexo, religião, pitangas e outras curiosidades nos 120 anos de Copacabana

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Copacabana faz 120 anos nesta sexta-feira. O batismo de sua urbanização é a abertura do Túnel Velho (oficialmente Alaor Prata), em 6 de julho de 1892, quando foi possível ir de Botafogo para Copacabana sem ter que subir os morros que isolavam a região. O túnel foi aberto pela Companhia Jardim Botânico, de bondes, não sem muita discussão entre seus acionistas, contrários a que “se gastasse tanto para levar os trilhos da companhia a um areal onde só havia araçás e pitangas”.

Para convencer os cariocas a percorrerem o trajeto, entre muitos estratagemas, a empresa apelava até para quadrinhas impressas nos versos dos bilhetes de bonde.

“Pedem vossos pulmões ar salitrado
Correi, antes que a tísica os algeme,
Deixai do Rio o centro infeccionado,
Tomai um bonde que vá dar ao Leme…

Graciosas senhoritas, moços chics,
Fugi das ruas, da poeira insana:
Não há lugares para pic-nics
Como em Copacabana…”

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Mais de um século depois, não se vê araçás ou pitangas no bairro. Nem pic-nics. E seria tachado de louco qualquer um que dissesse que foge da poeira insana da cidade e busca o ar salitrado em Copacabana.

Leia abaixo algumas curiosidades sobre o bairro mais famoso do Brasil.

– Quando portugueses e franceses aqui chegaram, no século 16, a praia e suas vizinhanças eram ocupadas por tabas dos tamoios.

– O nome original de Copacabana era Sacopenapan, corruptela de “çoco pê nupã”, termo indígena que significava “caminho batido dos socós”, um tipo de ave pernalta abundante na região.

– Há referências (controversas, diga-se) à pesca de baleias no litoral de Copacabana. Dessa atividade viria o nome arpoador, ao morro que faz divisa com Ipanema.

– No século 17, foi proibida aos pescadores que erguessem residência na praia. Era medo que navios estrangeiros que tentassem invadir a cidade usassem as moradias como base.

– A origem do nome do bairro vem da imagem de Nossa Senhora de Copacabana, santa venerada em Copacabana, às margens do lago Titicaca, na Bolívia. A imagem no Brasil teria sido trazida por mercadores de prata que viajavam entre o Rio, a Bolívia e o Peru. No século 18, a imagem foi adornar uma pequena capela que ficava onde hoje está o forte de Copacabana. A capela foi destruída em 1918.

– Durante o Primeiro Império, ainda quase despovoada Copacabana era pródiga, além de pitangueiras à beira-mar, em espinheiros, cardos e ananases.

– Até meados do século 19, para ir de Botafogo até Copacabana era preciso subir e descer os morros que isolavam a área, em trilhas como Caminho dos Pretos Quebra-Bolos. E só a cavalo.

– A principal rua do bairro, a Nossa Senhora de Copacabana começou a ser aberta em 1892. A Avenida Atlântica é posterior. Sua urbanização foi iniciada em 1905, ainda muito precária, só sendo melhorada em 1919. Uma ressaca destruiu as obras e elas tiveram que ser refeitas no ano seguinte.

– O bairro Peixoto, reduto de casas e edifícios pequenos em meio à selva de arranha-céus de Copacabana, tem origem na chácara de Paulo Felisberto da Fonseca, o Comendador Peixoto. Nos banhados da área ainda se caçavam patos no início do século passado.

– Mais famoso hotel do País, o Copacabana Palace foi fundado em 1923, tendo como inspiração os hotéis da Riviera Francesa Negresco (Nice) e Carlton (Cannes). Nenhum hotel no Brasil abrigou tantas celebridades. De Santos Dumont a Stravinsky, da Princesa Diana aos Rolling Stones, de Bill Clinton a Madonna, de Rita Hayworth a Walt Disney, de Orson Welles a Gene Kelly, de John Wayne a Will Smith, de Nelson Mandela ao U2.

– Muitos políticos importantes moraram em Copacabana, como os ex-presidentes Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek, João Goulart, os ex-governadores Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto. E o bairro foi testemunha de vários acontecimentos políticos marcantes. Para ficar em dois: a Revolta dos 18 do Forte, marco originário do movimento tenentista que acabaria com a República Velha, em 1922; e o atentado a Carlos Lacerda, na Rua Tonelero, em 1954, que culminaria no suicídio de Getúlio Vargas.

– Além de servir de inspiração para músicas, filmes, livros e peças teatrais, Copacabana também sempre abrigou muitos artistas. O poeta Carlos Drummond de Andrade e o cantor Dorival Caymmi ganharam até estátuas em homenagem. E embora associada a Ipanema, boa parte da Bossa Nova está ligada a Copacabana. Seja pelas boates no Beco das Garrafas, onde o estilo evoluiu, ou pelas reuniões no célebre apartamento de Nara Leão, onde se reuniam alguns dos expoentes do gênero embrionário. E João Gilberto morava em um apartamento atrás da Praça Cardeal Arcoverde quando fez seus dois primeiros e mitológicos LPs. Era lá que ele ensaiava “Chega de Saudade”.

– Na década de 20, o bairro contava com cerca de 20 mil habitantes. Atualmente, de acordo com o Censo 2010, tem 146.392 moradores. E tem uma alta proporção de idosos. São 43.411 pessoas com mais de 65 anos.

– Ao contrário da cidade, do Estado e do País, em Copacabana os homens são maioria: 83.986 para 62.406 mulheres.

– São 92 mil edificações, entre casas, apartamentos, escritórios e lojas.

– Muito por abrigar grande número de hotéis e pousadas, Copacabana era, em meados da década passada, foco de crimes contra visitantes da cidade. Metade dos furtos e roubos cometidos contra turistas em todo o Estado ocorria em Copacabana. Nos últimos cinco anos o número de roubos caiu em 2/3.

– Copacabana é rica em histórias associadas a sexo. À noite, a orla ainda fica coalhada de mulheres e travestis se oferecendo aos motoristas. Durante os anos 90 e o início do novo século, boa parte das moças do métier se encontrava com os clientes na discoteca Help, que foi demolida para dar lugar ao novo Museu da Imagem e do Som, que está sendo construído. Mas a associação de Copacabana com o sexo é antiga. Durante as décadas de 10 a 30 funcionou no posto 6, quase na divisa com Ipanema, o estabelecimento Mère Louise, um rendez vous, como se chamava antigamente, famoso por suas noitadas. Hoje, no local, ergue-se o Sofitel.

– Mère Louise é a precursora. Mas os exemplos de um bairro associado ao tema são muitos. Da discoteca Help, às boates de strip tease da Prado Júnior, da Galeria Alaska com o show de travestis que ficou famoso nos anos 80 (transformado mais tarde em reduto evangélico), às aventuras de Kátia Flávia contadas pelo poeta Fausto Fawcett.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012 Nota | 22:32

Ban Ki-Moon perde voo e Dilma tem que usar avião reserva

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A Rio+20 não terminou muito bem para Dilma Rousseff e para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. E isso não tem nada a ver com o criticado texto final da conferência sobre desenvolvimento sustentável. É que, na hora de ir embora da cidade, o avião da presidente deu pane. Em vez de voltar à Brasília em um A319, como previsto, ela teve que ir em uma aeronave reserva, um Embraer 190.

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Comentário, entre os funcionários do governo na Base Aérea do Galeão é que alguém ia tomar esporro hoje à noite.

Mas Dilma, pelo menos, conseguiu viajar. Pior sorte teve Ban Ki-Moon. O secretário-geral da ONU foi do Riocentro à Base Áerea do Galeão acreditando que iria dar tempo de pegar o avião de volta, um voo comercial da Continental. Só que a aeronave já estava taxiando na pista, pronto para decolar. Já tinham desembarcado a bagagem, retirado seguranças e assessores que iriam com ele. Ban Ki-Moon deve ir neste sábado em um outro voo.

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terça-feira, 19 de junho de 2012 Nota | 22:47

Índio defende movimento revolucionário indígena na Cúpula dos Povos

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Uma faixa estendida em uma mesa colocada estrategicamente entre algumas das principais tendas e um auditório na Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio+20, chamava atenção: Pedia guerreiros indigenas para o Movimento Revolucionário Indígena – 500. Um cartaz conclamava: “Ações guerreiras já”.

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Tiuré durante seu 'processo espiritual' (foto: Luiz Antonio Ryff)

Tiuré durante seu 'processo espiritual' (foto: Luiz Antonio Ryff)

No meio da tarde o estande improvisado estava vazio. Apenas os cartazes, algumas flechas e a faixa. Uma hora depois um homem com uma espécie de cocar de palha e com o corpo pintado estava sentado em uma das cadeiras, com olhar longínquo. “Agora não posso falar. Estou num processo espiritual”, desculpou-se falando baixo e lentamente. 
”Volte mais tarde”, balbuciou.

Algumas horas depois, o homem estava disponível. Identificou-se como Tiuré, 63 anos, índio potiguara da aldeia Lagoa do Mato, na Paraíba e explicou por que não podia falar.

“Eu estava em uma outra sintonia, não estava aqui. Um parente me deu uma planta mágica para cheirar”. A tal planta é um pó, rapé indígena, que é colocado em um canudo. Tiuré conta que o parente soprou o pó para dentro de sua narina.

E o que essa planta mágica faz, perguntei? “Eu fico em paz, recebendo energia dos meus antepassados”.

Tiuré já pronto para a guerra (foto: Luiz Antonio Ryff)

Tiuré já pronto para a guerra (foto: Luiz Antonio Ryff)

Mas tirando o efeito do rapé, Tiuré não quer paz. Ao contrário. Ele defende a guerra e se propõe a conclamar os indígenas guerreiros para uma ação na cúpula. “Estamos nos preparando para isso. Ainda não temos gente suficiente”.

“Temos que pressionar o Estado para que ele tome ações concretas”, afirma. No caso de sua aldeia, Tiuré quer retomar 20 mil hectares que ele diz terem sido tomados à força nos últimos 40 anos – e que foram entregues a usinas e grandes proprietários.

Para isso ele defende ações armadas. “Mas não com armas de fogo”, salienta. “Só usamos as nossas armas, bordunas, arco e flecha, foice, facão e machado”, explica sem alterar a voz ou mostrar agressividade.

“Nós estamos prontos para morrer, como nossos antepassados, na luta pela nossa terra”, garante ele, que diz que o movimento é autônomo, não é filiado a partido e não aceita dinheiro de governo.

Exilado político

Ele explica que seu envolvimento com questões políticas e a defesa das questões indígenas data da época da ditadura, quando conta ter sido preso e torturado, o que o levou ao exílio em Montreal, no Canadá.

Após conversar um pouco em francês, lembrando que lá se fala o quebecois, Tiuré diz que foi o primeiro índio brasileiro reconhecido pelo Alto Comissariado da ONU para refugiados e questiona o atual governo brasileiro e a Comissão da Verdade.

“Há um silêncio sobre a questão dos índios durante a ditadura. Não há uma linha nos livros sobre as atrocidades cometidas contra nós durante esse período. A Comissão da Verdade está aí e não se fala nada. E não houve desaparecimento de indivíduos. Houve genocídio. Aldeias foram exterminadas”.

Para não ficar na gaveta

Apesar de participar da Cúpula dos Povos, ele critica a Rio+20. “Aqui há uma manipulação grande da questão indígena por ONGs e por igrejas, que defendem a elaboração de documentos. É preciso romper com isso. Sou contra esse cenário midiático. Daqui só sai elaboração de papéis que vão para as gaveta e armários. Não podemos esperar um Rio+40, é preciso agir já”.

“Eu quero partir para a ação. Em Belo Monte, temos que invadir os acampamentos, os canteiros de obras e parar tudo. O modelo de desenvolvimento adotado por esse governo não vai parar. Por isso estou conclamando os guerreiros para uma guerra”, diz ele. que, ao fim da conversa, gentilmente pede. “Você me manda o texto por email quando sair?”.

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