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Arquivo de outubro, 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Nota | 22:59

Adiada a abertura do Museu de Arte do Rio

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Não será em novembro que o Rio vai ver o MAR. A aguardada abertura do Museu de Arte do Rio na zona portuária foi adiada para março. O espaço que já foi ocupado por sem-tetos pouco antes do início da reforma estava com a inauguração prevista para o próximo mês.

Fachada do MAR (Museu de Arte do Rio), que será aberto em março na zona portuária (Foto: divulgação)

Mas uma reunião na terça-feira da direção e do curador do espaço, Paulo Herkenhoff, com galeristas e gente do mercado anunciou a mudança. O museu que contará a história da cidade e terá um acervo permanente e mostras temporárias está sendo feito com a Fundação Roberto Marinho em parceria com a Prefeitura. A previsão é que o espaço receba até 200 mil visitantes por ano.

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A nova data será em março, para coincidir com o reinício das aulas no calendário escolar e a entrada em operação da Escola do Olhar, que será a parte educativa do projeto, capacitando professores da rede pública e mostrando a arte como um instrumento pedagógico.

Veja video mostrando como ficará o MAR

O MAR vai ocupar prédios de características bem distintas: o Palacete Dom João VI, de estilo eclético do início do século 20; e a construção modernista dos anos 40 que abrigou algumas delegacias policiais na Praça Mauá, no Centro do Rio. Serão 11.240 metros quadados de área construída em uma área total de 2.300 metros quadrados.

Como ficará a parte de cima do MAR (Foto: Divulgação)

Beneficiando-se dos pés direitos altos, o MAR, propriamente, ficará abrigado no palacete, que já está com sua fachada recuperada. O prédio da polícia sediará a Escola do Olhar. No topo haverá uma praça suspensa. O espaço ainda terá bar – e um bistrô no térreo. Será nesse edifício que ficará a administração. Os pilotis, antes ocupados por um terminal rodoviário, virarão um grande foyer. Foi construída uma passarela suspensa no alto, ligando os dois prédios. E uma cobertura ondulante, feita de isopor industrial hiper resistente por um artesão do salgueiro, emula o movimento do mar.

Nova zona portuária

A cargo do escritório Bernardes + Jacobsen Arquitetura, o projeto surge dentro da grande renovação prevista para essa área, porta de entrada da cidade para quem chega de navio.

A revitalização da zona portuária carioca é um dos maiores projetos em curso no País. Nas últimas décadas, com seus galpões abandonados, sem investimento público, a região era mal utilizada comercialmente e residencialmente. A nova fase começou com obras de valorização do espaço público no Morro da Conceição, um dos pontos onde a cidade nasceu

A transformação inclui a derrubada do elevado da Perimetral, que serpenteia acima da Avenida Rodrigues Alves. A área também receberá o Museu do Amanhã, assinado pelo espanhol Santiago Calatrava, que será um museu científico high tech; e está prevista a construção de um aquário com a ambição de ser o maior da América Latina, com 12 mil animais.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012 Entrevista, Nota | 08:13

Zona sul fez Rio de Janeiro ser a capital nacional da abstenção

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Entre todas as capitais do País, a do Rio de Janeiro teve o maior índice de abstenção no primeiro turno eleitoral. Foram 965.214 eleitores que deixaram de ir às urnas: 20,45%. Nenhum outro dos 25 estados onde houve eleição teve um índice tão alto. No Brasil, a média foi de 16,41%.

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No caso do Rio, a abstenção foi maior até do que a votação do segundo colocado, Marcelo Freixo (PSOL), que teve 914.082 votos. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi reeleito por 2.097.733 eleitores, ou 64,60% dos votos válidos – a maior votação para um candidato a prefeito em um primeiro turno na cidade. Os votos nulos (8,48%) e brancos (5,03%) chegaram a 507.323, também acima da média nacional.

Entre as capitais, o Rio ficou a frente de Salvador, na Bahia (19,93%), São Luís, no Maranhão (19,36%) e Vitória, no Espírito Santo (19,34%). Maceió, em Alagoas, registrou o maior comparecimento. Apenas 8,50% do eleitorado faltou. Nas três cidades, ao contrário do Rio, a eleição não foi decidida e será realizado um  segundo turno. A abstenção na capital carioca foi maior do que a média no Maranhão, o estado com mais alto índice no geral (19,62%). No geral, o eleitor compareceu menos nas capitais do que no interior (faltou 17,46% contra 16,11%). Foi mais assíduo nas cidades pequenas. Nos municípios com menos de 20 mil eleitores foi registrado o menor índice de abstenção: 12,74%.

No Estado do Rio, a capital também se destacou. Percentualmente, somente as pequenas Porciúncula e Miracema (ambas com 20,47%) tiveram mais ausências.

Copacabana, a campeã da abstenção

De acordo com um levantamento feito pelo iG com base nos dados oficiais do TRE-RJ, das dez zonas eleitorais da cidade que registraram menor comparecimento, nove ficam na zona sul carioca e uma no centro. A campeã é a 18ª, em Copacabana, com 31,92% de faltantes. A segunda também fica lá. É a 205ª, com 31,51%. Das que tiveram maior abstenção, outras três são no bairro, duas ficam no Jardim Botânico, uma em Laranjeiras e uma no Catete. A da região central fica na Saúde.

Para o cientista político da PUC-Rio Cesar Romero, autor do livro “A Geografia do Voto nas Eleições para Prefeito e Presidente nas Cidades do Rio de Janeiro e São Paulo: 1996-2010”, o menor comparecimento de eleitores na zona sul não chega a ser uma surpresa. Mesmo antes de saber a distribuição geográfica dessa abstenção, ele apostava na zona sul.

“Na zona oeste popular, na Leopoldina e na Central a abstenção é mais baixa. mas o voto válido é menor, com mais nulos e brancos”, diz ele, que analisou as últimas oito eleições na cidade. Segundo ele, os bairros da metade sul, próximos da orla, como Barra, Copacabana, Leblon e Ipanema, têm um perfil mais conservador. É onde o voto válido é maior, e a abstenção também.

Romero explica que esse eleitor de classe média, com mais escolaridade, tem mais dinheiro e maior possibilidade de viajar. “Já o da zona oeste popular, por exemplo (como Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Jacarepaguá), tem menos dinheiro, não tem casa fora e migra menos também”.

No primeiro turno da eleição carioca, todas as dez zonas com menor índice de abstenção ficam na zona oeste. Nessa lista, a primeira é a 120ª em Campo Grande, com 14,54% de faltantes. Das outras nove, mais duas ficam em Campo Grande, quatro ficam em Santa Cruz, duas em Bangu e uma na Taquara.

Ausência de candidato conservador forte

É interessante notar que no segundo turno da eleição municipal de 2008 – a apertada disputa entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) –  também ficou marcado pelo baixo comparecimento dos eleitores. Paes venceu por 55.225 votos e a abstenção chegou a 20,25%. Na época, aliados de Gabeira chegaram a atribuir a derrota à antecipação do dia do funcionário público pelos governos estadual e municipal. O “feriadão prolongado” teria estimulado viagens.

Agora, em 2012, Romero destaca dois outros fatores que podem ter contribuido para o baixo comparecimento às urnas no primeiro turno. O primeiro é que, desde o ínicio da campanha, nenhum adversário chegou a ameaçar a hegemonia de Paes. Ele liderou com ampla folga todas as pesquisas de intenção de voto. “Todo mundo sabia que o Eduardo Paes iria ganhar e isso pode ter desestimulado os eleitores”.

O segundo fator foi a ausência de um candidato de perfil mais conservador que realmente atraísse esse eleitorado. O próprio Eduardo Paes, na avaliação de Romero, também tira votos na esquerda, até pela chapa com o PT. “A direita no Rio ficou órfã e não se sentiu representada por nenhum candidato”, afirma o cientista político da PUC-Rio. “Para esse eleitorado mais conservador o Freixo não era uma opção. O Otávio Leite e a Aspásia não tem nenhum carisma. E muitos rejeitaram a chapa Rodrigo Maia e Clarice Garotinho por causa dos pais, o Cesar Maia e o Anthony Garotinho. A união deles foi uma soma que subtraiu”.

Onde a abstenção foi maior na cidade do Rio

1. Zona Eleitoral nº 18 (Copacabana) – 31,92%
2. Zona Eleitoral nº 205 (Copacabana) – 31,51%
3. Zona Eleitoral nº 1 (Saúde) – 30,83%
4. Zona Eleitoral nº 5 (Copacabana) – 30,49%
5. Zona Eleitoral nº 206 (Copacabana) – 29,58%
6. Zona Eleitoral nº 165 (Jardim Botânico) – 29,54%
7. Zona Eleitoral nº 252 (Copacabana) – 28,70%
8. Zona Eleitoral nº 17 (Jardim Botânico) – 28,31%
9. Zona Eleitoral nº 3 (Laranjeiras) – 27,96%
10. Zona Eleitoral nº 163 (Catete) – 27,54%

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sábado, 6 de outubro de 2012 Entrevista | 09:06

Sem verbas, Instituto Cultural Cravo Albin quer ser municipalizado

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Um dos mais importantes centros culturais ligados à música brasileira no País está em risco. Concebido há 11 anos para promover e incentivar atividades ligadas à música, o Instituto Cultural Cravo Albin, na Urca, está sem verbas. Criado com o objetivo de divulgar, defender e conservar o patrimônio histórico e artístico, o ICCA necessita com urgência de alguém que o divulgue, o defenda e o conserve, pelo que conta seu fundador, Ricardo Cravo Albin.

O Largo da Mãe do Bispo, na cobertura do ICCA (foto: Luiz Antonio Ryff)

O Largo da Mãe do Bispo, na cobertura do ICCA (foto: Luiz Antonio Ryff)

“Não tem sido fácil. As perspectivas para o fim de ano são apreensivas. Precisamos de sustentabilidade. E ter uma tranquilidade de rumo”, afirma Ricardo ao iG. E adianta: “Minha meta é passar para uma instituição pública. Eu vou procurar o prefeito Eduardo Paes. Meu desejo é municipalizar e entregar a gestão para a Prefeitura”. Ele diz que o ICCA necessita de R$ 30 mil por mês para funcionar e atualmente só tem um apoiador, a Faperj, que concede bolsas de auxílio à pesquisa para estudantes trabalharem no instituto.

Fundador do instituto que leva seu nome, Ricardo é um dos maiores conhecedores da MPB. Produtor cultural, ele fundou e presidiu o Museu da Imagem e do Som do Rio, dirigiu a Embrafilme e comandou o Instituto Nacional do Cinema.

Criado em 2001, o ICCA é uma sociedade civil sem fins lucrativos. Sua sede de 3 mil metros quadrados em um cartão postal da zona sul carioca, aos pés do antigo Cassino da Urca e do Pão de Açúcar, foi doada pelo próprio Ricardo. Sua fundação contou inicialmente com seu acervo pessoal. Mas outras doações de pesquisadores, colecionadores e artistas, como a do cantor Ivon Curi, foram incorporadas.

Violão de Cartola e sandália de Carmem Miranda

A coleção inclui instrumentos e objetos pertencentes a artistas. Entre os itens, há uma sanfona de Luiz Gonzaga, um par de sapatos plataforma de Carmem Miranda, violões de Luiz Bonfá, Herivelto Martins e Cartola, uma roupa de show das Frenéticas, um chocalho de prata de Pixinguinha com a partitura de “Carinhoso” gravada no metal.

Microfone que pertenceu ao Cassino da Urca (foto: Luiz Antonio Ryff)

Uma das curiosidades mais interessantes é a reprodução de um estúdio da época de ouro do rádio, com aparelhos dos anos 30 ainda em funcionamento. São transmissores, receptores, amplificadores valvulados, mixers de quatro canais, monitor de áudio, gravador de rolo, caixas de som, microfones variados (entre eles um do Cassino da Urca).

O arquivo fonográfico conta 30 mil discos de 8, 10 e 12 polegadas (vinis de 33, 45 e 78 rotações em goma laca e compactos simples e duplos), mais 2 mil fitas sonoras em rolo, 700 cassetes e cerca de 5 mil CDs de música brasileira – de Mário Reis, Tom Jobim e João Gilberto a É o Tchan, Xuxa e Trem da Alegria, passando por Raul Seixas e Cássia Eller.

Muitos objetos chegam danificados ou mal conservados. O ICCA teve que tratar 15 mil discos. Alguns vinis mais sujos passam pela limpeza em um equipamento importado da Alemanha.

Além de documentos, fotografias, revistas e jornais, programas de rádio e TV e roteiros de espetáculos musicais, o acervo mantém uma coleção de vídeos de programas musicais e depoimentos de artistas.

Dicionário online de MPB

Ricardo Cravo Albin, fundador do Instituto que leva seu nome (Foto: divulgação)

O ICCA também é responsável pelo Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, disponível online, que conta com cerca de 7 mil verbetes e tem mais de 150 mil consultas por mês.

O instituto também publica livros e a revista Carioquice, lança CDs e realiza mostras. A exposição atual é dedicada ao centenário de nascimento do compositor Herivelto Martins, autor de diversas marchinhas, sambas e também protagonista de um dos relacionamentos mais conturbados e famosos da MPB, seu casamento com a cantora Dalva de Oliveira – e mais do que tudo, a polêmica separação com os dois trocando farpas através de canções.

O ICCA funciona de segunda a sexta, das 10h às 17h. A entrada é gratuita, mas é preciso fazer agendamento pelo telefone (21) 2295-2532. Segundo Cristiana Coutinho, coordenadora do acervo, o público é composto basicamente de pesquisadores acadêmicos, estudiosos (inclusive do exterior) e grupos escolares.

Também são realizados saraus nos jardins da cobertura do instituto. Há dois fixos, o Clube de Jazz e Chorando com Joel, capitaneado por Joel do Bandolim. Além desses, eventualmente são organizados outros. O mais recente, em agosto, teve o gaitista Rildo Hora e Zezé Motta. São fechados a convidados, mas alguns convites são sorteados pela rádio MPB FM, no Rio.

No Rio, o Instituto Moreira Salles faz algo parecido, embora suas atribuições sejam mais abrangentes e sua capacidade também. “O trabalho do IMS é muito importante, mas eles têm um banco por trás”, compara ele, referindo-se ao Itaú, que após a fusão com o Unibanco passou a ter entre os sócios a família Moreira Salles.

Às vésperas de completar 73 anos, Ricardo está preocupado com o futuro de seu legado. Em 2010, um grupo de empresas prometeram bancar o ICCA. “Prometeram, mas só deram um ano e não renovaram”, lamenta.

A praia da Urca vista da varanda do Instituto (foto: Luiz Antonio Ryff)

A praia da Urca vista da varanda do Instituto (foto: Luiz Antonio Ryff)

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