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sexta-feira, 7 de setembro de 2012 Nota | 13:09

Três locais do Rio marcantes na Independência do Brasil

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Por convenção, comemora-se a Independência do Brasil em 7 de setembro. A data foi fixada alguns anos depois do ocorrido. Marcaria o dia em que D. Pedro I, às margens do Ipiranga, em São Paulo, teria dado seu brado famoso. Inicialmente, o 7 de setembro não era comemorado por ninguém. Nem mesmo por D. Pedro I, que não deu qualquer importância ao episódio. Foi um símbolo construído posteriormente, atendendo a conveniências políticas. Não é à toa que o quadro retratando o momento histórico só foi pintado décadas mais tarde por Pedro Américo, que nem era vivo quando o fato ocorreu.

Nos primórdios, o marco da Independência era em outro dia e local. A celebração ocorria em 12 de outubro, aniversário de D. Pedro I e data da sua aclamação como imperador no Campo de Santana, no centro do Rio de Janeiro.

Então capital do Brasil colônia, o Rio foi a primeira capital do País e berço de diversos momentos importantes da história nacional. Na Independência não seria diferente. Abaixo, três locais ainda de pé e testemunhas de episódios fundamentais no processo de separação de Portugal.

Aclamação de D. Pedro I como Imperador do Brasil no Campo de Santana, no Rio, por Debret (reprodução)

Paço Imperial

Nos bancos escolares todos aprendemos a frase dita pelo então príncipe regente, D. Pedro I, ao descer do muro e escolher um lado no que ficou conhecido como Dia do Fico: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

Foi a reação dele às grandes pressões que sofria. De um lado, a corte portuguesa e os deputados portugueses que, exigiam seu retorno imediato a Lisboa, e queriam que o Brasil, então um Reino Unido, voltasse ao status de colônia. De outro, a elite local, que desejava a emancipação política e econômica de Portugal e lhe entregou um abaixo-assinado com 8 mil assinaturas pedindo sua permanência.

Foi no dia 9 de janeiro de 1822. Segundo as imagens oficiais do episódio teria ido até a sacada para confraternizar com o povo. Com a declaração de Independência, aliás, o Paço mudou de nome e de cor. De Real, passou a ser denominado Imperial. E o prédio foi pintado de amarelo, a cor do Império. Foi lá também que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravatura no País, em 13 de maio de 1988. Hoje é um centro cultural.

Campo de Santana

É a maior área verde do centro do Rio. Até o século 17 fazia parte de um descampado pantanoso. Foi usado para despejo de lixo até a chegada da corte portuguesa em 1808. Com a construção do 1º Quartel Militar da cidade, nas proximidades, o Campo de Santana se transformou em área de manobras e exercícios para os militares.

E, mais importante, por ser um grande espaço no meio do centro da cidade, era utilizado para grandes festas públicas, como a aclamação de D. Pedro I, em 12 de outubro de 1822. A cena foi imortalizada pelo pintor e desenhista francês Jean Baptiste Debret em seu livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”. D. Pedro I está na varanda de um palacete, com a então Casa Da Moeda ao fundo, aceitando o título de imperador. Figuras importantes também estão retratadas, como a imperatriz Leopolidina, a filha Maria da Glória (posteriormente rainha Maria II, em Portugal) e José Bonifácio, então ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino do Brazil e Estrangeiros. A partir dessa época ele passou a ser conhecido como Campo da Aclamação.

Posteriormente, a mando de D. Pedro II, foi construído um parque com projeto do paisagista e botânico francês François Marie Glaziou e do engenheiro Francisco José Fialho, entre 1873 e 1880. Com traçado sinuoso, lagos e cascatas artificiais, seguia o estilo de parques parisienses, como o Monceau e o Buttes Chaumont. Nos anos 40, a abertura da avenida Presidente Vargas, cortando o centro da cidade, cortou um pedaço do parque e do projeto original de Glaziou.

O nome atual teve origem na Igreja Nossa Senhora de Santana, construída no início do século 18.

Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

Historicamente é a igreja mais importante do País, principalmente após a chegada de D. João VI e da corte fugindo das tropas napoleônicas que invadiram Portugal. Construída em 1761 e fincada na rua Primeiro de Março, a igreja fica a poucos metros do então Paço Real – basta atravessar a rua. Elevada à condição de catedral, foi lá o réquiem pela morte de D. Maria I.

Como capela real, ela serviu para a sagração de um rei, para a coroação de D. Pedro I e D. Pedro II. E para o casamento dos dois. A sagração de D. João VI como rei de Portugal, Brasil e Algarves foi a única sagração de um rei europeu no continente americano. Afinal, o Brasil foi a única ex-colônia sede do reino.

D. Maria II, rainha de Portugal, D. Pedro II, e a princesa Isabel foram batizados na igreja.

Em 1º de dezembro de 1822 D. Pedro I foi coroado e consagrado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. O pintor francês Jean Baptiste Debret imortalizou a cena em um célebre quadro, de 1828, hoje no Palácio Itamaraty, em Brasília. Na ocasião, a capela real passou a ser imperial.

A igreja ainda guarda parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral.

Cerimônia de coroação de D. Pedro I na igreja da Antiga Sé, por Debret (reprodução)

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7 comentários | Comentar

  1. 57 Paulo Soares 07/09/2012 21:31

    A Primeira Caital do Brasil – Salvador

  2. 56 Luciano 07/09/2012 21:59

    SOU SOTEROPOLITANO ( NASCÍ EM SÃO SLAVADOR, PRIMEIRA CAPITAL DO BRASIL, DE 1549/1763). APESAR DE SER APAIXONADO PELA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, NÃO PODERIA ME CALAR, DIANTE DE UMA INFORMAÇÃO FALSA.
    A CIDADE DO RIO DE JANEIRO, FOI A SEGUNDA CAPITAL DO BRASIL, E ACHO QUE DEVERIA SER ATÉ HOJE!! MAS NUNCA FOI A PRIMEIRA CAPITAL DO BRASIL!!

  3. 55 Luciano 07/09/2012 22:00

    DIGO SÃO SALVADOR NA BAHIA!!

  4. Luiz Antonio Ryff 08/09/2012 1:19

    Paulo e Luciano,
    Salvador foi capital do Brasil antes do Rio, com certeza, e não ousaria tirar essa honra dos soteropolitanos. Mas éramos então uma colônia portuguesa. A primeira capital do País, independente, foi o Rio de Janeiro.
    Abraços aos dois

  5. 54 shirlei horta 08/09/2012 3:09

    A gente tem que dar a mão à palmatória: os portugueses (que a gente adora chamar de burros) tinham muuuuuuuito mais bom gosto do que o povinho que plantou aqui. Eles simplesmente se renderam a Salvador e Rio de Janeiro, enquanto nós literalmente construímos Brasília…

  6. 53 wenderson 08/09/2012 3:30

    Caro ryffPrimeiro quero elogiar o artigo, haja vista que uma data tão importante (seja convencionada ou não) ainda parece ser tão desprestigiada no Brasil. Aqui do canadá, de onde escrevo, a luta contra a expansão norte americana ainda e celebrada e exaltada em memória da formação da identidade canadense, embora quanto ao sacrifício de vidas debitadas, não seja mais expressiva do que o nosso esforço nos mares e campos baianos.sustento que há um equívoco histórico no seu texto e que vejo sempre ser repetido dado a incorreta divisão adotada pela historiografia brasileira. E que a partir da elevação do Brasil a condição de reino unido, não há mais que se falar em Brasil colônia. Portanto não se trata de salvador ou rio como capital do Brasil colônia mas sim do próprio reino, denominado Brasil portugal e algarves. Enfim a capital do reino era aqui e como você mesmo ressalta, não voltaríamos.mas a ser colônia.Assistindo a TV brasileira, não se vê nem um jornalista ou apresentador com uma bandeira aires verde em sua transmissão. Seria bom.que um dia a nossa data nacional fosse celebrada espontaneamente por todos os brasileiros de todos os cantos.Abs

  7. 52 Octavio Torres ( BRASIL) 09/09/2012 0:07

    NÃO EXISTE INTERESSE DA GLOBO = CBS = EUA, PARA QUE O BRASILEIRO SEJA PATRIOTA !!!
    NENHUM AVANÇO TECNOLÓGICO NO TERMO BÉLICO QUE O BRASIL CONQUISTA, APARECE NA TV !!! NOSSA AMADA BASE DE ALCÂNTARA, NOSSOS CENTROS TECNOLÓGICOS DO EXÉRCITO E DA MARINHA, JAMAIS APARECEM PARA NÃO ENALTECER NOSSO PATRIOTISMO!!!

  8. 51 Julierme 09/09/2012 11:26

    No Brasil há muita história a ser contada e muitos monumentos a serem apreciados, pena que muitas pessoas não têm interesse em valorizar a nossa cultura.

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