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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Reportagem | 09:01

Como ter certeza do número de moradores de comunidades pacificadas?

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Chegar ao número de habitantes por favelas atendidas por UPPs não é difícil. Mas dá certo trabalho. A lista de comunidades listadas pela PM não bate com a cadastrada pelo IBGE e pelo Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da Prefeitura encarregado da produção e difusão de informações estatísticas, cartográficas e georreferenciadas do município. Um exemplo é o Morro da Liberdade, identificada pela PM como favela do Turano. Ou Fogueteiro, que o IPP e o IBGE só reconhecem como Unidos de Santa Tereza. Outro caso é a área que a polícia chama de  Morro da Mineira, que os outros dois institutos definem como Catumbi, na UPP São Carlos.

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Primeiro foi preciso saber qual a delimitação exata de cada UPP e identificar todas as favelas incluídas em seus perímetros. Técnicos do IPP forneceram os mapas – que são usados pela PM. Cada mapa foi checado pessoalmente com os comandantes das UPPs. Inclusive para tirar as dúvidas quanto aos nomes divergentes usados pela polícia.

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Tendo a área definida, e sabendo quais as favelas em cada UPP, o passo seguinte foi ir ao IBGE para checar a população. As áreas de favelas foram definidas pelo IBGE com ajuda das prefeituras em todo o País. Foi feito um levantamento prévio com uso de satélites para mapeamento.

“Na metodologia do Censo todos os aglomerados subnormais (termo técnico usado para definir favelas) são tratados de forma separada, com setores censitários próprios, o que possibilita um controle mais preciso dos dados daquela área, o que é importante para orientar políticas públicas e pesquisas acadêmicas”, explica Cláudio Stenner, responsável pela pesquisa dos aglomerados subnormais do Censo 2010. O IBGE dividiu o País em 316.574 setores censitários. Desses, 15.868 eram classificados como aglomerados subnormais.

Dificuldade para quantificar moradores fora de favelas

Se não é difícil saber com exatidão o número de habitantes de “comunidades pacificadas”, o mesmo não se pode dizer da contagem de moradores das UPPs que não vivem em favelas.

“Há uma dificuldade técnica que impede termos a mesma precisão”, afirma Cláudio. É que, ao serem criadas, as UPPs respeitaram os limites das favelas, que foram incorporadas integralmente às áreas com policiamento especial. Mas nem sempre o traçado das UPPs coincidiu com a divisão dos outros setores censitários feita pelo IBGE. Alguns foram cortados pelas bordas definidas pela Secretaria de Segurança Pública.

Com as informações divulgadas até agora pelo Censo 2010 não é possível desmembrar os setores censitários. Por isso, só é possível trabalhar com um número aproximado para saber qual a população total de cada área beneficiada por uma UPP.

Entretanto, mesmo que fossem incluídos na contagem os setores censitários parcialmente cobertos pelas UPPs, a população chegaria a pouco mais de 260 mil. Longe dos alegados 344 mil habitantes das “comunidades pacificadas”.

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