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Arquivo de fevereiro, 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Reportagem | 09:03

Governo do Estado infla número de moradores de comunidades pacificadas por UPPs

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Pela reconquista de territórios antes ocupados por traficantes e milicianos, as Unidades de Polícia Pacificadora são o carro-chefe do governo Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro. Em três anos foram instaladas 19 delas em algumas das favelas com maior presença desse poder paralelo na capital do Estado. A propaganda oficial afirma que são 344 mil moradores de 72 “comunidades pacificadas” atendidas pelas UPPs. Contudo, basta consultar os dados do Censo 2010, do IBGE, órgão encarregado oficialmente da contagem populacional no País, para constatar que o número real de habitantes é inferior.

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Primeira favela a receber uma UPP, a Santa Marta teve o número de moradores aumentado pela estimativa do governo

Nas 19 UPPs existem 71 favelas, de acordo com o IBGE. Nelas vivem 165.125 pessoas segundo os dados do Censo 2010 (veja a relação completa e o número de habitantes de cada uma no final do texto). Em toda a cidade são 763 favelas com 1.393.314 moradores. São os números mais recentes da maior e mais precisa contagem de população feita no Brasil.

Entenda como foi feito o cálculo usando os números do Censo

Isso significa que, de cada mil moradores de favelas na cidade do Rio, apenas 118 vivem em áreas pacificadas com UPPs. As próximas unidades já estão programadas. Serão Rocinha, provavelmente no próximo mês, e Complexo do Alemão, que segue ocupada por militares da Força de Ocupação das Forças Armadas.

Exemplos de erros

Os números de beneficiados divulgados pelo governo do Estado são errados. Algumas vezes para menos, é importante registrar. Na maioria, porém, o equívoco é para mais. Em certos casos os números do governo não têm qualquer conexão com a realidade. Principalmente os relativos às primeiras unidades instaladas.

É o caso da do Batan, que era dominada por milicianos na zona oeste e foi instalada em fevereiro de 2009 (mais de um ano antes de o Censo fazer sua pesquisa). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, são 45 mil pessoas atendidas nas “comunidades pacificadas” na área. De acordo com o IBGE, entretanto, o número de moradores em favelas lá mal alcança a um décimo disso: 4.601 pessoas. Se formos acrescentar a população que mora na área da UPP, mas não vive em favelas, chegaremos a pouco mais de 16 mil.

Na de Babilônia/Chapéu Mangueira, no Leme, na zona sul da cidade, o governo afirma que são 10 mil beneficiados nas duas “comunidades pacificadas”. Pelo Censo, no entanto, a primeira tem 2.451 moradores; a segunda tem 1.289, somando 3.740. Outras 135 pessoas que não moram nas favelas estão na área da UPP.

No caso da Santa Marta, em Botafogo, vizinha do Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, outro erro digno de nota. O governo diz que a comunidade tem 10 mil moradores. O Censo 2010 registrou 3.913 habitantes. Com a população “do asfalto”, no trecho contíguo à favela e na área da UPP, o número de pessoas pularia para cerca de 5 mil.

Policiamento especial

Para além do efeito de propaganda, o aumento da população atendida pelas UPPs cria um problema logístico, já que o número de habitantes é um dos principais fatores para se definir o contingente de policiais que ficará no local.

Essas áreas contam com um policiamento especial, feito em sua maioria por soldados recém-formados. Atualmente, o efetivo total das UPPs é de 3.992 homens. O que dá uma média de um PM para cada 41 habitantes das “comunidades pacificadas”, usando os dados do Censo 2010.

Se o programa fosse levado para todas as 763 favelas da cidade – e a proporção do efetivo fosse mantida em relação à população das comunidades – seriam necessários 33.688 policiais. Isso significaria praticamente multiplicar por dez o número atual, com o acréscimo de 29.696 homens.

Ex-coordenador de UPPs explica que número de moradores é apenas um fator para definir efetivo

O que é uma favela?

É importante explicar que o IBGE não usa a palavra favela, termo criado no Rio e que não se aplica a moradias carentes em toda a federação. Como os termos mudam de uma área para outra, o IBGE adotou uma definição técnica: aglomerado subnormal.

“É um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas… ), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; e carentes, em sua maioria de serviços públicos e essenciais”.

Essa definição, no entanto deixa de fora conjuntos habitacionais, mesmo aqueles em que vivem famílias com perfil sócio-econômico semelhante aos de favelas.

Sendo assim, as favelas da Cidade de Deus constam da contagem de “aglomerados subnormais” do IBGE, mas o conjunto que deu origem á área ficou de fora. Mas isso não explica a discrepância entre os números do IBGE e da Secretaria de Segurança Pública, que diz que a UPP atende 65 mil pessoas na “comunidade pacificada” da Cidade de Deus.

O Censo aponta 5.705 moradores nas nove favelas da região. A soma de todos os habitantes da área, incluindo o conjunto habitacional, chegaria a 45 mil pessoas.

No Batan também há um conjunto de fora. “O Ipê é ocupado por famílias muito pobres que perderam tudo em deslizamentos em chuvas recentes. Pode não ser considerado favela, mas as pessoas ali estão entre as mais necessitadas da área da UPP. Fazer essa distinção técnica é difícil. A gente policia tudo”, explica o tenente Juliano, subcomandante da UPP do Batan. De qualquer forma, o “tudo” policiado soma 16 mil pessoas. Muito diferente dos 45 mil informados pelo governo.

TOTAL DE MORADORES DE FAVELAS ATENDIDOS POR UPPs

São 165.125 pessoas* em 71 favelas reconhecidas pelo Censo 2010

1. Santa Marta: 3.913 moradores (em uma favela)

2. Cidade de Deus: 5.705 moradores (em nove favelas)
– Santa Efigênia: 1.843
– Travessa Efraim: 930
– Sítio da Amizade: 836
– Rua Moisés: 587
– Moquiço: 436
– Conjunto Vila Nova Cruzada: 398
– Vila da Conquista: 278
– Pantanal 1: 206
– Pantanal: 191

3. Batan: 4.061 moradores (em quatro favelas)
– Batan: 3.254
– Rua Duarte Coelho de Albuquerque: 806
– Vila Jurema 1: 359
– Vila Nova: 182

4. Babilônia/Chapéu Mangueira: 3.740 moradores (em duas favelas)
– Babilônia: 2.451
– Chapéu Mangueira: 1.289

5. Pavão-Pavãozinho: 10.338 moradores (em duas favelas)
– Pavão-Pavãozinho: 5.567
– Cantagalo: 4.771

6. Cabritos: 4.336 moradores (em três favelas)
– Morro dos Cabritos: 2.602
– Ladeira dos Tabajaras: 1.359
– Mangueira: 375

7. Providência: 4.889 moradores (em quarto favelas)
– Morro da Providência: 4.094
– Moreira Pinto: 326
– Pedra Lisa: 260
– São Diogo: 209

8. Borel: 12.812 (em seis favelas)
– Borel: 7.548
– Morro da Casa Branca: 2.539
– Morro do Cruz: 1.355
– Indiana: 887
– Morro do Bananal: 307
– Buraco Quente: 176

9. Formiga: 4.312 moradores (em uma favela)

10. Andaraí: 9.704 moradores (em seis favelas)
– Parque João Paulo II: 2.616
– Nova Divinéia: 1.976
– Arrelia: 1.972
– Andaraí: 1.760
– Jamelão: 944
– Borda do Mato: 436

11. Salgueiro: 3.345 moradores (em duas favelas)
– Salgueiro: 3.149
– Coréia: 196

12. Turano: 12.058 moradores (em dez favelas)
– Morro da Liberdade: 3.259
– Morro do Bispo: 1.978
– Matinha: 1.717
– Morro do Chacrinha: 1.177
– Sumaré: 925
– Rodo: 901
– Santa Alexandrina/Parque Rebouças: 686
– Pantanal: 612
– Vila Santa Alexandrina: 530
– Paula Ramos: 273

13. Macacos: 19.082 moradores (em duas favelas)
– Parque Vila Isabel: 14.007
– Macacos: 5.075

14. São João: 6.786 moradores (em três favelas)
– São João: 3.745
– Morro da Matriz: 1.552
– Morro do Quieto: 1.489

15. Fallet/Fogueteiro: 9.013 moradores (em cinco favelas)
– Morro da Coroa: 4.069
– Unidos de Santa Tereza: 3.780
– Ocidental Fallet: 749
– Luiz Marcelino: 254
– A.M. e Amigos do Vale: 161

16. Prazeres/Escondidinho: 5.065 moradores (em quarto favelas)
– Morro dos Prazeres: 2.136
– Morro do Escondidinho: 1.758
– Vila Anchieta: 854
– Vila Elza: 317

17. Complexo do São Carlos: 15.244 moradores (em cinco favelas)
– Catumbi: 5.790
– São Carlos: 5.784
– Azevedo Lima: 2.396
– Morro Santos Rodrigues: 1.006
– Rato: 268

18. Mangueira: 20.350 moradores (em oito favelas)
– Morro dos Telégrafos: 6.657
– Mangueira: 4.594
– Tuiuti: 3.263
– Parque Candelária: 2.229
– Marechal Jardim: 1.787
– Vila Miséria: 724
– Parque dos Mineiros: 668
– Rua Bartolomeu Gusmão: 428

19. Vidigal/Chácara do Céu: 10.372 moradores (em duas favelas)
– Vidigal: 9.678
– Chácara do Céu: 964

* Não estão contabilizados os moradores de áreas das UPPs que não vivem em favelas.

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Reportagem | 09:01

Como ter certeza do número de moradores de comunidades pacificadas?

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Chegar ao número de habitantes por favelas atendidas por UPPs não é difícil. Mas dá certo trabalho. A lista de comunidades listadas pela PM não bate com a cadastrada pelo IBGE e pelo Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da Prefeitura encarregado da produção e difusão de informações estatísticas, cartográficas e georreferenciadas do município. Um exemplo é o Morro da Liberdade, identificada pela PM como favela do Turano. Ou Fogueteiro, que o IPP e o IBGE só reconhecem como Unidos de Santa Tereza. Outro caso é a área que a polícia chama de  Morro da Mineira, que os outros dois institutos definem como Catumbi, na UPP São Carlos.

Governo do Rio infla número de moradores de comunidades pacificadas com UPPs

Primeiro foi preciso saber qual a delimitação exata de cada UPP e identificar todas as favelas incluídas em seus perímetros. Técnicos do IPP forneceram os mapas – que são usados pela PM. Cada mapa foi checado pessoalmente com os comandantes das UPPs. Inclusive para tirar as dúvidas quanto aos nomes divergentes usados pela polícia.

Coronel que coordenou UPPs diz que estimativas oficiais deveriam ser revistas

Tendo a área definida, e sabendo quais as favelas em cada UPP, o passo seguinte foi ir ao IBGE para checar a população. As áreas de favelas foram definidas pelo IBGE com ajuda das prefeituras em todo o País. Foi feito um levantamento prévio com uso de satélites para mapeamento.

“Na metodologia do Censo todos os aglomerados subnormais (termo técnico usado para definir favelas) são tratados de forma separada, com setores censitários próprios, o que possibilita um controle mais preciso dos dados daquela área, o que é importante para orientar políticas públicas e pesquisas acadêmicas”, explica Cláudio Stenner, responsável pela pesquisa dos aglomerados subnormais do Censo 2010. O IBGE dividiu o País em 316.574 setores censitários. Desses, 15.868 eram classificados como aglomerados subnormais.

Dificuldade para quantificar moradores fora de favelas

Se não é difícil saber com exatidão o número de habitantes de “comunidades pacificadas”, o mesmo não se pode dizer da contagem de moradores das UPPs que não vivem em favelas.

“Há uma dificuldade técnica que impede termos a mesma precisão”, afirma Cláudio. É que, ao serem criadas, as UPPs respeitaram os limites das favelas, que foram incorporadas integralmente às áreas com policiamento especial. Mas nem sempre o traçado das UPPs coincidiu com a divisão dos outros setores censitários feita pelo IBGE. Alguns foram cortados pelas bordas definidas pela Secretaria de Segurança Pública.

Com as informações divulgadas até agora pelo Censo 2010 não é possível desmembrar os setores censitários. Por isso, só é possível trabalhar com um número aproximado para saber qual a população total de cada área beneficiada por uma UPP.

Entretanto, mesmo que fossem incluídos na contagem os setores censitários parcialmente cobertos pelas UPPs, a população chegaria a pouco mais de 260 mil. Longe dos alegados 344 mil habitantes das “comunidades pacificadas”.

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Entrevista, Reportagem | 09:00

Ex-coordenador de UPP diz que números oficiais deveriam ser revistos

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Ex-vice-presidente do Instituto de Segurança Pública e ex-coordenador-geral das Unidades de Polícia Pacificadora, o atual chefe do Estado-Maior administrativo da PM do Rio, coronel Robson Rodrigues, afirma que os números apresentados pelo iG são “surpreendentes” e afirma que as estimativas de população atendida pelas UPPs deveriam ser revistas.

O coronel foi a pessoa indicada pelas assessorias da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e das UPPs para comentar a reportagem sobre os números de moradores beneficiados nas comunidades pacificadas. Ele salientou que não saberia explicar tecnicamente como foram estabelecidos os números de população atendida nas comunidades pacificadas com as UPPs. O coronel reconhece, no entanto, que são estimativas anteriores ao Censo 2010.

Saiba como foi feito o cálculo do número de moradores das comunidades pacificadas

“Esses números que você está me trazendo são os do Censo. E a pesquisa censitária é a melhor que tem. É necessário fazer as correções”, avalia o coronel Robson, que foi o responsável pela coordenação, controle e preparação doutrinária e operacional das UPPs, bem como pelo planejamento de instalação de novas unidades.

População atendida é um dos fatores para definir efetivo

Ele lembra também que o número de habitantes de uma área não é o único dado importante para se definir como será feita a ocupação e qual o efetivo policial a ser empregado. “Essa é uma das variáveis. Mas levamos em consideração outros fatores, como os aspectos geográficos e sócio-econômicos, o tipo de dominação do poder paralelo, por exemplo”, explica ele.

O coronel Robson, entretanto, afirma que o foco das UPPs não é apenas as favelas e ressalta que elas nem mesmo são mencionadas em seu decreto de criação (decreto 42.787 de 6 de janeiro de 2011). E que o importante no projeto das UPPs é a reconquista do território.

Segundo o decreto, as áreas que devem receber as UPPs são “aquelas compreendidas por comunidades pobres, com baixa institucionalidade e alto grau de informalidade, em que a instalação oportunista de grupos criminosos ostensivamente armados afronta o Estado Democrático de Direito”.

Com relação a uma revisão das estimativas de moradores nas “comunidades pacificadas”, o coronel Robson salienta que as UPPs são responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública, que é munida de informações e dados estatísticos pelo ISP. Caberia ao instituto verificar os números e efetuar as correções.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 Nota | 17:08

Plataformas são o principal destino de trabalhadores estrangeiros no Rio

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O Brasil concedeu autorização para 70.524 estrangeiros trabalharem no País no ano passado.  O Rio perdeu para São Paulo a liderança que teve em 2008 e 2009.

No Rio, foram 24.897 autorizações concedidas no ano passado, segundo a Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho. Esse número vem aumentando desde 2009, quando foram dados 15.130 vistos de trabalho para estrangeiros.  Em São Paulo, no mesmo período, o número de licenças chegou a 33.392.

No Rio, a maioria dos estrangeiros vem dos EUA (4.478), das Filipinas (3.271), do Reino Unido (2.386), da Noruega (1.548), da Índia (1.406), da França (920), da Polônia (706), da Espanha (652), do Canadá (648) e da Holanda (599). Em seguida, entre a 11ª e 15ª colocação estão Rússia (557), Alemanha (533), China (487), Dinamarca (463) e Itália (420). Nos últimos quatro anos, EUA, Reino Unido e Filipinas estiveram à frente do ranking, alterando as posições.

Leia mais: “Vivo onde o resto do mundo tira férias”

Peculiaridades do Rio

O perfil do trabalhador estrangeiro que vem para o Rio tem particularidades e é diferente do tipo de profissional que vai para São Paulo, por exemplo. No Rio,  mais da metade das autorizações evidenciam a força do setor petrolífero e as expectativas em relação ao pré-sal, pois se referem a “trabalho a bordo de embarcação ou plataforma estrangeira”. Foram 14.853 vistos em 2011 (50.860 nos últimos quatro anos).

Justificativa para concessão de vistos para trabalhadores estrangeiros no Rio de Janeiro

Justificativa para concessão de vistos para trabalhadores estrangeiros no Rio de Janeiro

O Rio responde por 84% desse tipo de autorização concedida no ano passado em todo o Brasil. A maioria dos trabalhadores tem superior completo e são originários majoritariamente das Filipinas, Reino Unido, EUA, Índia e Noruega.

As outras situações em que vistos foram concedidos para estrangeiros que vieram trabalhar no Rio foram “Assistência Técnica por prazo até 90 dias; sem vínculo empregatício”, com 3.472 autorizações em 2011; e “Estrangeiro na condição de artista ou desportista, sem vínculo empregatício”, com 2.512.

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Em São Paulo, por exemplo, o maior número de vistos também está relacionado ao setor naval, mas com uma diferença. Foram dados 14.455 autorizações para “Tripulante de Embarcação de Turismo, sem vínculo empregatício”.

Se em relação a concessão de vistos de trabalho para estrangeiros o Rio é o segundo maior beneficiário, no que diz respeito a investimento efetuados por estrangeiros como pessoa física, o Rio está em quinto lugar. Fica atrás de São Paulo, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Foram R$ 19.422.336,16.  Menos de 10% dos R$ 204 milhões em todo o Brasil registrados em 2011.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Nota | 15:47

Rio dividirá futebol nas Olimpíadas com outras quatro capitais

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Ao contrário do que ocorreu em outras edições, o Rio de Janeiro sediará todas as modalidades das Olimpíadas em 2016. Em Moscou (1980), por exemplo, as provas de iatismo foram feitas em Talin – a capital da Estônia, então uma das três repúblicas bálticas e hoje um país independente.

Leia mais sobre Olimpíadas no blog Espírito Olímpico

Em 2016, porém, nem todos os eventos olímpicos serão realizados no Rio. Um deles terá parte das competições fora da cidade. E é justamente o futebol.

A Empresa Olímpica Municipal – que coordena pela Prefeitura os trabalhos relacionados ao evento – informa que as partidas iniciais serão divididas entre quatro cidades além do Rio. Serão elas Brasília, Salvador, São Paulo e Belo Horizonte.

Mas a final, claro, será no Rio.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 Nota | 16:01

Livro traça roteiro histórico, geográfico e afetivo da bossa nova

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Diz a lenda que é mais fácil ouvir bossa nova em Tóquio do que no Rio de Janeiro, onde o gênero nasceu nos anos 50. Pois seu biógrafo principal, o jornalista Ruy Castro, resolveu mostrar que é um exagero achar que a cidade virou as costas para a música feita por Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto e tantos outros em “Rio Bossa Nova – Um Roteiro Lítero-Musical” (Editora Casa da Palavra).

Capa do livro "Rio Bossa Nova", de Ruy Castro (divulgação)

Capa do livro "Rio Bossa Nova", de Ruy Castro (divulgação)

Em edição bilíngue português-inglês, “Rio Bossa Nova” cobre dois aspectos. Um é histórico, recapitulando em uma arqueologia afetiva os lugares marcantes do gênero; o outro é apresentar os locais onde ainda hoje é possível ouvir algo banquinho e violão.

Apesar do esforço louvável, esta relação deixa a desejar. A listagem inclui vários pontos em que o gênero é (ou foi) visitante bissexto – embora, em geral, isso seja dito de uma forma ou outra no livro. E quase todo lugar onde isso ainda ocorre não tem estatura suficiente para virar ponto de peregrinação de aficionados.

Em vez de comprar o livro, para quem estiver interessado em saber onde escutar bossa nova é bem mais eficiente checar a programação atualizada de shows em jornais e revistas, como o próprio autor recomenda.

Gênese da bossa nova

O primeiro aspecto, de roteiro histórico, é alcançado com brilho. De forma didática e seguindo uma orientação geográfica, separando por bairros, Ruy conta a lenda dos lugares relacionados à bossa nova. Para facilitar a vida de quem não conhece muito o Rio o livro poderia contar com pequenos mapas.

Algumas histórias são mais conhecidas, como a da Casa Villarino (av. Calógeras, 6 loja b), no Centro, onde em maio de 1956 Tom Jobim e Vinícius foram apresentados e começaram a frutuosa parceria. Das mesas da antiga uisqueria – atualmente um restaurante – partiram para as primeira músicas de “Orfeu da Conceição”.

Ou o antigo endereço da Odeon, onde foram gravados entre outros o seminal LP “Canção do Amor Demais”, de Elizeth Cardoso, com João Gilberto em duas faixas apresentando ao mundo a batida bossa nova em seu violão.

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Há lugares menos conhecidos, como o extinto Grupo Universitário Hebraico, no Flamengo. Foi lá que o termo bossa nova foi usado pela primeira vez para definir o gênero musical nascente.

As casas de Vinícius e Tom merecem um verbete separado. São várias. E Ruy indica as principais, sempre associadas a acontecimentos ou às obras produzidas no período.

O célebre apartamento de Nara, na avenida Atlântica, onde os jovens músicos se reuniam, também consta do livro, com algumas histórias. “Ao contrário do que até hoje se repete, não foi nele que se ‘inventou a bossa nova’, e nem a bossa nova foi inventada num endereço único”, explica Ruy. “Quando a bossa nova se estabeleceu no mercado, o apartamento tornou-se uma espécie de QG da nova música, embora os mais velhos, como Jobim, Newton Mendonça e João Gilberto, não costumassem frequentá-lo”.

Cemitério e luzes piscando ao entardecer

Até o Cemitério São João Batista, em Botafogo, virou verbete. E com razão. “Eu sei, cemitérios costumam ser frios, meio mórbidos e não representam exatamente o espíritos da bossa nova, mais chegada ao sol. Mas o Père Lachaise, em Paris, também não é o Folies Bergères e, todo verão, transborda de visitantes ao túmulo do roqueiro Jim Morrison à espera de que ele ressuscite e faça seu primeiro milagre”, justifica Ruy.

Pois a comparação com o Père Lachaise também não é descabida, já que o São João Batista tem a maior concentração de famosos entre suas lápides. Da bossa foram enterrados lá Tom, Vinícius, Newton Mendonça, Sylvinha Telles, Nara Leão, Maysa, Dolores Duran, Antonio Maria, Ronaldo Bôscoli, para citar alguns.

Mas o guia apresenta endereços importantes e pouco conhecidos. Como o Instituto Cravo Albin (av. São Sebastião, 2 conj. 302), na Urca, mansão que virou um centro cultural após ser doada à cidade pelo pesquisador e produtor Ricardo Cravo Albin, um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som. O acervo conta com pertences importantes de músicos (entre os quais chapéus de Tom Jobim, de Pixinguinha e de Moreira da Silva, violões de Cartola e Luiz Bonfá) e 30 mil discos de MPB.

E tem o Arpoador, outro verbete. Ruy lembra que a praia era frequentada pelos jovens artistas no primórdio da bossa nova. Suas pedras serviram de cenário para João Gilberto na foto da capa de seu primeiro disco.

O Arpoador também foi cenário um show emblemático. Há exatos 20 anos, Tom fez uma apresentação gratuita, ao ar livre, no fim de tarde. As pessoas assistiam deitadas na areia ou mesmo dentro do mar calmo no espírito “o barquinho vai, a tardinha cai”. Quando o sol começou a se pôr, Tom passou a tocar “Samba do Avião”. No alto, um avião da Ponte Aérea, indo para São Paulo, se aproximou e, voando mais baixo do que de costume, começou a piscar suas luzes, para delírio do público, criando um daqueles momentos míticos da relação da bossa nova com a cidade. A história não consta do livro. Com razão. É impossível reproduzir aquele instante em texto.

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