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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 Nota | 10:00

Rio é cidade com maior número de moradores de favela no País

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Se todos os moradores de favela no Rio de Janeiro formassem uma cidade a parte, ela seria a 12ª maior do País em população. Com seus 1.393.314 habitantes, ficaria entre Belém e Goiânia, segundo dados do Censo 2010 divulgados nesta quarta-feira (21).

De cada 100 mil pessoas que vivem na capital fluminense, 22.160 estão nas favelas – ou nos aglomerados subnormais, que é a terminologia específica utilizada pelo IBGE para definir uma série de agrupamentos de habitações precárias. Na definição do IBGE “é um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas… ), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; e carentes, em sua maioria de serviços públicos e essenciais”.

Com suas 763 favelas, o Rio é a cidade com maior número de pessoas morando nos tais aglomerados subnormais em todo o Brasil. Em números absolutos não tem para ninguém – é a campeã. Proporcionalmente, contudo,  há outras à sua frente. Caso de Marituba, no Pará, onde 77,2% da população vive em favelas e similares. Entre as 27 capitais, Belém também se destaca, com quase metade da população nessa situação (54,48%). O Rio também fica atrás de Salvador (33,07%), São Luis (23%) e Recife (22,85%) sob esse ângulo.

Segundo o censo 2010, na cidade carioca existem 426.965 domicílios em favelas (19,89% de todas as residências).

74% dos moradores vivem com até um salário mínimo

E que retrato o IBGE faz desse universo? Da divulgação feita hoje só constam os primeiros dados. Uma visão mais aprofundada vai ficar para uma segunda etapa, em meados do próximo ano.

Por enquanto dá para saber, por exemplo, que de cada 10.000 trabalhadores que moram nas favelas cariocas, 7.400 ganham até um salário mínimo e 35 recebem mais do que cinco salários mínimos. Os números do Rio mostram que 93,84% dos moradores de favelas com mais de 10 anos são alfabetizados. Pardos são quase a metade da população, com 690.366 pessoas. E há praticamente o dobro de brancos (461.284) em relação aos pretos (227.148) vivendo nas comunidades.

Como ocorre nacionalmente, no Rio também há mais mulheres morando em favelas do que homens. São 713.782 e 679.532, respectivamente. E 32,03% dos habitantes são menores de idade. E 45,45% têm menos de 25 anos.

O censo 2010 dirimiu uma questão recorrente: qual a maior favela do Brasil. É a Rocinha, em São Conrado, com 69.161 moradores. Sozinha, a Rocinha tem mais habitantes do que a população que vive em favelas em outros 40 municípios do estado, além da capital. Apenas Niterói, com 79.623 pessoas nos aglomerados subnormais, tem um número maior.

No ranking nacional, Rio das Pedras, na zona oeste carioca, está em terceiro, com 54.793. Contudo, se considerarmos que ela forma um complexo com a comunidade de A.M. e Amigos de Rio das Pedras, com 8.689 moradores, esse número pularia para 63.482 habitantes, ultrapassando a Rocinha.

Outra revelação é que a média de moradores por domicílio nas favelas cariocas é de 3,3 pessoas por habitação. Não é muito distante do percentual do resto da cidade, que é de 3 pessoas por residência.

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2 comentários | Comentar

  1. 52 wanderley 23/01/2012 13:13

    O grande problema são nossos governantes que sabem que não tem condições de realizar nada e ficam enganado esse povo com promessas, vide o recém pacificado Dona Marta em Botafogo se voces entrarem pelo meio da favela ainda vão ver barracos de madeira, caindo aos pedaços, quando foi prometido pelo Governo realização de obras para acabar com essas situações, e o povo acreditou. Cria-se um povo dependente, que se acomoda com as promessas.

  2. 51 Fernando Vidal 22/12/2011 11:51

    São duas cidades que conheço bem. Belém onde nasci e RJ onde morei 3 anos e lá estudei, entre 1969 e 1972. Neste época subia-se tranquilamente nas favelas e eu ia de vez em quando na Rocinha onde uma prima era freira e lá morava com outras freiras dando assistência a população local. Belém não tinha ainda toda esta miséria que tem hoje, na década de 50 meu avô tinha um sítio entre Ananindeua e Marituba, lugares maravilhosos, típicos de interior. Hoje aquilo lá está desfigurado e é miséria por todos os lados. Qual a razão disto tudo? Governos (des) que ao não atentarem para o problema, deixaram que atingisse níveis alarmantes, pois educação, saúde, saneamento básico, transporte público dentre outros sempre foram relegados a um segundo plano. E ainda farão Copa do Mundo e Olimpíadas. Gostaria de saber quais os reais benefícios que tais eventos trarão as populações carentes.

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