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quarta-feira, 7 de novembro de 2012 Nota, Resenha | 12:31

Livro conta a criação do Rio e o que São Paulo tem a ver com isso

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Pedro Doria já gostou de uma coisa errada. Até escreveu sobre o assunto e ganhou algum dinheiro com isso. Mas, aparentemente, tomou jeito. Descobridor de Bruna Surfistinha quando estava no site NoMínimo, o editor executivo de O Globo, voltou há pouco mais de um ano ao Rio, onde nasceu. Teve um exílio breve em terras paulistanas e nos EUA quando trabalhava em O Estado de S. Paulo. Ao voltar ao Rio, colocou em prática um sonho antigo, escrever um livro sobre a cidade em que nasceu.

Ele acaba de lançar “1565 – Enquanto o Rio Nascia” (editora Nova Fronteira). É seu quinto livro. Além de “Eu Gosto de Uma Coisa Errada” (ed. Ediouro), de 2006, com reportagens sobre sexo, ele também publicou “Manual para a Internet” (ed. Revan), de 1995, considerado o primeiro sobre o tema no Brasil.

Capa do livro "1565 - Enquanto o Brasil Nascia", de Pedro Doria (foto: reprodução)

Capa do livro "1565 - Enquanto o Brasil Nascia", de Pedro Doria (foto: reprodução)

A ideia do livro sobre o Rio havia surgido ainda no apagar das luzes do século passado, em um breve momento em que Pedro esteve longe das redações.

Ele narra o início da história da cidade, e quanto de sua implantação se deve a integrantes da família Sá: Mem de Sá; Estácio de Sá (o fundador oficial); Salvador Corrêa de Sá, o Velho; Martim de Sá; Salvador Corrêa de Sá e Benevides. Todos governaram o Rio no seu primeiro século de vida, alguns mais de uma vez.

Pedro diz que não descobriu fatos novos, não há pesquisa inédita, que ele apenas compilou o que é conhecido, às vezes quase desconhecido ou esquecido, e deu um tratamento jornalístico ao que apurou. Assim, além de relatar a gênese do Rio, ele conta diversas histórias curiosas e esclarece a origem de algumas coisas importantes para a compreensão do que se tornou a cidade 450 anos mais tarde.

A começar pela falta de cuidado com a própria memória. “A região do Castelo, no Centro, leva o nome do morro onde a cidade se fez, mas, para nós, é só o Castelo. Não há um marco imponente para dizer quantos viveram, quantos morreram, por que demoliram. Não há sequer placa para dizer que ali houve um morro posto abaixo. No morro da Glória, lá está a igreja do Outeiro, simpática, mas não há lembrança de Estácio, Aimberê ou da aldeia Uruçumirim. Ali foi o cenário de uma batalha sangrenta que definiu a fundação da cidade. Se os portugueses tivessem perdido aquela batalha, como perderam tantas outras, não haveria Rio”.

Eis algumas das histórias levantadas por Pedro, que é um amigo e ex-colega de NoMínimo.

“O Rio nasceu para que São Paulo sobrevivesse”
É uma tese controversa e que Pedro lança logo na primeira página do prefácio e repete ao longo do livro. Leitores de O Globo baixaram o sarrafo na ideia de que o Rio nasceu conquistado e fundado por paulistas. Pedro conta que Estácio de Sá arregimentou em São Paulo a tropa que foi expulsar os franceses que haviam ocupado o Rio e iniciado um assentamento com ajuda dos índios locais. “Os homens que caíram mortos ao lado de Estácio, naquela batalha inicial, eram quase todos paulistas que tinham um inimigo comum: os tupinambás que atacavam suas fazendas e cidades.”

Pelo que está escrito no livro, há uma outra leitura, não destacada pelo Pedro. A primeira coisa que o grupo amealhado em São Paulo para expulsar os franceses fez ao chegar ao Rio foi destruir tudo. O que pode explicar que a picuinha entre habitantes de Rio e São Paulo vem de longe.

A violência está no DNA da cidade
Era uma guerra atrás da outra. Não raro descambando para a selvageria e barbárie. Antropofagia era o forno de microondas por essas bandas no século 16. A carnificina marcou a conquista da terra pela tropa de Estácio de Sá, em janeiro de 1567, na batalha de Uruçumirim, a principal aldeia. “Os índios todos foram dizimados. Suas cabeças, cortadas, fincadas em estacas, tamanho o ódio que por eles nutriam os europeus. Uruçumirim foi posta em chamas”.

Bendita violência
Era tanta violência que nem os religiosos ficavam de fora do vandalismo. Pedro conta que os carmelitas estavam entre “os mais afeitos à porrada”. “A cada vez que passava um bando carregando um caixão, saíam os monges e seus escravos, porretes à mão, para descer lambadas e dispersar o povo. Quase todo enterro era assim”.

Tráfico é coisa antiga
O tráfico era atividade essencial à vida na cidade no século 17. O de escravos, bem entendido. Os escravos chegavam ao Rio e eram revendidos para outras colônias e até para trabalhar nas minas de Potosí, na Bolívia.

Origem do carioca
No bairro do Flamengo, entre as ruas Princesa Januária e Senador Eusébio, atrás do Morro da Viúva e a 400 metros do monumento a Estácio de Sá, teria sido erguida a Casa de Pedra, a primeira construção no molde europeu a ser erguida no Rio no início do século 16. Diz uma lenda que os índios acharam ela tão diferente que lhe deram o nome de “carioca”, casa de branco.

Por que Flamengo?
Foi no Flamengo que os franceses, antes de serem expulsos pelos portugueses e por paulistas, criaram a cidade de Henriville, homenagem ao então rei francês, Henry IV. O bairro do Flamengo, aliás, ganhou esse nome porque teria abrigado uma comunidade de holandeses no Brasil colônia.

A fortaleza francesa
Nicolas de Villegagnon, o navegador que liderou a experiência da França Antártica, erigiu um forte em uma pequena ilha na Bahia de Guanabara não longe do continente. Era lá que ele ficava. O forte Coligny foi destruído e não deixou vestígios. A ilha está ainda lá. Ganhou o nome do francês e sedia a Escola Naval, da Marinha. Está praticamente colada ao aeroporto Santos Dumont.

Apelidos de pessoas que viraram nomes de lugares
Quando chegaram para expulsar os franceses, os primeiros colonos portugueses se assentaram no pedaço de terra entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão, que ganhou esse nome por conta do apelido dado a um sujeito que recebeu as terras. O bairro de Botafogo ganhou esse nome porque as terras haviam sido dadas a um sujeito que era artilheiro de uma expedição. Era quem acendia os canhões.

Tabaco
O padre franciscano André Thevet, que integrou a expedição de Villegagnon, ao voltar à França levou sementes de algo que os índios chamavam “petum”. Outro francês, o embaixador em Portugal, Jean Nicot, iria difundir o uso da “Nicotiana tabacum”.

Si tu vas à Rio…
O Rio nasceu cosmopolita. Sua fundação e colonização não foi obra apenas de portugueses. Era gente de todo mundo… franceses, ingleses, holandeses, espanhóis. Não é de hoje que os estrangeiros que aqui chegam, logo se aculturam. “Salvador Corrêa de Sá, segundo governador do Rio, sucessor de seu primo Estácio, falaria nhengatu fluentemente. A língua da terra. Que seria a língua de seus filhos e netos”.

Lerê, Lerê
A Praça XV, no Centro, já era importante no passado. Mas tinha outro nome: largo do Polé. É que desde 1926 ali ficava o polé, um tronco onde os condenados eram amarrados para serem açoitados.

Pagador de promessa
A Igreja da Penha nasceu da promessa de um capitão de milícia, Balthazar Cardoso, que foi picado por uma cobra e sobreviveu. Pôs na igrejinha que ficava no morro mais alto de sua propriedade uma imagem de Nossa Senhora da Penha. Até hoje é visitada por pagadores de promessa, que sobem a loooonga escadaria de joelhos.

Censo pré-IBGE
Em 1587 a cidade tinha 3.850 habitantes: 750 europeus, 3 mil índios e 100 negros. Nesses 425 anos sua população cresceu 1.642 vezes.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Nota | 22:59

Adiada a abertura do Museu de Arte do Rio

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Não será em novembro que o Rio vai ver o MAR. A aguardada abertura do Museu de Arte do Rio na zona portuária foi adiada para março. O espaço que já foi ocupado por sem-tetos pouco antes do início da reforma estava com a inauguração prevista para o próximo mês.

Fachada do MAR (Museu de Arte do Rio), que será aberto em março na zona portuária (Foto: divulgação)

Mas uma reunião na terça-feira da direção e do curador do espaço, Paulo Herkenhoff, com galeristas e gente do mercado anunciou a mudança. O museu que contará a história da cidade e terá um acervo permanente e mostras temporárias está sendo feito com a Fundação Roberto Marinho em parceria com a Prefeitura. A previsão é que o espaço receba até 200 mil visitantes por ano.

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A nova data será em março, para coincidir com o reinício das aulas no calendário escolar e a entrada em operação da Escola do Olhar, que será a parte educativa do projeto, capacitando professores da rede pública e mostrando a arte como um instrumento pedagógico.

Veja video mostrando como ficará o MAR

O MAR vai ocupar prédios de características bem distintas: o Palacete Dom João VI, de estilo eclético do início do século 20; e a construção modernista dos anos 40 que abrigou algumas delegacias policiais na Praça Mauá, no Centro do Rio. Serão 11.240 metros quadados de área construída em uma área total de 2.300 metros quadrados.

Como ficará a parte de cima do MAR (Foto: Divulgação)

Beneficiando-se dos pés direitos altos, o MAR, propriamente, ficará abrigado no palacete, que já está com sua fachada recuperada. O prédio da polícia sediará a Escola do Olhar. No topo haverá uma praça suspensa. O espaço ainda terá bar – e um bistrô no térreo. Será nesse edifício que ficará a administração. Os pilotis, antes ocupados por um terminal rodoviário, virarão um grande foyer. Foi construída uma passarela suspensa no alto, ligando os dois prédios. E uma cobertura ondulante, feita de isopor industrial hiper resistente por um artesão do salgueiro, emula o movimento do mar.

Nova zona portuária

A cargo do escritório Bernardes + Jacobsen Arquitetura, o projeto surge dentro da grande renovação prevista para essa área, porta de entrada da cidade para quem chega de navio.

A revitalização da zona portuária carioca é um dos maiores projetos em curso no País. Nas últimas décadas, com seus galpões abandonados, sem investimento público, a região era mal utilizada comercialmente e residencialmente. A nova fase começou com obras de valorização do espaço público no Morro da Conceição, um dos pontos onde a cidade nasceu

A transformação inclui a derrubada do elevado da Perimetral, que serpenteia acima da Avenida Rodrigues Alves. A área também receberá o Museu do Amanhã, assinado pelo espanhol Santiago Calatrava, que será um museu científico high tech; e está prevista a construção de um aquário com a ambição de ser o maior da América Latina, com 12 mil animais.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012 Entrevista, Nota | 08:13

Zona sul fez Rio de Janeiro ser a capital nacional da abstenção

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Entre todas as capitais do País, a do Rio de Janeiro teve o maior índice de abstenção no primeiro turno eleitoral. Foram 965.214 eleitores que deixaram de ir às urnas: 20,45%. Nenhum outro dos 25 estados onde houve eleição teve um índice tão alto. No Brasil, a média foi de 16,41%.

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No caso do Rio, a abstenção foi maior até do que a votação do segundo colocado, Marcelo Freixo (PSOL), que teve 914.082 votos. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi reeleito por 2.097.733 eleitores, ou 64,60% dos votos válidos – a maior votação para um candidato a prefeito em um primeiro turno na cidade. Os votos nulos (8,48%) e brancos (5,03%) chegaram a 507.323, também acima da média nacional.

Entre as capitais, o Rio ficou a frente de Salvador, na Bahia (19,93%), São Luís, no Maranhão (19,36%) e Vitória, no Espírito Santo (19,34%). Maceió, em Alagoas, registrou o maior comparecimento. Apenas 8,50% do eleitorado faltou. Nas três cidades, ao contrário do Rio, a eleição não foi decidida e será realizado um  segundo turno. A abstenção na capital carioca foi maior do que a média no Maranhão, o estado com mais alto índice no geral (19,62%). No geral, o eleitor compareceu menos nas capitais do que no interior (faltou 17,46% contra 16,11%). Foi mais assíduo nas cidades pequenas. Nos municípios com menos de 20 mil eleitores foi registrado o menor índice de abstenção: 12,74%.

No Estado do Rio, a capital também se destacou. Percentualmente, somente as pequenas Porciúncula e Miracema (ambas com 20,47%) tiveram mais ausências.

Copacabana, a campeã da abstenção

De acordo com um levantamento feito pelo iG com base nos dados oficiais do TRE-RJ, das dez zonas eleitorais da cidade que registraram menor comparecimento, nove ficam na zona sul carioca e uma no centro. A campeã é a 18ª, em Copacabana, com 31,92% de faltantes. A segunda também fica lá. É a 205ª, com 31,51%. Das que tiveram maior abstenção, outras três são no bairro, duas ficam no Jardim Botânico, uma em Laranjeiras e uma no Catete. A da região central fica na Saúde.

Para o cientista político da PUC-Rio Cesar Romero, autor do livro “A Geografia do Voto nas Eleições para Prefeito e Presidente nas Cidades do Rio de Janeiro e São Paulo: 1996-2010”, o menor comparecimento de eleitores na zona sul não chega a ser uma surpresa. Mesmo antes de saber a distribuição geográfica dessa abstenção, ele apostava na zona sul.

“Na zona oeste popular, na Leopoldina e na Central a abstenção é mais baixa. mas o voto válido é menor, com mais nulos e brancos”, diz ele, que analisou as últimas oito eleições na cidade. Segundo ele, os bairros da metade sul, próximos da orla, como Barra, Copacabana, Leblon e Ipanema, têm um perfil mais conservador. É onde o voto válido é maior, e a abstenção também.

Romero explica que esse eleitor de classe média, com mais escolaridade, tem mais dinheiro e maior possibilidade de viajar. “Já o da zona oeste popular, por exemplo (como Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Jacarepaguá), tem menos dinheiro, não tem casa fora e migra menos também”.

No primeiro turno da eleição carioca, todas as dez zonas com menor índice de abstenção ficam na zona oeste. Nessa lista, a primeira é a 120ª em Campo Grande, com 14,54% de faltantes. Das outras nove, mais duas ficam em Campo Grande, quatro ficam em Santa Cruz, duas em Bangu e uma na Taquara.

Ausência de candidato conservador forte

É interessante notar que no segundo turno da eleição municipal de 2008 – a apertada disputa entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) –  também ficou marcado pelo baixo comparecimento dos eleitores. Paes venceu por 55.225 votos e a abstenção chegou a 20,25%. Na época, aliados de Gabeira chegaram a atribuir a derrota à antecipação do dia do funcionário público pelos governos estadual e municipal. O “feriadão prolongado” teria estimulado viagens.

Agora, em 2012, Romero destaca dois outros fatores que podem ter contribuido para o baixo comparecimento às urnas no primeiro turno. O primeiro é que, desde o ínicio da campanha, nenhum adversário chegou a ameaçar a hegemonia de Paes. Ele liderou com ampla folga todas as pesquisas de intenção de voto. “Todo mundo sabia que o Eduardo Paes iria ganhar e isso pode ter desestimulado os eleitores”.

O segundo fator foi a ausência de um candidato de perfil mais conservador que realmente atraísse esse eleitorado. O próprio Eduardo Paes, na avaliação de Romero, também tira votos na esquerda, até pela chapa com o PT. “A direita no Rio ficou órfã e não se sentiu representada por nenhum candidato”, afirma o cientista político da PUC-Rio. “Para esse eleitorado mais conservador o Freixo não era uma opção. O Otávio Leite e a Aspásia não tem nenhum carisma. E muitos rejeitaram a chapa Rodrigo Maia e Clarice Garotinho por causa dos pais, o Cesar Maia e o Anthony Garotinho. A união deles foi uma soma que subtraiu”.

Onde a abstenção foi maior na cidade do Rio

1. Zona Eleitoral nº 18 (Copacabana) – 31,92%
2. Zona Eleitoral nº 205 (Copacabana) – 31,51%
3. Zona Eleitoral nº 1 (Saúde) – 30,83%
4. Zona Eleitoral nº 5 (Copacabana) – 30,49%
5. Zona Eleitoral nº 206 (Copacabana) – 29,58%
6. Zona Eleitoral nº 165 (Jardim Botânico) – 29,54%
7. Zona Eleitoral nº 252 (Copacabana) – 28,70%
8. Zona Eleitoral nº 17 (Jardim Botânico) – 28,31%
9. Zona Eleitoral nº 3 (Laranjeiras) – 27,96%
10. Zona Eleitoral nº 163 (Catete) – 27,54%

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sábado, 6 de outubro de 2012 Entrevista | 09:06

Sem verbas, Instituto Cultural Cravo Albin quer ser municipalizado

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Um dos mais importantes centros culturais ligados à música brasileira no País está em risco. Concebido há 11 anos para promover e incentivar atividades ligadas à música, o Instituto Cultural Cravo Albin, na Urca, está sem verbas. Criado com o objetivo de divulgar, defender e conservar o patrimônio histórico e artístico, o ICCA necessita com urgência de alguém que o divulgue, o defenda e o conserve, pelo que conta seu fundador, Ricardo Cravo Albin.

O Largo da Mãe do Bispo, na cobertura do ICCA (foto: Luiz Antonio Ryff)

O Largo da Mãe do Bispo, na cobertura do ICCA (foto: Luiz Antonio Ryff)

“Não tem sido fácil. As perspectivas para o fim de ano são apreensivas. Precisamos de sustentabilidade. E ter uma tranquilidade de rumo”, afirma Ricardo ao iG. E adianta: “Minha meta é passar para uma instituição pública. Eu vou procurar o prefeito Eduardo Paes. Meu desejo é municipalizar e entregar a gestão para a Prefeitura”. Ele diz que o ICCA necessita de R$ 30 mil por mês para funcionar e atualmente só tem um apoiador, a Faperj, que concede bolsas de auxílio à pesquisa para estudantes trabalharem no instituto.

Fundador do instituto que leva seu nome, Ricardo é um dos maiores conhecedores da MPB. Produtor cultural, ele fundou e presidiu o Museu da Imagem e do Som do Rio, dirigiu a Embrafilme e comandou o Instituto Nacional do Cinema.

Criado em 2001, o ICCA é uma sociedade civil sem fins lucrativos. Sua sede de 3 mil metros quadrados em um cartão postal da zona sul carioca, aos pés do antigo Cassino da Urca e do Pão de Açúcar, foi doada pelo próprio Ricardo. Sua fundação contou inicialmente com seu acervo pessoal. Mas outras doações de pesquisadores, colecionadores e artistas, como a do cantor Ivon Curi, foram incorporadas.

Violão de Cartola e sandália de Carmem Miranda

A coleção inclui instrumentos e objetos pertencentes a artistas. Entre os itens, há uma sanfona de Luiz Gonzaga, um par de sapatos plataforma de Carmem Miranda, violões de Luiz Bonfá, Herivelto Martins e Cartola, uma roupa de show das Frenéticas, um chocalho de prata de Pixinguinha com a partitura de “Carinhoso” gravada no metal.

Microfone que pertenceu ao Cassino da Urca (foto: Luiz Antonio Ryff)

Uma das curiosidades mais interessantes é a reprodução de um estúdio da época de ouro do rádio, com aparelhos dos anos 30 ainda em funcionamento. São transmissores, receptores, amplificadores valvulados, mixers de quatro canais, monitor de áudio, gravador de rolo, caixas de som, microfones variados (entre eles um do Cassino da Urca).

O arquivo fonográfico conta 30 mil discos de 8, 10 e 12 polegadas (vinis de 33, 45 e 78 rotações em goma laca e compactos simples e duplos), mais 2 mil fitas sonoras em rolo, 700 cassetes e cerca de 5 mil CDs de música brasileira – de Mário Reis, Tom Jobim e João Gilberto a É o Tchan, Xuxa e Trem da Alegria, passando por Raul Seixas e Cássia Eller.

Muitos objetos chegam danificados ou mal conservados. O ICCA teve que tratar 15 mil discos. Alguns vinis mais sujos passam pela limpeza em um equipamento importado da Alemanha.

Além de documentos, fotografias, revistas e jornais, programas de rádio e TV e roteiros de espetáculos musicais, o acervo mantém uma coleção de vídeos de programas musicais e depoimentos de artistas.

Dicionário online de MPB

Ricardo Cravo Albin, fundador do Instituto que leva seu nome (Foto: divulgação)

O ICCA também é responsável pelo Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, disponível online, que conta com cerca de 7 mil verbetes e tem mais de 150 mil consultas por mês.

O instituto também publica livros e a revista Carioquice, lança CDs e realiza mostras. A exposição atual é dedicada ao centenário de nascimento do compositor Herivelto Martins, autor de diversas marchinhas, sambas e também protagonista de um dos relacionamentos mais conturbados e famosos da MPB, seu casamento com a cantora Dalva de Oliveira – e mais do que tudo, a polêmica separação com os dois trocando farpas através de canções.

O ICCA funciona de segunda a sexta, das 10h às 17h. A entrada é gratuita, mas é preciso fazer agendamento pelo telefone (21) 2295-2532. Segundo Cristiana Coutinho, coordenadora do acervo, o público é composto basicamente de pesquisadores acadêmicos, estudiosos (inclusive do exterior) e grupos escolares.

Também são realizados saraus nos jardins da cobertura do instituto. Há dois fixos, o Clube de Jazz e Chorando com Joel, capitaneado por Joel do Bandolim. Além desses, eventualmente são organizados outros. O mais recente, em agosto, teve o gaitista Rildo Hora e Zezé Motta. São fechados a convidados, mas alguns convites são sorteados pela rádio MPB FM, no Rio.

No Rio, o Instituto Moreira Salles faz algo parecido, embora suas atribuições sejam mais abrangentes e sua capacidade também. “O trabalho do IMS é muito importante, mas eles têm um banco por trás”, compara ele, referindo-se ao Itaú, que após a fusão com o Unibanco passou a ter entre os sócios a família Moreira Salles.

Às vésperas de completar 73 anos, Ricardo está preocupado com o futuro de seu legado. Em 2010, um grupo de empresas prometeram bancar o ICCA. “Prometeram, mas só deram um ano e não renovaram”, lamenta.

A praia da Urca vista da varanda do Instituto (foto: Luiz Antonio Ryff)

A praia da Urca vista da varanda do Instituto (foto: Luiz Antonio Ryff)

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012 Entrevista | 15:12

Transporte e acomodação são as principais preocupações de infraestrutura para os Jogos de 2016

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O ciclo olímpico do Rio já se iniciou e ainda há muito por fazer nos próximos quatro anos. Presidente da Empresa Olímpica Municipal, a economista Maria Silvia Bastos Marques é responsável por coordenar os projetos e as iniciativas da Prefeitura carioca relativas à Copa do Mundo de 2014, às Olimpíadas e às Paralimpíadas de 2016. Também é o contato muncipal de integração com os outros agentes responsáveis por esses eventos (como os governos estadual e federal, a Fifa e o COI). É função dela assegurar, no âmbito da administração municipal, que os objetivos sejam cumpridos dentro do orçamento e prazo estabelecidos (nem todos estão ainda definidos, aliás). E que ainda haja um legado para a sociedade. Ela esteve em Londres e acompanhou de perto a organização dos jogos na capital inglesa. Ela elogia os esforços londrinos, principalmente o cuidado com a informação ao público. E ela avalia que os principais obstáculos a serem superados pelo Rio até lá são melhorar o sistema de transportes e aumentar a capacidade hoteleira.

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Agora que o ciclo olímpico do Rio começou, qual é o principal obstáculo a ser vencido pela cidade nos próximos quatro anos para a realização dos jogos?
Maria Silvia Bastos Marques –
Preparar a cidade para receber os maiores eventos esportivos do planeta inclui desafios em diversas áreas. A área de transporte é realmente um grande desafio, mas a Prefeitura avançou bastante. As obras mais complexas – BRTs Transoeste e Transcarioca, com 56 km e 41km, respectivamente – estão em andamento. O trecho Alvorada-Santa Cruz do BRT Transoeste entrou em funcionamento no dia 6 de junho. E embora o BRT Transcarioca ainda esteja em construção, com conclusão prevista para 2013, já foram inaugurados o Mergulhão Clara Nunes, em Campinho, o Mergulhão Billy Blanco, na Barra da Tijuca, e a duplicação do Viaduto Negrão de Lima, em Madureira.

Outro grande desafio é expandir a rede hoteleira da cidade. Para aumentar a oferta de quartos de hotéis no Rio de Janeiro, a Prefeitura lançou, em novembro de 2010, um conjunto de incentivos. A resposta do setor imobiliário foi extremamente positiva.

Como gestora pública, do ponto de vista administrativo e operacional, o que lhe chamou mais atenção nas Olimpíadas de Londres?
Maria Silvia Bastos Marques –
Nossos técnicos tiveram a oportunidade de conhecer as instalações esportivas de duas maneiras: vivenciando a experiência do espectador e em visitas guiadas, com explicações específicas da equipe do Comitê Organizador Local. Com isso, reuniram informações importantes para o desenvolvimento de projetos como o do Parque Olímpico, por exemplo.

Foram estudados e documentados detalhes como os diversos centros de operações e sua integração, a decoração da cidade e das instalações olímpicas, conectividade, funcionamento dos Live Sites (área para que o público acompanhe as competições), acessibilidade, ação dos voluntários e as próprias instalações esportivas (estrutura, materiais, capacidade, instalações temporárias, linha de visibilidade etc). No total, foram tiradas mais de mil fotos.

No caso dos transportes, por exemplo, os técnicos da Prefeitura observaram o gerenciamento de transporte e fluxo de multidões. Londres, cidade que tem um dos serviços de transporte mais completos do mundo, fez uma bem sucedida campanha para evitar transtornos nos transportes de massa. Incentivaram os residentes a trabalhar em horários alternativos ou em casa, e a tirar férias durante o período dos Jogos. Aconselharam o público dos Jogos a utilizar estações alternativas às das instalações, entre outras iniciativas. Embora tenha afetado a vida da cidade – o que é esperado em um evento destas proporções – funcionou muito bem, pois havia uma oferta de transporte que atendeu à demanda da cidade. No caso do Rio, o objetivo é fazer com que a integração do sistema de BRT (Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil) com metrô e trem também atenda à demanda do público dos Jogos e dos cariocas.

A sinalização foi outro ponto alto dos Jogos Olímpicos de 2012. Todas as estações de trem e metrô contavam com informações que incluíam o trajeto para as instalações olímpicas, orientando e dando referências aos espectadores sobre o percurso a ser seguido. Galhardetes nos postes informavam os espectadores sobre o tempo que levariam até as instalações. Dentro do Parque Olímpico também havia placas com o tempo entre uma instalação e outra, o que facilitava a programação e o fluxo dos espectadores.

Apesar dos imprevistos naturais que acontecem em um evento da dimensão dos Jogos Olímpicos, com o envolvimento de centenas de milhares de pessoas, os organizadores de Londres 2012 tiveram a flexibilidade e a agilidade necessárias para ajustar e corrigir os imprevistos, assegurando o sucesso dos Jogos.

Algo ficou deixando a desejar lá que poderia ser evitado aqui, além da baixa ocupação de assentos no início dos jogos?
Maria Silvia Bastos Marques – Londres é uma cidade muito mais pronta que o Rio de Janeiro em termos de infraestrutura. As necessidades e os desafios são diferentes. Mas ter a oportunidade de conhecer a operação do Parque Olímpico foi fundamental. O controle de fluxo dos espectadores da instalação, por exemplo, exige que o planejamento seja feito ainda nas fases iniciais do projeto. Mas pelo que pudemos ver em Londres, estamos no caminho certo.

A capacidade hoteleira do Rio é baixa para a necessidade de grandes eventos e os preços são altos pelo que é oferecido. Como evitar a repetição do que ocorreu na Rio+20, quando os preços foram nas alturas?
Maria Silvia Bastos Marques – Para aumentar a oferta de quartos de hotéis no Rio de Janeiro, a Prefeitura lançou, em novembro de 2010, um conjunto de incentivos para a rede hoteleira. Estes incentivos incluem a remissão de dívidas de IPTU e isenção de IPTU durante as obras para imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 2012 e imóveis com “habite-se” até 31 de dezembro de 2015; isenção de ITBI para operações de compra e venda de imóveis destinados à atividade hoteleira até 31 de dezembro de 2012; e redução de ISS (alíquota a 0,5%) para serviços para a construção ou reconversão em empreendimentos hoteleiros até 31 de dezembro de 2015. A resposta do setor imobiliário está sendo extremamente positiva. Segundo dados de setembro de 2012, estão em construção ou já foram licenciados 8.865 quartos de hotéis na cidade, e outros 8.689 quartos estão em análise ou consulta na Secretaria Municipal de Urbanismo.

Em comparação com Londres, quais serão as principais diferenças dos jogos olímpicos realizados no Rio?
Maria Silvia Bastos Marques – As melhorias urbanas na região do Parque Olímpico de Londres foram desenvolvidas pensando no legado, e não apenas nos Jogos Olímpicos. O resultado é a expectativa de um efeito positivo em toda a região de Stratford e arredores, com investimentos em empreendimentos residenciais, comerciais e de lazer. O projeto olímpico do Rio segue a mesma lógica de priorizar o legado. A principal diferença é que nossas áreas olímpicas estão espalhadas por quatro regiões da cidade – Barra, Deodoro, Copacabana/Flamengo e Maracanã. O objetivo é beneficiar diretamente uma parcela significativa da população, que deve chegar a dois milhões de pessoas. Se conseguirmos deixar um legado em todas as áreas, assim como Londres fez em Stratford, teremos acertado muito.

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012 Entrevista | 16:07

George Ermakoff, um ‘arquéologo’ de imagens do Rio de Janeiro

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O economista George Ermakoff sempre foi apaixonado pelo Rio antigo. Era fascinado pelos lotações, tem nostalgia da cidade mais vazia, sem tantos carros e pessoas. “Havia menor adensamento populacional. Dava a impressão de uma cidade mais hospitaleira. O mundo moderno dá a impressão de que somos figurantes no meio da multidão”, lamenta ele, que foi diretor da Varig e presidente de uma subsidiária da companhia aérea, a Rio Sul.

Foto da Rua da Assembléia, no Centro do Rio, feita por Augusto Malta (Coleção Ermakoff)

Foto da Rua da Assembléia, no Centro do Rio, feita por Augusto Malta (Coleção Ermakoff)

Aposentado do trabalho de executivo, ele criou uma editora que leva o seu nome e pode se dar ao luxo de trabalhar com essa paixão, publicando livros com fotos de um Rio que sobrevive na sua memória afetiva e na de outros.

Ele prepara para o próximo ano um livro sobre a história de Copacabana, com muitas imagens. E outro com o material feito pela norte-americana Genevieve Naylor no Brasil no início dos anos 40, dentro da Política de Boa Vizinhança implantada por Washington. George comprou do filho da fotógrafa os direitos para usar o arquivo dela. “Sou apaixonado por ela. Não são só paisagens. Tem uma preocupação artística, com componentes sociais e com os costumes”, explica George.

Infância aventuresca

George é filho de russos, uma parte originária da atual Ucrânia e outra do sul da Sibéria, perto do lago Baikal. Ele nasceu em 1949 em Shangai, na China, onde o pai, engenheiro, foi trabalhar na construção de um ramal da ferrovia Transiberiana. Na época, ano da tomada de poder pelos comunistas após uma guerra civil, a cidade era uma colônia estrangeira encravada no país mais populoso do mundo. As potências ocidentais dividiam a cidade em zonas e os chineses eram proibidos de entrar em alguns locais. George nasceu na parte francesa.

Ele viveu lá até 1954, quando a família foi “convidada” a se retirar, junto com os outros estrangeiros, pelas autoridades comunistas.

Na época os pais já haviam se separado. George vivia com a mãe, que pensou em ir para o Canadá, mas acabou vindo para o Brasil, onde tinha uma amiga. No Rio, ela foi trabalhar em uma fábrica de biscoitos na Avenida Brasil. Depois, como enfermeira, foi trabalhar no Hospital dos Estrangeiros, ajudando nas radiografias. Enquanto isso, George passou sua infância e adolescência em um internato em Petrópolis, antes de entrar no colégio Pedro II.

O acaso no início da coleção

A coleção de George começou quase com um acaso. Em meados dos anos 90, ele foi acompanhar amigos a uma galeria de arte em Santa Teresa, no centro do Rio. Perto da exposição, um punhado de barraquinhas estavam montadas em uma praça, como uma quermesse de interior. Em uma delas, uma moça vendia as duplicatas de uma coleção de cartões postais que pertencera ao avô. George comprou o lote todo, com 100 peças. Eram exemplares do início do século 19, que podiam a chegar, individualmente, a R$ 100, R$ 200.

Ao chegar em casa, ficou admirando o que havia comprado. E decidiu que gostaria de colecionar fotografias do Rio antigo.

O trabalho na Varig, onde era diretor, ajudou na coleção. Ele viajava muito para Paris, onde há um comércio grande de fotografias antigas. “Muitos turistas europeus vinham para o Brasil e compravam fotos de recordação. O cartão postal começou no final do século 19. Tinha muita coisa do Rio em Paris”.

Os preços ainda não eram tão altos. George conta que a fotografia começou se popularizar e os preços estouraram. Pelas suas contas, a valorização ultrapassou 500% em cerca de 15 anos. “Comprei um lote de 30, 35 fotos do Juan Gutierrez que me custou uma pequena fortuna. Uns US$ 600 cada uma. Hoje custam cinco vezes mais”, diz.

Ele salienta que preço de uma foto é bastante variável. Depende da tiragem, do tamanho, do estado de conservação, do autor, da qualidade da foto, do que foi fotografado. No caso do Rio, entre as mais valorizadas estão as de Augusto Stahl, pela raridade.

Preocupação com os fungos

Não basta comprar. É preciso saber conservar. Manter uma coleção de fotos antigas requer alguns cuidados. O Rio é úmido e quente, condições propícias para o surgimento de fungos. As fotografias necessitam de um ambiente refrigerado e seco.

De uma maneira geral, é mais fácil preservar os acervos na Europa ou nos Estados Unidos. “No Brasil, a grande maioria das fotos se perdeu”, lamenta ele, que mais recentemente passou a comprar também em leilões na internet. “Mas é preciso conhecer. Tem muita porcaria”.

Por isso, ele mantém sua coleção de 7 mil imagens dentro de caixas onde as fotos ficam acondicionadas de forma apropriada, em películas próprias em um quarto climatizado. Quase tudo é original. As cópias não chegam a 200. Algumas são reproduções feitas por Augusto Malta de fotos feitas por ele mesmo.

De fotos da cidade a retratos de personalidades

George começou colecionando apenas imagens do Rio antigo, do século 19 até os anos 30. Acabou ampliando para os anos 60 e, posteriormente, diversificou para fotos de personalidades que ele admira, como músicos e escritores. Sua afeição é abrangente. Inclui originais de José de Alencar, Castro Alves, D. Pedro II, José do Patrocínio, Villa-Lobos, Vitor Hugo e Picasso. Mas esses itens têm um nicho diferente de mercado. Acabam se valorizando se estão autografados pelas personalidades.

Com tanta paixão pela fotografia, George começou a tirar fotos também. Planeja fazer reportagens fotográficas nos próximos anos.

“O que eu gosto, o que me dá prazer, é me sentir uma pessoa útil guardando a memória do que foi, do que existiu, para as gerações futuras. No Brasil, a maior parte dos acervos vai para o lixo. As pessoas não dão atenção aos velhos álbuns de família. Por isso o papel do colecionador é importante. Se eu não comprasse, seriam destruídos”.

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012 Nota | 13:09

Três locais do Rio marcantes na Independência do Brasil

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Por convenção, comemora-se a Independência do Brasil em 7 de setembro. A data foi fixada alguns anos depois do ocorrido. Marcaria o dia em que D. Pedro I, às margens do Ipiranga, em São Paulo, teria dado seu brado famoso. Inicialmente, o 7 de setembro não era comemorado por ninguém. Nem mesmo por D. Pedro I, que não deu qualquer importância ao episódio. Foi um símbolo construído posteriormente, atendendo a conveniências políticas. Não é à toa que o quadro retratando o momento histórico só foi pintado décadas mais tarde por Pedro Américo, que nem era vivo quando o fato ocorreu.

Nos primórdios, o marco da Independência era em outro dia e local. A celebração ocorria em 12 de outubro, aniversário de D. Pedro I e data da sua aclamação como imperador no Campo de Santana, no centro do Rio de Janeiro.

Então capital do Brasil colônia, o Rio foi a primeira capital do País e berço de diversos momentos importantes da história nacional. Na Independência não seria diferente. Abaixo, três locais ainda de pé e testemunhas de episódios fundamentais no processo de separação de Portugal.

Aclamação de D. Pedro I como Imperador do Brasil no Campo de Santana, no Rio, por Debret (reprodução)

Paço Imperial

Nos bancos escolares todos aprendemos a frase dita pelo então príncipe regente, D. Pedro I, ao descer do muro e escolher um lado no que ficou conhecido como Dia do Fico: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

Foi a reação dele às grandes pressões que sofria. De um lado, a corte portuguesa e os deputados portugueses que, exigiam seu retorno imediato a Lisboa, e queriam que o Brasil, então um Reino Unido, voltasse ao status de colônia. De outro, a elite local, que desejava a emancipação política e econômica de Portugal e lhe entregou um abaixo-assinado com 8 mil assinaturas pedindo sua permanência.

Foi no dia 9 de janeiro de 1822. Segundo as imagens oficiais do episódio teria ido até a sacada para confraternizar com o povo. Com a declaração de Independência, aliás, o Paço mudou de nome e de cor. De Real, passou a ser denominado Imperial. E o prédio foi pintado de amarelo, a cor do Império. Foi lá também que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravatura no País, em 13 de maio de 1988. Hoje é um centro cultural.

Campo de Santana

É a maior área verde do centro do Rio. Até o século 17 fazia parte de um descampado pantanoso. Foi usado para despejo de lixo até a chegada da corte portuguesa em 1808. Com a construção do 1º Quartel Militar da cidade, nas proximidades, o Campo de Santana se transformou em área de manobras e exercícios para os militares.

E, mais importante, por ser um grande espaço no meio do centro da cidade, era utilizado para grandes festas públicas, como a aclamação de D. Pedro I, em 12 de outubro de 1822. A cena foi imortalizada pelo pintor e desenhista francês Jean Baptiste Debret em seu livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”. D. Pedro I está na varanda de um palacete, com a então Casa Da Moeda ao fundo, aceitando o título de imperador. Figuras importantes também estão retratadas, como a imperatriz Leopolidina, a filha Maria da Glória (posteriormente rainha Maria II, em Portugal) e José Bonifácio, então ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino do Brazil e Estrangeiros. A partir dessa época ele passou a ser conhecido como Campo da Aclamação.

Posteriormente, a mando de D. Pedro II, foi construído um parque com projeto do paisagista e botânico francês François Marie Glaziou e do engenheiro Francisco José Fialho, entre 1873 e 1880. Com traçado sinuoso, lagos e cascatas artificiais, seguia o estilo de parques parisienses, como o Monceau e o Buttes Chaumont. Nos anos 40, a abertura da avenida Presidente Vargas, cortando o centro da cidade, cortou um pedaço do parque e do projeto original de Glaziou.

O nome atual teve origem na Igreja Nossa Senhora de Santana, construída no início do século 18.

Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

Historicamente é a igreja mais importante do País, principalmente após a chegada de D. João VI e da corte fugindo das tropas napoleônicas que invadiram Portugal. Construída em 1761 e fincada na rua Primeiro de Março, a igreja fica a poucos metros do então Paço Real – basta atravessar a rua. Elevada à condição de catedral, foi lá o réquiem pela morte de D. Maria I.

Como capela real, ela serviu para a sagração de um rei, para a coroação de D. Pedro I e D. Pedro II. E para o casamento dos dois. A sagração de D. João VI como rei de Portugal, Brasil e Algarves foi a única sagração de um rei europeu no continente americano. Afinal, o Brasil foi a única ex-colônia sede do reino.

D. Maria II, rainha de Portugal, D. Pedro II, e a princesa Isabel foram batizados na igreja.

Em 1º de dezembro de 1822 D. Pedro I foi coroado e consagrado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. O pintor francês Jean Baptiste Debret imortalizou a cena em um célebre quadro, de 1828, hoje no Palácio Itamaraty, em Brasília. Na ocasião, a capela real passou a ser imperial.

A igreja ainda guarda parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral.

Cerimônia de coroação de D. Pedro I na igreja da Antiga Sé, por Debret (reprodução)

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sexta-feira, 24 de agosto de 2012 Entrevista, Reportagem | 10:05

A transformação do Viva Rio de pedra em vidraça

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O Viva Rio nasceu como uma reação de um grupo da sociedade civil carioca a um momento particularmente violento na cidade, após as chacinas da Candelária e de Vigário Geral, em 1993. Está chegando aos 19 anos em transição. Surgiu como uma Organização Não-Governamental e está cada vez mais funcionando como uma Organização Social. Antes, promovia debates, coletava sugestões, fazia críticas. Era um criador de agendas. Agora, com essa mudança de perfil, o Viva Rio teve que aprender a meter a mão na massa e passou a atuar em parcerias com os governos. Virou um executor de políticas públicas. Isso quer dizer que ele deixa de ser pedra e passa a ser vidraça.

Clínica da família na Rocinha

Clínica da família na Rocinha operada pelo Viva Rio como Organização Social (foto divulgação)

Se surgiu preocupado em reduzir a violência urbana, hoje pensa em promover o desenvolvimento local com inclusão social. “A gente propunha agendas e horizontes para o Rio. Essa agenda se cumpriu. O grande desafio agora é fazer”, afirma o antropólogo Rubem César Fernandes, diretor-executivo do Viva Rio. “E é preciso atuar no micro. O micro mudou muito pouco”, lamenta. E justifica a mudança. “Os mecanismos institucionais são emperrados”.

Do ponto de vista jurídico, uma Organização Social pode receber isenções fiscais e verbas do governo para a realização de atividades de interesse público e social. Do ponto de vista prático, o mais importante é que uma OS tem mais muito mais flexibilidade para comprar e para contratar e demitir pessoas – os funcionários não se tornam funcionários públicos. Se por um lado é bem menos engessado, para seus críticos o modelo está submetido a menos controles.

Campanha fracassada

Nascida em dezembro de 1993, o Viva Rio hoje conta com 4 mil funcionários, que atuam nas áreas de saúde, meio-ambiente, educação, artes, esportes e segurança humana – um nome pomposo que inclui a elaboração de políticas públicas para diminuir a violência, campanhas de controle de armas, e programas de qualificação da Guarda Municipal e da PM, entre outras coisas. Seus programas atendem direta e indiretamente 1,2 milhão de pessoas. E o Viva Rio já recebeu dezenas de prêmios, no Brasil e no exterior.

Nos últimos anos, a ONG foi definitivamente se transmutando. As operações no Haiti são um exemplo. O Viva Rio levou para o país do Caribe a experiência desenvolvida nas favelas cariocas. Chegaram aos poucos em 2005, como consultores. Os representantes da ONU gostaram e pediram uma ampliação do trabalho. Hoje são 800 pessoas, sendo 450 haitianos.

No Rio, como OS, passou a operar clínicas da família dentro das comunidades carentes. E firmou um convênio para gerir seis UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) na cidade – cinco do Estado e uma do município.

Na parte de “segurança humana” o trabalho inclui ajudar a formar guardas municipais e PMs que trabalham nas UPPs em como lidar com moradores das favelas.

Não quer dizer que a origem de formulação de propostas tenha sido arquivada. Mas mesmo essa faceta também está envolta em polêmica. O Viva Rio já liderou a campanha pelo desarmamento. O plebiscito foi derrotado. Agora o objetivo é ainda mais delicado: mudar a legislação de drogas, liberando o plantio de maconha para consumo próprio e transferindo a questão da área criminal para a área médica.

“O Viva Rio se transformou em um instrumento de execução das agendas que a gente mesmo ajudou a discutir no passado. A gente não é uma empresa de RH ou de logística de saúde”, explica Rubem César.

Baixo astral e esvaziamento

Essa mudança de orientação do Viva Rio é reflexo da mudança da cidade, segundo Rubem César. Ele diz que no início dos anos 90, o carioca ficava discutindo o mundo e demorou a perceber a crise, o baixo astral, o esvaziamento da cidade, a criminalidade.

“A violência era o sintoma mais evidente de uma patologia maior, que era o esvaziamento econômico Os bancos estavam indo embora, as estatais tinham ido para Brasília. Todo mundo queria sair.  O Viva Rio foi uma resposta da elite da cidade”, diz ele, lembrando que os primeiros passos foram dados por empresários de comunicação. Walter de Mattos (do Lance) chamou Herbert de Souza, o Betinho, João Roberto Marinho (Organizações Globo), e Manoel Francisco Brito (então Jornal do Brasil). “Eles chamaram o resto”.

Rubem César reconhece que a iniciativa passou por muitas idas e vindas até se consolidar. E que se o Viva Rio ajudou a cidade a se reinventar, também se beneficia do momento favorável movido por descoberta do pré-sal, investimentos na cidade, grandes eventos (Rio+20, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações, Olimpíadas, Copa do Mundo).

Ele ainda vê com simpatia os movimentos recentes, como o Rio Como Vamos e o Eu Amo, Eu Cuido. “São iniciativas jovens e importantes”.

“O Brasil vive uma boa fase e o Rio simboliza essa recuperação do País. De exemplo de problema, está virando exemplo de solução. O Rio é um case de soluções para questões que pareciam insolúveis. E passou a ser novamente um sinalizador positivo para o Brasil”. Ele cita o Bope e as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). “É curioso que a polícia do Rio tenha se tornado uma referência até internacional”. E ele cita experiências como o Favela-bairro e o trabalho da Comlurb, a empresa de limpeza urbana, nas favelas como exemplos de possibilidade de exportação de “know-how social”.

“O que o Rio viveu é um cenário frequente em várias partes do mundo, com países saindo de guerras civis, golpes de estado, e entrando em cenário de violência urbana potencializado por fragilidades institucionais. É comum na África, na América Central, em cidades muito grandes”.

Mas ele alerta que o momento positivo tem que ser aproveitado e que não dá para baixar a guarda. “Este início é promissor, mas há um risco de se perder no meio do caminho”. E que há muita coisa a se fazer. Ele diz que a política de integração social é aquém do necessário e que falta alinhamento de políticas públicas entre a capital e a região metropolitana. “E deveria haver mais descentralização da governança”.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012 Nota, Reportagem | 12:23

SP ainda está melhor do que o Rio em matéria de crimes letais

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Uma série de crimes na cidade de São Paulo colocou o governo paulista na berlinda. Principalmente por ações que envolveram a participação de policiais. Estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostraram que o número de homicídios na capital cresceu 21,57% na comparação entre o primeiro semestre de 2012 e o mesmo período do ano passado.

O secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, admitiu que o estado vive uma “escalada de violência”. Entre os episódios recentes mais notórios estão a morte do bancário italiano Tomasso Lotto, os assassinatos do empresário Ricardo Aquino, as mortes de César Dias de Oliveira e Ricardo Tavares da Silva, arrastões em restaurantes e a execução do delegado da polícia civil Paulo de Paula na marginal Tietê.

O Ministério Público Federal chegou a pedir a troca do comando da PM e cogitou pedir a intervenção federal no Estado para conter a violência.

O coordenador nacional do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Rildo Marques de Oliveira, disse que o governo paulista “não conseguiu encontrar uma forma adequada de fazer uma política de segurança pública com cidadania”.

No Rio, a situação é inversa. Há um elogio praticamente unânime à política da Secretaria de Segurança Pública no estado, principalmente com a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas da capital carioca. Os índices de crimes, notadamente homicídio, vem caindo de forma constante.

Números do Rio são piores

Entretanto, basta comparar as estatísticas de segurança pública relativas ao primeiro semestre de 2012 divulgadas pelos dois governos para ver que as impressões de controle no Rio e de descontrole em São Paulo são exageradas.

É verdade que, no primeiro semestre, alguns índices importantes tiveram piora significativa em São Paulo e melhora no Rio, em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, se comparados, os números em São Paulo ainda são muito melhores do que os do Rio. Um estudo com números de 2010, aliás, mostrava que, entre as 27 capitais estaduais, São Paulo é a que tinha menor número de homicídios percentualmente.

“São Paulo está há 10 anos diminuindo a criminalidade. No que diz respeito à violência letal, a diferença a favor de São Paulo é sem dúvida muito grande ainda. Se pudéssemos trocar com São Paulo, faríamos um grande negócio”, afirma o sociólogo Ignácio Cano, professor do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que acaba de publicar um estudo sobre as UPPs.

Para cada carro roubado no Rio, quatro são levados em São Paulo

No primeiro semestre de 2012 foram registrados 655 homicídios dolosos na capital carioca. Em São Paulo foram 622 no mesmo período. É bom lembrar que o número de habitantes em São Paulo é 78% maior, o que faz com que a relação paulistana de homicídios por 100 mil habitantes seja ainda menor. Pelo Censo 2010 são 11.244.369 moradores na capital paulista e 6.323.037 na fluminense.

Em outros índices importantes o resultado também é menos favorável ao Rio. Percentualmente, no primeiro semestre do ano, houve mais estupros, mais tentativas de homicídio e de homicídios culposos no trânsito no Rio.

Na comparação com o Rio, São Paulo também foi mais eficiente em armas apreendidas (+133%) e nas prisões efetuadas em flagrante e por mandato (+181%).

Se São Paulo está melhor do que o Rio no que diz respeito a crimes letais, o mesmo não se pode dizer em relação a crimes contra o patrimônio. No primeiro semestre se roubou muito mais veículos e carga na capital paulista. Para cada carro roubado no Rio foram levados quatro em São Paulo. Foram 23.028 só nos primeiros seis meses de 2012.

“As pessoas avaliam o momento. É natural. E hoje a conjuntura é desfavorável a São Paulo e favorável ao Rio. Mas a perspectiva deles ainda é melhor. O Rio ainda tem muito o que fazer para chegar aos índices de São Paulo. Se continuar nesse ritmo, talvez , em 5, 6, 7 anos o Rio chegue à situação de São Paulo hoje”, avalia Ignácio Cano.

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quinta-feira, 26 de julho de 2012 Nota | 12:05

Fotógrafo da Magnum lança ‘novela visual’ ambientada no Rio

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David Alan Harvey é um fotógrafo norte-americano renomado mundialmente. Pertence aos quadros da agência Magnum – a famosa cooperativa fundada por Henri Cartier Bresson e Robert Capa – é colaborador frequente da National Geographic, do New York Times, já expôs no Moma e ganhou o prêmio de fotógrafo do ano pela National Press Photographers Association em 1978. Também é o criador e editor da Burn Magazine, uma publicação online que mostra o seu trabalho e o de fotógrafos emergentes. Mas em sua página no Facebook ele se define como “fotógrafo, mentor, editor e agente secreto”.

Pois o último trabalho de DAH é dedicado ao Rio de Janeiro, uma de suas paixões. “(based on a true story)” (editado pela BurnBooks) é um ensaio diferente sobre a cidade. É uma novela visual que se passa no Rio, mas não é sobre o Rio. Virou livro de arte. Mas antes foi um projeto online de crowfunding (com o nome de “The Rio Book”). Bryan Harvey, seu filho, fez um belo e curto vídeo (em inglês) mostrando DAH trabalhando no projeto e em que ele fala da importância da conexão de um fotógrafo com o tema de seu trabalho.

E conta que há dois tipos de fotógrafos, aqueles que olham pela janela para o mundo e aqueles que olham para o espelho. “E para mim. Estar no Rio, com certeza, é olhar para o espelho”, diz DAH.

Aqueles que contribuíram com projeto enquanto ele estava sendo feito podiam acompanhar a feitura do trabalho e poderiam comprar o livro a um preço mais em conta, pois a obra não pode ser considerara barata. São 600 cópias numeradas, impressas na Itália em papel Fedrigoni Splendorgel Extra White 160gr. Os preços variam. Os primeiros exemplares foram vendidos a US$ 95. Os últimos saem a US$ 192.

Imagens do livro "(based on a true story)", do fotógrafo norte-americano David Alan Harvey (reprodução)

No livro, DAH mostra vários Rios. Vai dos bailes de gala do Copa até o subúrbio de Coelho Neto. De um treino do Bope na favela Tavares Bastos a prosaicos salsichões na chapa de algum ambulante. E há imagens de rapazes jogando altinho, de crianças antes do desfile de Carnaval, dos arredores do Sambódromo, de comércio popular e de jovens armados e com drogas em vielas de uma favela.

A primeira capa traz a imagem do desenho das pedras portuguesas no calçamento da praia de Ipanema. No interior do livro, as imagens, mesmo quando abordam clichês (como as garotas de biquini na praia, cerimônias religiosas de origem africana, a beleza natural da cidade), vão além deles.

Um outro vídeo dá uma mostra de como é “(based on a true story)” e como sua “leitura” não é necessariamente linear. “Há mais de uma maneira de ler esta novela”, avisa DAH em um cartão-postal em anexo. Há um jogo entre as imagens, como se ela interagissem umas com as outras.

Não há quase texto. As imagens estão ali para interpretação de cada um. Um livro que pode ser descontruído e construído novamente (como não tem costura, aliás, as páginas são destacáveis). É um quebra-cabeça que pode ser montado de diversas formas.

Harvey passou dois anos e meio fotografando a cidade para criar “uma narrativa de inspiração jornalistica”. Que ele mesmo chama de “novela”. Ele diz que se inspirou no jornalista gonzo Hunter S. Thompson, e nos cineastas David Lynch e Joel e Ethan Coen para a atmosfera do trabalho. Certamente em suas fotos do Rio há um quê de féerico e de hiper-realista.

Ele é autor de outros livros: “Tell It Like It Is”, Living Proof”, “Cuba: Island at a Crossroad” e “Divided Soul”. E parte desse seu trabalho sobre o Rio deve ser editado e publicado na edição de outubro da National Geographic nos EUA (onde já publicou mais de 40 ensaios).

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